{"id":137482,"date":"2018-03-20T00:05:00","date_gmt":"2018-03-20T03:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=137482"},"modified":"2018-03-19T20:53:56","modified_gmt":"2018-03-19T23:53:56","slug":"america-latina-precisa-capacitar-sua-forca-de-trabalho-para-a-industria-4-0","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/america-latina-precisa-capacitar-sua-forca-de-trabalho-para-a-industria-4-0\/137482","title":{"rendered":"Am\u00e9rica Latina precisa capacitar sua for\u00e7a de trabalho para a ind\u00fastria 4.0"},"content":{"rendered":"<p> Elton Alisson\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 O aumento do n\u00edvel de <strong><em>automa\u00e7\u00e3o na ind\u00fastria<\/em><\/strong> mundial tem reduzido o incentivo para empresas multinacionais terceirizarem sua produ\u00e7\u00e3o para economias emergentes, como China, Brasil e outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, onde essas corpora\u00e7\u00f5es tradicionalmente instalavam suas f\u00e1bricas por disporem de m\u00e3o de obra barata.<\/p>\n<p>A fim de se preparar para essa nova realidade, em que a m\u00e3o de obra ser\u00e1 menos intensiva e as tarefas nas ind\u00fastrias ser\u00e3o mais relacionadas ao controle do que \u00e0 execu\u00e7\u00e3o de processos, os pa\u00edses latino-americanos devem investir fortemente na capacita\u00e7\u00e3o de sua for\u00e7a de trabalho a fim de dot\u00e1-la de novas habilidades requeridas na economia p\u00f3s-manufatura. E, al\u00e9m disso, incentivar as novas gera\u00e7\u00f5es a ingressarem em carreiras relacionadas \u00e0 ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o foi feita por participantes de debates sobre os impactos da quarta revolu\u00e7\u00e3o industrial durante o F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial na Am\u00e9rica Latina, realizado na semana passada em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso dotar as atuais e futuras gera\u00e7\u00f5es de trabalhadores na Am\u00e9rica Latina de habilidades sociais, como intelig\u00eancia emocional e capacidade de racioc\u00ednio l\u00f3gico para solucionar problemas, entre outras, que n\u00e3o s\u00e3o encontradas em livros did\u00e1ticos\u201d, disse Angel Melguizo, economista-chefe da unidade da Am\u00e9rica Latina e do Caribe da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE). \u201cAs empresas n\u00e3o est\u00e3o conseguindo encontrar essas habilidades nos trabalhadores na regi\u00e3o hoje.\u201d<\/p>\n<p>Um estudo realizado pela institui\u00e7\u00e3o, em parceria com o Manpower Group Latin America, apontou que mais de 50% das empresas estabelecidas na Am\u00e9rica Latina n\u00e3o conseguem encontrar candidatos com as habilidades sociais de que precisam \u2013 como de comunica\u00e7\u00e3o, an\u00e1lise e pensamento cr\u00edtico \u2013 em compara\u00e7\u00e3o com 36% das empresas nos pa\u00edses da OCDE.<\/p>\n<p>Esse problema \u00e9 mais agudo no Peru, Brasil e M\u00e9xico e afeta principalmente os setores considerados fundamentais para atualizar e diversificar a economia latino-americana, como o de produ\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos motorizados, de m\u00e1quinas avan\u00e7adas e o de servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que a Am\u00e9rica Latina apresenta a maior escassez de compet\u00eancias no mundo na economia formal, dois em cada cinco jovens n\u00e3o estudam nem trabalham e 55% dos trabalhadores da regi\u00e3o trabalham na economia informal, aponta o estudo.<\/p>\n<p>\u201cEssa falta de um conjunto adequado de trabalhadores qualificados na Am\u00e9rica Latina e o grande n\u00famero de pessoas sem emprego formal e em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade econ\u00f4mica t\u00eam dificultado a supera\u00e7\u00e3o da armadilha da renda m\u00e9dia na regi\u00e3o\u201d, disse Melguizo.<\/p>\n<p>O economista argentino se refere ao fen\u00f4meno em que um pa\u00eds emergente, ap\u00f3s atingir um n\u00edvel de renda m\u00e9dia, n\u00e3o consegue sustentar sua trajet\u00f3ria de crescimento econ\u00f4mico de modo que sua popula\u00e7\u00e3o consiga alcan\u00e7ar n\u00edveis mais elevados de renda.<\/p>\n<p>\u201cIsso contrasta com o que aconteceu com a maioria das economias europeias e asi\u00e1ticas, que se tornaram economias de alta renda per capita e sa\u00edram da armadilha da renda m\u00e9dia ao investir na qualidade da educa\u00e7\u00e3o, no desenvolvimento de habilidades de seus trabalhadores e de um ambiente amig\u00e1vel \u00e0 inova\u00e7\u00e3o. Vimos isso em Portugal, Irlanda e Coreia do Sul, por exemplo\u201d, disse Melguizo.<\/p>\n<p>Curr\u00edculos inovadores<\/p>\n<p>Para dar o mesmo salto dos pa\u00edses europeus e asi\u00e1ticos, as na\u00e7\u00f5es latino-americanas precisar\u00e3o promover reformas em seus curr\u00edculos educacionais e criar programas de aprimoramento que conjuguem treinamento t\u00e9cnico com o desenvolvimento de habilidades fundamentais, como capacidade de racioc\u00ednio l\u00f3gico e de coopera\u00e7\u00e3o, apontaram os especialistas.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso que as linguagens de programa\u00e7\u00e3o, por exemplo, fa\u00e7am parte do curr\u00edculo escolar, de modo a preparar crian\u00e7as, jovens e professores para um mundo cada vez mais digital\u201d, disse Jennifer Artley, presidente para as Am\u00e9ricas da BT Group \u2013 empresa de telecomunica\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica com opera\u00e7\u00f5es em mais de 170 pa\u00edses.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses latino-americanos s\u00e3o \u00e1vidos consumidores de novas tecnologias. O Brasil, por exemplo, \u00e9 a terceira maior plataforma de usu\u00e1rios do Facebook e um dos maiores usu\u00e1rios do aplicativo de tr\u00e2nsito Waze, desenvolvido em Israel e comprado pelo Google, em 2013. Mas o pa\u00eds e seus vizinhos precisam transformar esse interesse em iniciativas para gerar maior inova\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o, avaliaram os participantes dos debates.<\/p>\n<p>Para aumentar o n\u00edvel de inova\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o, na avalia\u00e7\u00e3o deles, ser\u00e1 preciso aumentar o acesso de jovens \u00e0 universidade na Am\u00e9rica Latina em cursos relacionados principalmente \u00e0 ci\u00eancia, rob\u00f3tica, engenharia, matem\u00e1tica, artes e design, entre outros.<\/p>\n<p>\u201cCi\u00eancia e tecnologia s\u00e3o fundamentais para impulsionar a inova\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses latino-americanos. Podemos continuar produzindo nossas\u00a0commodities. Mas \u00e9 preciso usar parte dos dividendos da exporta\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas para investir em ci\u00eancia e tecnologia. Na Col\u00f4mbia, por exemplo, 10% dos\u00a0royalties\u00a0do petr\u00f3leo s\u00e3o destinados para ci\u00eancia e tecnologia\u201d, disse Mauricio C\u00e1rdenas, ministro de Finan\u00e7as da Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>A depend\u00eancia de muitos pa\u00edses latino-americanos em\u00a0commodities, ali\u00e1s, n\u00e3o \u00e9 incompat\u00edvel com o desafio da regi\u00e3o de diversificar suas economias e ingressar na era p\u00f3s-manufatura. Ao contr\u00e1rio: pode ser um gatilho para a regi\u00e3o desenvolver novos servi\u00e7os ligados a esse setor, segundo Melguizo.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 poss\u00edvel agregar valores e desenvolver servi\u00e7os relacionados \u00e0s\u00a0commodities. O Chile tem feito isso no setor de minera\u00e7\u00e3o e o Uruguai tamb\u00e9m no setor de alimentos\u201d, disse Melguizo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elton Alisson\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 O aumento do n\u00edvel de automa\u00e7\u00e3o na ind\u00fastria mundial tem reduzido o incentivo para empresas multinacionais terceirizarem sua produ\u00e7\u00e3o para economias emergentes, como China, Brasil e outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, onde essas corpora\u00e7\u00f5es tradicionalmente instalavam suas f\u00e1bricas por disporem de m\u00e3o de obra barata. A fim de se preparar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":36246,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[22,7],"tags":[],"class_list":{"0":"post-137482","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"category-economia","9":"entry","10":"gs-1","11":"gs-odd","12":"gs-even","13":"gs-featured-content-entry"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/professor-a.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/137482","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=137482"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/137482\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/36246"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=137482"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=137482"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=137482"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}