{"id":136929,"date":"2018-03-12T00:37:24","date_gmt":"2018-03-12T03:37:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=136929"},"modified":"2018-03-11T21:04:16","modified_gmt":"2018-03-12T00:04:16","slug":"teste-detecta-infeccao-anterior-pelo-virus-zika","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/teste-detecta-infeccao-anterior-pelo-virus-zika\/136929","title":{"rendered":"Teste detecta infec\u00e7\u00e3o anterior pelo v\u00edrus Zika"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Um teste capaz de detectar em amostras de soro sangu\u00edneo anticorpos contra o <strong><em>v\u00edrus Zika<\/em><\/strong> com alta especificidade \u2013 e, portanto, baixo risco de rea\u00e7\u00e3o cruzada com microrganismos aparentados, como o causador da dengue \u2013 deve chegar ao mercado brasileiro ainda em 2018.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo foi desenvolvido no\u00a0\u00a0do Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) pela empresa Inovatech em colabora\u00e7\u00e3o com pesquisadores do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas da Universidade de S\u00e3o Paulo (ICB-USP) e do Instituto Butantan.<\/p>\n<p>\u201cEst\u00e1 em fase final de desenvolvimento o teste sorol\u00f3gico para detec\u00e7\u00e3o de anticorpos do tipo IgG [imunoglobulina G] \u2013 aqueles que permanecem no organismo durante muitos anos ap\u00f3s a infec\u00e7\u00e3o, conferindo imunidade vital\u00edcia. Nossa expectativa \u00e9 que seja liberado para venda no segundo semestre deste ano\u201d, disse Danielle Bruna Leal de Oliveira, pesquisadora do Laborat\u00f3rio de Virologia Cl\u00ednica e Molecular do ICB-USP e coordenadora do projeto.<\/p>\n<p>Desde que foi criada a Rede de Pesquisa sobre Zika V\u00edrus em S\u00e3o Paulo (Rede Zika), em 2016, esse tipo de m\u00e9todo diagn\u00f3stico tem sido apontado como uma das prioridades na \u00e1rea.<\/p>\n<p>Tal ferramenta, segundo os cientistas, \u00e9 essencial para responder a v\u00e1rias quest\u00f5es estrat\u00e9gicas a qualquer plano de a\u00e7\u00e3o contra a doen\u00e7a: qual \u00e9 exatamente o tamanho da epidemia (discriminando casos de dengue e Zika com mais precis\u00e3o, tanto dos surtos atuais como passados)? Qual \u00e9 a porcentagem de gestantes no grupo de infectados (j\u00e1 imunes)? E, entre as mulheres, quantas correm risco de dar \u00e0 luz a beb\u00eas com problemas neurol\u00f3gicos decorrentes da infec\u00e7\u00e3o cong\u00eanita?<\/p>\n<p>\u201cA ideia \u00e9 colocar esse teste no rol dos exames de pr\u00e9-natal. Desse modo, as gestantes cujo resultado for negativo [nunca foram infectadas] passam a tomar mais precau\u00e7\u00f5es, como evitar viajar para \u00e1reas de risco e usar repelente. J\u00e1 as que est\u00e3o imunes podem ficar tranquilas\u201d, disse Oliveira.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, os exames para diagn\u00f3stico atualmente dispon\u00edveis ou s\u00f3 funcionam na fase aguda da infec\u00e7\u00e3o \u2013 caso dos m\u00e9todos moleculares (PCR em tempo real) e cromatogr\u00e1ficos que detectam part\u00edculas virais circulantes no organismo \u2013 ou detectam anticorpos contra o Zika com baixa especificidade.<\/p>\n<p>\u201cOs testes sorol\u00f3gicos hoje no mercado t\u00eam especificidade entre 69% e 75%, ou seja, h\u00e1 pelo menos 25% de chance de o resultado ser falso positivo caso o paciente j\u00e1 tenha sido infectado pelo v\u00edrus da dengue no passado. J\u00e1 o nosso teste tem especificidade de 93% para o Zika\u201d, disse Oliveira.<\/p>\n<p>Assim como seus predecessores, o teste da Inovatech \u00e9 baseado em uma metodologia conhecida como ELISA (ensaio de imunoabsor\u00e7\u00e3o enzim\u00e1tica, na sigla em ingl\u00eas). A plataforma \u00e9 composta por uma placa com 96 pequenos po\u00e7os nos quais fica aderida uma prote\u00edna viral capaz de ser reconhecida pelo sistema imune humano.<\/p>\n<p>Os po\u00e7os s\u00e3o preenchidos com soro sangu\u00edneo de at\u00e9 94 pacientes simultaneamente \u2013 outros dois s\u00e3o usados como controle. Nos casos em que houve contato pr\u00e9vio com o Zika, os anticorpos IgG ficam aderidos \u00e0 prote\u00edna viral \u2013 o que \u00e9 posteriormente detectado por ensaios colorim\u00e9tricos (as amostras positivas e negativas adquirem colora\u00e7\u00f5es diferentes).<\/p>\n<p>\u201cUma das dificuldades associadas ao m\u00e9todo \u00e9 que a prote\u00edna viral comumente usada \u2013 a NS1 \u2013 \u00e9 muito parecida em todos os flaviv\u00edrus [fam\u00edlia que inclui dengue, Zika e febre amarela, entre outros]. Para resolver o problema, n\u00f3s usamos uma vers\u00e3o editada da prote\u00edna, ou seja, foi selecionado apenas o trecho da mol\u00e9cula que \u00e9 mais espec\u00edfico para o Zika\u201d, explicou Oliveira. Essa vers\u00e3o \u201ctruncada\u201d da NS1 (?NS1) foi desenvolvida pela equipe do professor do ICB-USP\u00a0.<\/p>\n<p>Para reduzir ainda mais o risco de rea\u00e7\u00e3o cruzada com o v\u00edrus da dengue, os pesquisadores da Inovatech acrescentaram uma etapa adicional ao ensaio. Antes de ser colocado na placa de ELISA em contato com a ?NS1, o soro sangu\u00edneo dos pacientes \u00e9 exposto a prote\u00ednas do v\u00edrus da dengue com o objetivo de extrair das amostras todos os anticorpos existentes contra esse pat\u00f3geno.<\/p>\n<p>\u201cA desvantagem \u00e9 que isso faz o resultado demorar um pouco mais: cerca de tr\u00eas horas, contra duas horas e vinte minutos do ELISA convencional. Mas estamos trabalhando para baixar esse tempo. A meta \u00e9 que seja ainda menor que o do m\u00e9todo padr\u00e3o, pois o objetivo \u00e9 usar na triagem de pacientes em hospitais\u201d, disse Oliveira.<\/p>\n<p>Baixo custo<\/p>\n<p>Selecionado em uma chamada de propostas (http:\/\/fapesp.br\/10050) lan\u00e7ada em 2016, no \u00e2mbito de um acordo entre a FAPESP e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o projeto coordenado por Oliveira prev\u00ea a cria\u00e7\u00e3o de um teste sorol\u00f3gico r\u00e1pido e de baixo custo capaz de detectar tanto o anticorpo IgG como o IgM (imunoglobulina M), que permanece no organismo por at\u00e9 quatro meses ap\u00f3s o t\u00e9rmino da infec\u00e7\u00e3o pelo Zika, aproximadamente.<\/p>\n<p>\u201cAo longo de 2017 focamos no IgG e, este ano, vamos nos dedicar a desenvolver metodologia para detec\u00e7\u00e3o do IgM\u201d, contou a pesquisadora.<\/p>\n<p>Os trabalhos contam com a colabora\u00e7\u00e3o do pesquisador do ICB-USP\u00a0, Luiz Carlos Ferreira e das pesquisadoras do Instituto Butantan\u00a0\u00a0e\u00a0.<\/p>\n<p>Embora ainda seja necess\u00e1rio reduzir o tempo de realiza\u00e7\u00e3o do exame j\u00e1 desenvolvido, o quesito \u201cbaixo custo\u201d j\u00e1 foi cumprido. Oliveira estima que o pre\u00e7o de custo do ensaio para detec\u00e7\u00e3o do IgG seja em torno de R$ 10 a R$ 12 por paciente.<\/p>\n<p>A Inovatech tamb\u00e9m j\u00e1 conseguiu cumprir outra importante etapa para conseguir colocar seu produto no mercado: obter o certificado de Boas Pr\u00e1ticas de Fabrica\u00e7\u00e3o (BPF) fornecido pela Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa). Os primeiros lotes para uso experimental j\u00e1 est\u00e3o sendo produzidos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Um teste capaz de detectar em amostras de soro sangu\u00edneo anticorpos contra o v\u00edrus Zika com alta especificidade \u2013 e, portanto, baixo risco de rea\u00e7\u00e3o cruzada com microrganismos aparentados, como o causador da dengue \u2013 deve chegar ao mercado brasileiro ainda em 2018. 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