{"id":140119,"date":"2018-04-23T00:43:06","date_gmt":"2018-04-23T03:43:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=140119"},"modified":"2018-04-23T00:43:06","modified_gmt":"2018-04-23T03:43:06","slug":"exportacao-e-reserva-internacional-mantem-risco-pais-em-niveis-baixos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/exportacao-e-reserva-internacional-mantem-risco-pais-em-niveis-baixos\/140119","title":{"rendered":"Exporta\u00e7\u00e3o e reserva internacional mant\u00eam risco pa\u00eds em n\u00edveis baixos"},"content":{"rendered":"<p> Os rebaixamentos sofridos pelo Brasil nos \u00faltimos meses pelas ag\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o de risco pouco afetaram um dos principais indicadores do interesse dos investidores estrangeiros. O <strong><em>risco pa\u00eds<\/em><\/strong> continua em n\u00edveis baixos, pr\u00f3ximos aos de quando o pa\u00eds ainda tinha grau de investimento (garantia de que n\u00e3o corre risco de dar calote na d\u00edvida p\u00fablica). Segundo especialistas, as elevadas reservas internacionais e o bom desempenho das exporta\u00e7\u00f5es t\u00eam ajudado a manter o \u00edndice em n\u00edveis baixos.<\/p>\n<p>D\u00f3lares<\/p>\n<p>Definido como a diferen\u00e7a entre os juros dos t\u00edtulos p\u00fablicos brasileiros no exterior e os t\u00edtulos do Tesouro norte-americano, calculada dia a dia, o risco pa\u00eds funciona como um term\u00f4metro da desconfian\u00e7a dos investidores internacionais. Quanto maior a diferen\u00e7a, maior a percep\u00e7\u00e3o de risco dos aplicadores em rela\u00e7\u00e3o a um papel. O indicador foi criado pelo banco de investimentos JPMorgan, em 1992.<\/p>\n<p>O risco pa\u00eds encerrou 2017 em 240 pontos. Na \u00faltima quarta-feira (18), segundo dados mais recentes, estava em 244 pontos. Pelo indicador, os t\u00edtulos p\u00fablicos brasileiros em circula\u00e7\u00e3o no exterior tinham juros 2,44 pontos percentuais maiores que os pap\u00e9is equivalentes do Tesouro norte-americano, considerado o investimento mais seguro do mundo.<\/p>\n<p>O n\u00edvel \u00e9 semelhante ao registrado no fim de 2014, quando o Brasil ainda tinha grau de investimento. No in\u00edcio de setembro de 2015, quando a Standard &#038; Poor\u2019s (S&#038;P) tornou-se a primeira ag\u00eancia a retirar o selo de bom pagador do pa\u00eds, o \u00edndice estava em torno de 390 pontos.<\/p>\n<p>Chegou a 569 pontos em fevereiro de 2016, recuando gradualmente nos meses seguintes, principalmente ap\u00f3s a destitui\u00e7\u00e3o da ex-presidente Dilma Rousseff.<\/p>\n<p>Avalia\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>Atualmente, as ag\u00eancias S&#038;P e Fitch classificam o Brasil tr\u00eas n\u00edveis abaixo do grau de investimento. Os rebaixamentos mais recentes ocorreram em janeiro (S&#038;P)  e em fevereiro (Fitch). O principal argumento foi o adiamento da aprova\u00e7\u00e3o da reforma da Previd\u00eancia.<\/p>\n<p>A Moody\u2019s tem uma avalia\u00e7\u00e3o mais otimista. Al\u00e9m de ter mantido o pa\u00eds dois n\u00edveis abaixo do selo de bom pagador, este m\u00eas elevou de negativa para neutra a perspectiva da nota do pa\u00eds, indicando que n\u00e3o pretende alterar a classifica\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos meses <http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/economia\/noticia\/2018-04\/moodys-melhora-perspectiva-da-nota-de-credito-do-brasil>.<\/p>\n<p>Segundo a ag\u00eancia, o crescimento da economia previsto para 2018 e a possibilidade de aprova\u00e7\u00e3o de reformas estruturais pelo pr\u00f3ximo governo permitiram a conserva\u00e7\u00e3o da nota.<\/p>\n<p>Resili\u00eancia<\/p>\n<p>Para o economista-chefe da Sulam\u00e9rica Investimentos, Newton Rosa, as dificuldades fiscais do governo, que n\u00e3o consegue aprovar a reforma da Previd\u00eancia e viu as medidas provis\u00f3rias de ajuste fiscal editadas no fim do ano passado perder a validade, s\u00e3o atenuadas pela situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds no mercado internacional.<\/p>\n<p>As reservas internacionais de US$ 383 bilh\u00f5es mais do que cobrem a d\u00edvida externa do governo e das empresas, atualmente em US$ 316,2 bilh\u00f5es, contribuindo para manter o risco pa\u00eds em n\u00edveis baixos.<\/p>\n<p>\u201cMesmo com a dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o fiscal, o Brasil tem um setor externo robusto. Se o capital externo quiser sair do pa\u00eds, existem d\u00f3lares para pagar todo mundo. Isso faz com que o investidor internacional mantenha o interesse na economia brasileira\u201d, disse o economista.<\/p>\n<p>Professor de Economia e Finan\u00e7as Internacionais da Escola Brasileira de Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica e de Empresas da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV\/Ebape), Istvan Kasznar concorda com a solidez das contas externas brasileiras.<\/p>\n<p>Segundo ele, o diagn\u00f3stico das ag\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o de risco nem sempre consegue ser suficiente porque o banqueiro que quer comprar t\u00edtulos da d\u00edvida brasileira no exterior n\u00e3o leva em considera\u00e7\u00e3o somente a situa\u00e7\u00e3o fiscal.<\/p>\n<p>\u201cDe fato, o Brasil n\u00e3o cresce, patina. O d\u00e9ficit prim\u00e1rio est\u00e1 em torno de R$ 140 bilh\u00f5es, e o governo enfrenta dificuldades pol\u00edticas. Por outro lado, a infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 baix\u00edssima, e o pa\u00eds exporta muito petr\u00f3leo, soja e milho. O painel de forma\u00e7\u00e3o de reservas internacionais \u00e9 muito bom. Quando se combina um elemento com o outro, chega-se \u00e0 conclus\u00e3o de que o Brasil \u00e9 mais resiliente para a \u00f3tica externa do que pareceria\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Elei\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 possibilidade de que o risco pa\u00eds suba com eventuais incertezas e turbul\u00eancias decorrentes das elei\u00e7\u00f5es de outubro, os economistas divergem. Newton Rosa diz que as expectativas podem se deteriorar se o vencedor das elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o se comprometer com a continuidade das medidas de ajuste. O professor da FGV tem uma postura mais cautelosa.<\/p>\n<p>\u201cAs [empresas] transnacionais reclamam do Brasil, mas acreditam nele. O Banco Central n\u00e3o fez nenhuma artimanha para queimar as reservas internacionais. De fato, est\u00e1 imposs\u00edvel saber o que vai acontecer com as elei\u00e7\u00f5es brasileiras. A vertente pol\u00edtica \u00e9 vol\u00e1til, mas a vertente econ\u00f4mica, mesmo com problemas no Brasil e no mundo, est\u00e1 fortificante\u201d, disse Kasznar.<\/p>\n<p>Wellton M\u00e1ximo \u2013 Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o: Kleber Sampaio<br \/>\n23\/04\/2018<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os rebaixamentos sofridos pelo Brasil nos \u00faltimos meses pelas ag\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o de risco pouco afetaram um dos principais indicadores do interesse dos investidores estrangeiros. O risco pa\u00eds continua em n\u00edveis baixos, pr\u00f3ximos aos de quando o pa\u00eds ainda tinha grau de investimento (garantia de que n\u00e3o corre risco de dar calote na d\u00edvida p\u00fablica). 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