{"id":138430,"date":"2018-04-02T00:37:51","date_gmt":"2018-04-02T03:37:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=138430"},"modified":"2018-04-01T19:23:56","modified_gmt":"2018-04-01T22:23:56","slug":"nova-estrategia-para-vacina-contra-o-cancer-e-testada-com-sucesso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/nova-estrategia-para-vacina-contra-o-cancer-e-testada-com-sucesso\/138430","title":{"rendered":"Nova estrat\u00e9gia para vacina contra o c\u00e2ncer \u00e9 testada com sucesso"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Ao combinar diferentes linhagens de c\u00e9lulas tumorais geneticamente modificadas, cientistas de Campinas (SP) conseguiram resultados promissores no tratamento de tumores em camundongos. O objetivo da pesquisa,\u00a0, \u00e9 desenvolver uma <strong><em>vacina capaz de estimular o sistema imune a combater o c\u00e2ncer<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>O trabalho vem sendo conduzido no Laborat\u00f3rio Nacional de Bioci\u00eancias (LNBio), do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), durante o\u00a0\u00a0de Andrea Johanna Manrique Rinc\u00f3n, sob a coordena\u00e7\u00e3o de Marcio Chaim Bajgelman.<\/p>\n<p>\u201cTestamos v\u00e1rias combina\u00e7\u00f5es de linhagens tumorais geneticamente modificadas e algumas foram capazes de impedir totalmente o tumor de crescer. Os resultados sugerem que a resposta antitumoral induzida pelo tratamento \u00e9 duradoura, o que seria interessante na preven\u00e7\u00e3o de recidivas\u201d, disse Bajgelman \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Como explicou o pesquisador, o desenvolvimento de uma vacina contra o c\u00e2ncer \u00e9 um objetivo buscado por diversos grupos no mundo desde os experimentos do norte-americano William B. Coley (1862-1936), que usava vacinas antitumorais derivadas de microrganismos no in\u00edcio do s\u00e9culo 20.<\/p>\n<p>O modelo mais bem estabelecido \u00e9 a GVAX, vacina composta de c\u00e9lulas tumorais aut\u00f3logas (do pr\u00f3prio indiv\u00edduo a ser tratado) geneticamente modificadas para secretar a citocina GM-CSF (fator de estimula\u00e7\u00e3o de col\u00f4nias de granul\u00f3citos e macr\u00f3fagos, na sigla em ingl\u00eas) e irradiadas para evitar que se proliferem descontroladamente no organismo.<\/p>\n<p>\u201cA GVAX foi testada em um modelo tumoral em camundongos, no qual as c\u00e9lulas de melanoma [sem modifica\u00e7\u00e3o] s\u00e3o injetadas na veia da cauda. O tumor se instala no pulm\u00e3o e causa a morte do animal em cerca de 28 dias. Com a GVAX [aplicada ap\u00f3s a doen\u00e7a ter sido induzida], foi poss\u00edvel reverter o quadro e aumentar a expectativa de vida nos animais desafiados\u201d, contou Bajgelman<\/p>\n<p>Embora a GVAX tenha apresentado resultados animadores em roedores, n\u00e3o foi observado o mesmo desempenho nos ensaios com humanos.<\/p>\n<p>A citocina GM-CSF usada na GVAX \u00e9 considerada um imunomodulador, pois estimula a prolifera\u00e7\u00e3o e a matura\u00e7\u00e3o de diferentes tipos de c\u00e9lulas de defesa. Em seu laborat\u00f3rio no LNBio, Bajgelman desenvolveu outras duas linhagens de melanoma capazes de secretar subst\u00e2ncias imunomoduladoras, como o ligante de 4-1BB e o ligante de OX40L.<\/p>\n<p>As modifica\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas foram feitas com aux\u00edlio de v\u00edrus recombinantes, que infectam as c\u00e9lulas tumorais e levam para seu interior o gene que codifica o imunomodulador. Depois de estabelecidas, as linhagens modificadas foram expostas \u00e0 radia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cQuando irradiamos as c\u00e9lulas tumorais modificadas elas perdem a capacidade de gerar tumor, mas ainda servem para estimular o sistema imune\u201d, explicou.<\/p>\n<p>A ideia, com o tratamento, \u00e9 fazer com que os linf\u00f3citos T \u2013 c\u00e9lulas de defesa que coordenam a resposta antitumoral \u2013 passem a enxergar as c\u00e9lulas cancerosas como inimigos a serem combatidos.<\/p>\n<p>De acordo com Bajgelman, dados da literatura cient\u00edfica indicam que portadores de c\u00e2ncer costumam apresentar concentra\u00e7\u00f5es elevadas de um tipo de linf\u00f3cito conhecido como c\u00e9lula T regulat\u00f3ria (Treg), cujo papel \u00e9 inibir a prolifera\u00e7\u00e3o de outros tipos de linf\u00f3citos que poderiam atacar as c\u00e9lulas tumorais.<\/p>\n<p>Em uma situa\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica, as c\u00e9lulas Treg t\u00eam a importante miss\u00e3o de trazer equil\u00edbrio ao sistema imune, para que tecidos do organismo n\u00e3o sejam atacados desnecessariamente. Mas, em portadores de c\u00e2ncer, disse Bajgelman, elas podem ajudar a proteger o tumor.<\/p>\n<p>\u201cOs ligantes 4-1BB e OX40L podem interagir com receptores existentes na superf\u00edcie da c\u00e9lula T fazendo com que sua ativa\u00e7\u00e3o seja potencializada. Nossa estrat\u00e9gia foi gerar vacinas que secretam esses ligantes e combinar com a GVAX, que secreta GM-CSF\u201d, disse Bajgelman.<\/p>\n<p>A combina\u00e7\u00e3o, explicou o pesquisador, permite estimular duas etapas do ciclo imunol\u00f3gico antitumoral: ativa a c\u00e9lula dendr\u00edtica, que \u00e9 respons\u00e1vel por \u201capresentar\u201d ao linf\u00f3cito T os ant\u00edgenos do tumor, e coestimula as c\u00e9lulas T, impedindo que assumam o fen\u00f3tipo imunossupressor.<\/p>\n<p>Primeiros testes<\/p>\n<p>Diferentes combina\u00e7\u00f5es das tr\u00eas linhagens tumorais modificadas foram testadas no LNBio, em experimentos com camundongos. Tumores foram induzidos por meio de inje\u00e7\u00f5es subcut\u00e2neas de c\u00e9lulas de melanoma na lateral do corpo.<\/p>\n<p>\u201cCerca de dois dias depois de induzir o tumor iniciamos o tratamento com as vacinas. Foram tr\u00eas doses, com intervalos de dois dias cada\u201d, contou o pesquisador.<\/p>\n<p>\u201cTestamos as tr\u00eas linhagens de maneira isolada e todas elas conseguiram reduzir o crescimento do tumor em compara\u00e7\u00e3o ao controle [animais que receberam apenas as c\u00e9lulas tumorais n\u00e3o modificadas]. Em um segundo ensaio, testamos combina\u00e7\u00f5es de duas linhagens e o tumor cresceu bem menos do que com a monoterapia. Em alguns casos, o tumor foi totalmente suprimido\u201d, contou Bajgelman.<\/p>\n<p>J\u00e1 a combina\u00e7\u00e3o das tr\u00eas linhagens modificadas combinadas em um \u00fanico tratamento apresentou bom resultado em ensaios\u00a0in vitro, mas n\u00e3o teve o desempenho esperado nos testes com animais.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 haviam sido descritos na literatura cient\u00edfica ensaios com esses imunomoduladores feitos de maneira isolada. N\u00f3s testamos, pela primeira vez, as diferentes combina\u00e7\u00f5es de linhagens imunomodulat\u00f3rias\u201d, disse o pesquisador.<\/p>\n<p>Em outro experimento, os animais que j\u00e1 haviam sido tratados com as combina\u00e7\u00f5es vacinais que impediram o crescimento do tumor foram novamente \u201cdesafiados\u201d \u2013 30 dias depois \u2013 com uma nova inje\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas tumorais n\u00e3o modificadas, com potencial de formar tumores.<\/p>\n<p>\u201cOs animais que n\u00e3o desenvolveram tumor no primeiro protocolo tamb\u00e9m n\u00e3o desenvolveram nesse segundo desafio. Parece que o organismo criou uma mem\u00f3ria imunol\u00f3gica e foi capaz de eliminar as c\u00e9lulas assim que foram injetadas. Os roedores foram acompanhados por mais de um ano e n\u00e3o manifestaram a doen\u00e7a\u201d, disse Bajgelman.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do cientista, esse tipo de estrat\u00e9gia poderia ser usado em sinergia com outros tratamentos, como a remo\u00e7\u00e3o cir\u00fargica do tumor e a quimioterapia.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 raro sobrarem algumas c\u00e9lulas tumorais no organismo ap\u00f3s o tratamento convencional. A imunoterapia poderia proteger o paciente contra recidivas.\u201d<\/p>\n<p>Os resultados dos testes com camundongos foram divulgados em artigo publicado na revista\u00a0.<\/p>\n<p>O grupo do LNBio pretende agora criar linhagens tumorais modificadas a partir de c\u00e9lulas humanas e iniciar os primeiros ensaios\u00a0in vitro.<\/p>\n<p>\u201cPara isso estamos gerando os v\u00edrus recombinantes com genes humanos. A ideia \u00e9 usar os mesmos imunomoduladores testados em camundongos\u201d, contou Bajgelman.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Ao combinar diferentes linhagens de c\u00e9lulas tumorais geneticamente modificadas, cientistas de Campinas (SP) conseguiram resultados promissores no tratamento de tumores em camundongos. O objetivo da pesquisa,\u00a0, \u00e9 desenvolver uma vacina capaz de estimular o sistema imune a combater o c\u00e2ncer. 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