{"id":140115,"date":"2018-04-23T00:41:41","date_gmt":"2018-04-23T03:41:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=140115"},"modified":"2018-04-23T00:41:41","modified_gmt":"2018-04-23T03:41:41","slug":"cidades-inteligentes-dependem-de-acao-conjunta-entre-setores-da-sociedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/cidades-inteligentes-dependem-de-acao-conjunta-entre-setores-da-sociedade\/140115","title":{"rendered":"Cidades inteligentes dependem de a\u00e7\u00e3o conjunta entre setores da sociedade"},"content":{"rendered":"<p> Maria Fernanda Ziegler\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Mais da metade da popula\u00e7\u00e3o mundial vive em cidades e a expectativa \u00e9 que at\u00e9 2050 o \u00edndice salte para 75%. Especialistas defendem que para gerar qualidade de vida, combater problemas do sistema de sa\u00fade e at\u00e9 mesmo planejar movimentos econ\u00f4micos, o poder p\u00fablico, a iniciativa privada e os cidad\u00e3os ter\u00e3o que lidar com quest\u00f5es referentes \u00e0s cidades inteligentes. Essa foi a opini\u00e3o levantada por participantes do evento \u201c<strong><em>Mobilidade e Cidades Inteligentes<\/em><\/strong>\u201d, realizado em 16 de abril pela FAPESP em parceria com o Instituto do Legislativo Paulista (ILP).<\/p>\n<p>Foi o quinto evento do Ciclo ILP-FAPESP de Ci\u00eancia e Inova\u00e7\u00e3o, que contou com a participa\u00e7\u00e3o do deputado estadual Marco Vinholi, de Leonardo Quintiliano, diretor-executivo do ILP, e de Carlos Am\u00e9rico Pacheco, presidente do Conselho T\u00e9cnico-Administrativo (CTA) da FAPESP.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de um dos palestrantes,\u00a0, professor do Instituto de Matem\u00e1tica e Estat\u00edstica da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), cada vez mais a tend\u00eancia ser\u00e1 criar aplica\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os para a popula\u00e7\u00e3o a partir da coleta e an\u00e1lise de dados, seja em transportes, sa\u00fade, coleta de lixo, por exemplo.<\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 a base das cidades inteligentes. Por\u00e9m, a velocidade com que esse movimento vai ocorrer depende de n\u00f3s, cientistas, depende do Legislativo, das empresas e da popula\u00e7\u00e3o\u201d, disse o membro da Coordena\u00e7\u00e3o Adjunta &#8211; Pesquisa para Inova\u00e7\u00e3o da FAPESP.<\/p>\n<p>Segundo ele, n\u00e3o \u00e9 raro que a preocupa\u00e7\u00e3o inicial de prefeituras seja com a compra de determinado produto atrelado a cidades inteligentes.<\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 uma maneira de se obter uma cidade burra. Saber que hardware comprar \u00e9 a \u00faltima coisa a se fazer. Fazer uma cidade inteligente exige ter especialistas e cientistas trabalhando de forma integrada com funcion\u00e1rios da prefeitura para entender quais s\u00e3o as necessidades da popula\u00e7\u00e3o, fazer diagn\u00f3sticos e elaborar projetos para uma pol\u00edtica p\u00fablica de longo prazo. Somente quando se chega a esse ponto \u00e9 que se escolhe o produto a comprar ou se \u00e9 preciso desenvolver um novo\u201d, disse.<\/p>\n<p>Kon apresentou projetos desenvolvidos na USP que possibilitam a cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas baseadas em evid\u00eancia. Entre eles estava um sistema que monitorava a rela\u00e7\u00e3o entre sistema de sa\u00fade e mobilidade urbana.<\/p>\n<p>\u201cCalculamos quanto as pessoas precisam se deslocar para receber determinado tratamento de sa\u00fade. Vimos que elas se deslocam muito. Estudos como esses podem justificar a localiza\u00e7\u00e3o de novos hospitais, ou, se o governo tem dinheiro apenas para investir em um e n\u00e3o cinco hospitais, que o investimento seja feito da melhor maneira poss\u00edvel\u201d, disse.<\/p>\n<p>Ainda na toada de pol\u00edticas p\u00fablicas baseadas em evid\u00eancias, Marcio Cabral, da startup\u00a0, empresa apoiada pelo Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), mostrou como o monitoramento em tempo real da frota de \u00f4nibus na cidade de S\u00e3o Paulo pode auxiliar na tomada de decis\u00f5es e melhoria de vida dos passageiros.<\/p>\n<p>\u201cA partir da nossa an\u00e1lise de dados conseguimos responder a perguntas sobre mobilidade urbana e ter uma an\u00e1lise global do tr\u00e2nsito. Com o monitoramento \u00e9 poss\u00edvel fazer uma an\u00e1lise global tanto para o passageiro, que precisa saber que horas o \u00f4nibus vai chegar, quanto para o gestor. A an\u00e1lise para o gestor utiliza tamb\u00e9m dados hist\u00f3ricos para indicar onde h\u00e1 problemas cr\u00f4nicos ou moment\u00e2neos que exijam uma a\u00e7\u00e3o planejada ou imediata da cidade\u201d, disse Cabral.<\/p>\n<p>Recentemente, a Scipopulis mapeou a cidade de S\u00e3o Paulo com n\u00fameros de linhas de \u00f4nibus, escolas, empresas, hospitais. O objetivo foi conseguir, a partir dos dados, prever quantas pessoas circulam pela cidade e avaliar as interse\u00e7\u00f5es das linhas de \u00f4nibus da cidade. \u201cA partir de simula\u00e7\u00f5es em um sistema de\u00a0machine learning\u00a0[aprendizagem de m\u00e1quina] conseguimos prever quais mudan\u00e7as nas linhas podem atender melhor a cidade\u201d, disse Cabral.<\/p>\n<p>Senhora com problemas de sa\u00fade<\/p>\n<p>A cidade interfere na economia e na sa\u00fade das pessoas. Qual \u00e9 o peso de morar em uma grande cidade? Segundo\u00a0, diretor do Instituto de Estudos Avan\u00e7ados da USP, \u00e9 poss\u00edvel identificar o peso da metr\u00f3pole em seus moradores.<\/p>\n<p>\u201cEm S\u00e3o Paulo, fazemos 15 mil aut\u00f3psias por ano. \u00c9 o maior n\u00famero no mundo e \u00e9 poss\u00edvel ver as impress\u00f5es da cidade sobre os corpos. \u00c9 poss\u00edvel ver as manchas de carbono, de polui\u00e7\u00e3o, nos pulm\u00f5es. A partir de entrevistas com parentes, o patologista consegue saber onde aquela pessoa morava. Com isso, chegou-se \u00e0 estimativa de que duas horas que a pessoa passa no tr\u00e2nsito de S\u00e3o Paulo equivalem a fumar um cigarro. O tr\u00e2nsito j\u00e1 tem efeito mais nocivo do que ser fumante passivo\u201d, disse.<\/p>\n<p>Saldiva explicou que as cidades afetam a sa\u00fade de seus moradores principalmente em tr\u00eas quest\u00f5es de sa\u00fade: obesidade, sa\u00fade mental e c\u00e2ncer. \u201cSabe-se que quanto maior for a cidade, maiores ser\u00e3o as taxas ajust\u00e1veis de obesidade, depress\u00e3o, ansiedade, esquizofrenia e c\u00e2ncer\u201d, disse.<\/p>\n<p>Para o pesquisador \u2013 que acaba de lan\u00e7ar o livro\u00a0Vida Urbana e Sa\u00fade\u00a0(editora Contexto) \u2013, \u00e9 poss\u00edvel tamb\u00e9m tra\u00e7ar um perfil da cidade.<\/p>\n<p>\u201cSe S\u00e3o Paulo fosse uma mulher, seria uma senhora de 464 anos obesa que cresceu mais que a estrutura permitia. Teria art\u00e9rias entupidas com trombos met\u00e1licos de quatro rodas, bronquite cr\u00f4nica por polui\u00e7\u00e3o e insufici\u00eancia renal, com diarreia aquosa em seus rios. Al\u00e9m disso tamb\u00e9m teria diabetes, por usar energia de forma perdul\u00e1ria, e Alzheimer, por esquecer o que foi feito nas gest\u00f5es anteriores\u201d, disse.<\/p>\n<p>Saldiva defende que os temas cidades inteligentes e mobilidade urbana, al\u00e9m de serem uma quest\u00e3o de sa\u00fade, estejam relacionados aos direitos fundamentais das pessoas.<\/p>\n<p>\u201cA forma como nos locomovemos nas cidades est\u00e1 conectada a essas doen\u00e7as e tamb\u00e9m pode ser interpretada como um m\u00e9todo de exclus\u00e3o. Como um jovem que precisa de tr\u00eas horas para se locomover vai estudar e se tornar uma pessoa melhor para a sociedade? Calculamos o pre\u00e7o de mudar, mas ningu\u00e9m sabe o pre\u00e7o de manter como estamos hoje\u201d, disse.<\/p>\n<p>, professor na Faculdade de Economia, Administra\u00e7\u00e3o e Contabilidade (FEA) da USP, falou sobre a rela\u00e7\u00e3o das cidades com a economia. \u201cEm economia, defendemos que as paisagens econ\u00f4micas revelam realidades complexas. Quais os custos e os benef\u00edcios de morar em uma cidade como S\u00e3o Paulo. Em nossos estudos vimos que o acesso ao transporte p\u00fablico tem rela\u00e7\u00e3o com o peso de uma vaga no valor do im\u00f3vel\u201d, disse.<\/p>\n<p>Um estudo feito no Departamento de Economia da FEA, a partir de dados de 15 milh\u00f5es de im\u00f3veis, mostrou que quanto mais pr\u00f3ximo de uma esta\u00e7\u00e3o de metr\u00f4 estiver o im\u00f3vel, menor ser\u00e1 o peso da vaga de garagem no valor total do im\u00f3vel. De acordo com o levantamento, a vaga pode representar at\u00e9 11,7% do valor total de um im\u00f3vel na cidade.<\/p>\n<p>De acordo com o c\u00e1lculo, uma vaga de estacionamento pode deixar um apartamento de 60 m2 de R$ 14 mil a R$ 238 mil mais caro, dependendo da proximidade do metr\u00f4.<\/p>\n<p>O objetivo do ciclo ILP-FAPESP \u00e9 divulgar estudos de relevante impacto social e econ\u00f4mico realizados por pesquisadores do Estado de S\u00e3o Paulo e que possam dar origem a pol\u00edticas p\u00fablicas que beneficiem a sociedade. O pr\u00f3ximo evento ser\u00e1 no dia 21 de maio, no audit\u00f3rio Teot\u00f4nio Vilela, na Alesp, com o tema \u201cInova\u00e7\u00e3o na sa\u00fade: tecnologias que salvam vidas\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Fernanda Ziegler\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Mais da metade da popula\u00e7\u00e3o mundial vive em cidades e a expectativa \u00e9 que at\u00e9 2050 o \u00edndice salte para 75%. 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