{"id":139534,"date":"2018-04-16T00:53:18","date_gmt":"2018-04-16T03:53:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=139534"},"modified":"2018-04-16T00:53:18","modified_gmt":"2018-04-16T03:53:18","slug":"profissionais-de-saude-sabem-pouco-sobre-doenca-de-chagas-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/profissionais-de-saude-sabem-pouco-sobre-doenca-de-chagas-diz-estudo\/139534","title":{"rendered":"Profissionais de sa\u00fade sabem pouco sobre Doen\u00e7a de Chagas, diz estudo"},"content":{"rendered":"<p> Um estudo desenvolvido pela Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz em parceria com a organiza\u00e7\u00e3o M\u00e9dico Sem Fronteiras (MSF), mostrou que profissionais de sa\u00fade sabem pouco sobre m\u00e9todos de diagn\u00f3stico e tratamento da <strong><em>Doen\u00e7a de Chagas<\/em><\/strong> no Brasil. Entre os profissionais de unidades b\u00e1sicas de Sa\u00fade ouvidos em seis munic\u00edpios brasileiros, apenas 32% conheciam os procedimentos de diagn\u00f3stico da doen\u00e7a. Quando questionados sobre o tratamento da doen\u00e7a, 41% afirmaram saber que existe um medicamento espec\u00edfico para a doen\u00e7a, mas somente 14% sabiam dizer o tipo de medicamento indicado.<\/p>\n<p>O epidemiologista da Unidade M\u00e9dica Brasileira do M\u00e9dico Sem Fronteiras, Juan Carlos Cubides, explicou que o objetivo do estudo era justamente mostrar a neglig\u00eancia com a doen\u00e7a de Chagas no pa\u00eds e document\u00e1-la, pois faltam n\u00fameros oficiais sobre o problema.<\/p>\n<p>Segundo ele, o resultado do estudo demonstra a invisibilidade da doen\u00e7a nas unidades b\u00e1sicas de sa\u00fade. \u201cMuitas vezes o m\u00e9dico tem um paciente com sintomas de Chagas mas ele n\u00e3o pensa na doen\u00e7a. N\u00e3o sabe fazer o diagn\u00f3stico e nem que medicamento utilizar\u201d, disse. \u201cIsso contrasta fortemente com o que acontece nos Centros de Refer\u00eancia, obviamente, onde 90% dos profissionais conhecem os testes de diagn\u00f3stico e o tratamento indicado.\u201d<\/p>\n<p>Usu\u00e1rios<\/p>\n<p>O levantamento foi feito com profissionais de sa\u00fade, gestores e usu\u00e1rios do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) em seis cidades brasileiras com hist\u00f3rico de casos de Chagas ou que t\u00eam centros de refer\u00eancia para o tratamento da doen\u00e7a e demonstrou que entre os usu\u00e1rios tamb\u00e9m h\u00e1 muita desinforma\u00e7\u00e3o. Entre os 177 usu\u00e1rios das unidades b\u00e1sicas ouvidos, que n\u00e3o t\u00eam a doen\u00e7a, menos de 30% sabiam que \u00e9 poss\u00edvel curar a doen\u00e7a na fase aguda.<\/p>\n<p>No total, foram entrevistadas 269 pessoas, sendo 230 usu\u00e1rios do SUS, 53 pessoas afetadas por Chagas e 39 profissionais de sa\u00fade e gestores.<\/p>\n<p>Neglig\u00eancia<\/p>\n<p>A analista em Assuntos Humanit\u00e1rios do MSF, Vit\u00f3ria de Paula Ramos, destacou que a doen\u00e7a de Chagas faz parte da lista de doen\u00e7as negligenciadas da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade. \u201cAs doen\u00e7as negligenciadas como um todo fazem cada vez menos parte dos curr\u00edculos das universidades, ent\u00e3o os pr\u00f3prios profissionais de sa\u00fade desconhecem o tema\u201d, disse.<\/p>\n<p>Ela explicou que essas doen\u00e7as afetam popula\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m negligenciadas, que vivem em situa\u00e7\u00e3o de pobreza e que t\u00eam acesso escasso a cuidados com a sa\u00fade. \u201cAl\u00e9m disso, existem poucos recursos para pesquisas e desenvolvimento de novos medicamentos e formas de diagn\u00f3stico. Essas doen\u00e7as s\u00e3o muitas vezes esquecidas nas pol\u00edticas p\u00fablicas, h\u00e1 poucas pol\u00edticas para endere\u00e7ar e resolver o problema dessas doen\u00e7as. Algumas podem ser erradicadas, outras n\u00e3o, mas todas podem ser pelo menos controladas, como \u00e9 o caso da doen\u00e7a de Chagas.\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Segundo Vit\u00f3ria, o Brasil evoluiu muito no que diz respeito a frear a transmiss\u00e3o da doen\u00e7a, mas agora precisa avan\u00e7ar no diagn\u00f3stico: \u201cForam feitos muitos esfor\u00e7os em rela\u00e7\u00e3o ao controle do vetor que transmite a doen\u00e7a, o inseto conhecido como Barbeiro, ent\u00e3o nas \u00faltimas d\u00e9cadas teve esse investimento muito grande, por\u00e9m nunca foi dado o segundo passo, que \u00e9 dar aten\u00e7\u00e3o a essas pessoas que foram infectadas h\u00e1 d\u00e9cadas e aos novos casos tamb\u00e9m.\u201d<\/p>\n<p>Vit\u00f3ria Ramos esclareceu que atualmente ainda h\u00e1 novos casos registrados no pa\u00eds, especialmente pela transmiss\u00e3o oral, que ocorre por ingest\u00e3o de alimentos contaminados. \u201c\u00c9 muito menos expressivo do que j\u00e1 foi um dia, mas ainda existe. O que estamos pedindo agora \u00e9 que as pol\u00edticas se voltem para as pessoas afetadas por Chagas, que essas pessoas possam ser diagnosticadas e tratadas na aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica de sa\u00fade.\u201d<\/p>\n<p>A doen\u00e7a<\/p>\n<p>A estimativa da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade \u00e9 de que hoje entre 6 e 8 milh\u00f5es de pessoas no mundo est\u00e3o infectadas. No Brasil, de acordo com dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, entre 1,9 milh\u00e3o e 4,6 milh\u00f5es de pessoas s\u00e3o afetadas pela doen\u00e7a de Chagas e cerca de 6 mil morrem anualmente devido a complica\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas.<\/p>\n<p>A cardiologista Andr\u00e9a Silvestre de Sousa, pesquisadora em Sa\u00fade P\u00fablica da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz, explicou que a doen\u00e7a de Chagas \u00e9 uma doen\u00e7a infecciosa causada por um parasita, o protozo\u00e1rio Trypanosoma cruzi, que entra na corrente sangu\u00ednea. A doen\u00e7a tem duas fases bem definidas, uma aguda, muitas vezes assintom\u00e1tica, e uma cr\u00f4nica. \u201cSe a doen\u00e7a for diagnosticada na fase aguda h\u00e1 chances de cura com o tratamento\u201d, explicou.<\/p>\n<p>O medicamento usado para o tratamento de Chagas \u00e9 o mesmo usado h\u00e1 d\u00e9cadas. \u201cComo \u00e9 uma doen\u00e7a negligenciada, ainda se usa o mesmo rem\u00e9dio que foi desenvolvido na d\u00e9cada de 1960, o benzonidazol, mas \u00e9 importante destacar que ele pode curar ou diminuir as taxas de progress\u00e3o da doen\u00e7a para a fase cr\u00f4nica\u201d, disse.<\/p>\n<p>Se a doen\u00e7a n\u00e3o for tratada, o paciente pode permanecer com o parasita no sangue por d\u00e9cadas de forma latente, sem nenhum sintoma e sem saber que est\u00e1 infectado. \u201cA pessoa n\u00e3o sabe que est\u00e1 infectada, desconhece as consequ\u00eancias da doen\u00e7a caso se torne cr\u00f4nica e n\u00e3o busca esse diagn\u00f3stico, at\u00e9 passar para a fase cr\u00f4nica.\u201d<\/p>\n<p>Na fase cr\u00f4nica e sintom\u00e1tica da doen\u00e7a, o indiv\u00edduo pode desenvolver cardiopatias e manifesta\u00e7\u00f5es digestivas, como problemas no es\u00f4fago e no intestino. Mas a cardiologista garante que apesar de a cardiopatia causada por Chagas ser muito temida pelo senso comum, ela pode ser tratada e, mesmo que n\u00e3o haja cura, a pessoa infectada pode ter qualidade de vida por muitos anos.<\/p>\n<p>Diagn\u00f3stico<\/p>\n<p>\u201cSe a pessoa tem na fam\u00edlia casos da doen\u00e7a de Chagas, se viveu em condi\u00e7\u00f5es de risco no passado em \u00e1reas end\u00eamicas da doen\u00e7a no Brasil, deve procurar fazer o exame\u201d, recomenda Andr\u00e9a Silvestre de Sousa.<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico \u00e9 feito por meio de exames de sangue espec\u00edficos para as fases aguda e cr\u00f4nica. A m\u00e9dica explicou que apesar de a fase aguda ser muitas vezes assintom\u00e1tica, os profissionais de sa\u00fade e a popula\u00e7\u00e3o devem considerar o hist\u00f3rico epidemiol\u00f3gico para solicitar o exame.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil avan\u00e7ou no controle da transmiss\u00e3o. Se a gente controla hoje, \u00e9 porque sabemos que milh\u00f5es de pessoas foram infectadas nas d\u00e9cadas passadas e hoje est\u00e3o vivendo com a doen\u00e7a, muitas vezes sem saber. \u00c9 preciso disponibilizar o diagn\u00f3stico atrav\u00e9s da busca ativa de casos de pessoas que t\u00eam uma hist\u00f3ria epidemiol\u00f3gica positiva, assim como parentes de pessoas que viveram nessas mesmas condi\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade social, condi\u00e7\u00f5es inadequadas de moradia, filhos de m\u00e3es com doen\u00e7a de Chagas, j\u00e1 que existe tamb\u00e9m uma transmiss\u00e3o cong\u00eanita. Enfim, \u00e9 preciso buscar esses casos\u201d, disse Andr\u00e9a.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a m\u00e9dica destaca a import\u00e2ncia de os profissionais de sa\u00fade serem amplamente orientados. \u201cTamb\u00e9m \u00e9 preciso ter um grau de suspei\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica entre os pr\u00f3prios m\u00e9dicos, porque as vezes eles est\u00e3o diante de uma cardiopatia e se esquecem da Chagas como uma poss\u00edvel etiologia base e que demanda interven\u00e7\u00f5es mais espec\u00edficas\u201d, disse.<\/p>\n<p> Maiana Diniz \u2013 Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o: Denise Griesinger<br \/>\n16\/04\/2018<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo desenvolvido pela Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz em parceria com a organiza\u00e7\u00e3o M\u00e9dico Sem Fronteiras (MSF), mostrou que profissionais de sa\u00fade sabem pouco sobre m\u00e9todos de diagn\u00f3stico e tratamento da Doen\u00e7a de Chagas no Brasil. 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