{"id":135564,"date":"2018-02-21T20:25:57","date_gmt":"2018-02-21T23:25:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=135564"},"modified":"2018-02-21T20:25:57","modified_gmt":"2018-02-21T23:25:57","slug":"desmatamento-na-amazonia-esta-prestes-a-atingir-limite-irreversivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/desmatamento-na-amazonia-esta-prestes-a-atingir-limite-irreversivel\/135564","title":{"rendered":"Desmatamento na Amaz\u00f4nia est\u00e1 prestes a atingir limite irrevers\u00edvel"},"content":{"rendered":"<p> Elton Alisson\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 O <strong><em>desmatamento da Amaz\u00f4nia<\/em><\/strong> est\u00e1 prestes a atingir um determinado limite a partir do qual regi\u00f5es da floresta tropical podem passar por mudan\u00e7as irrevers\u00edveis, em que suas paisagens podem se tornar semelhantes \u00e0s de cerrado, mas degradadas, com vegeta\u00e7\u00e3o rala e esparsa e baixa biodiversidade.<\/p>\n<p>O alerta foi feito em um editorial publicado nesta quarta-feira (21\/02) na revista\u00a0. O artigo \u00e9 assinado por Thomas Lovejoy, professor da George Mason University, nos Estados Unidos, e Carlos Nobre, coordenador do\u00a0\u00a0\u2013 um dos INCTs apoiados pela FAPESP no Estado de S\u00e3o Paulo em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq) \u2013 e pesquisador aposentado do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).<\/p>\n<p>\u201cO sistema amaz\u00f4nico est\u00e1 prestes a atingir um ponto de inflex\u00e3o\u201d, disse Lovejoy \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP. De acordo com os autores, desde a d\u00e9cada de 1970, quando estudos realizados pelo professor\u00a0\u00a0demonstraram que a Amaz\u00f4nia gera aproximadamente metade de suas pr\u00f3prias chuvas, levantou-se a quest\u00e3o de qual seria o n\u00edvel de desmatamento a partir do qual o ciclo hidrol\u00f3gico amaz\u00f4nico se degradaria ao ponto de n\u00e3o poder apoiar mais a exist\u00eancia dos ecossistemas da floresta tropical.<\/p>\n<p>Os primeiros modelos elaborados para responder a essa quest\u00e3o mostraram que esse ponto de inflex\u00e3o seria atingido se o desmatamento da floresta amaz\u00f4nica atingisse 40%. Nesse cen\u00e1rio, as regi\u00f5es Central, Sul e Leste da Amaz\u00f4nia passariam a registrar menos chuvas e ter esta\u00e7\u00e3o seca mais longa. Al\u00e9m disso, a vegeta\u00e7\u00e3o das regi\u00f5es Sul e Leste poderiam se tornar semelhantes \u00e0 de savanas.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, outros fatores al\u00e9m do desmatamento come\u00e7aram a impactar o ciclo hidrol\u00f3gico amaz\u00f4nico, como as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e o uso indiscriminado do fogo por agropecuaristas durante per\u00edodos secos \u2013 com o objetivo de eliminar \u00e1rvores derrubadas e limpar \u00e1reas para transform\u00e1-las em lavouras ou pastagens.<\/p>\n<p>A combina\u00e7\u00e3o desses tr\u00eas fatores indica que o novo ponto de inflex\u00e3o a partir do qual ecossistemas na Amaz\u00f4nia oriental, Sul e Central podem deixar de ser floresta seria atingido se o desmatamento alcan\u00e7ar entre 20% e 25% da floresta original, ressaltam os pesquisadores.<\/p>\n<p>O c\u00e1lculo \u00e9 derivado de um estudo realizado por Nobre e outros pesquisadores do Inpe, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), publicado em 2016 na revista\u00a0.<\/p>\n<p>\u201cApesar de n\u00e3o sabermos o ponto de inflex\u00e3o exato, estimamos que a Amaz\u00f4nia est\u00e1 muito pr\u00f3xima de atingir esse limite irrevers\u00edvel. A Amaz\u00f4nia j\u00e1 tem 20% de \u00e1rea desmatada, equivalente a 1 milh\u00e3o de quil\u00f4metros quadrados, ainda que 15% dessa \u00e1rea\u00a0[150 mil km2]\u00a0esteja em recupera\u00e7\u00e3o\u201d, ressaltou Nobre.<\/p>\n<p>Margem de seguran\u00e7a<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores, as megassecas registradas na Amaz\u00f4nia em 2005, 2010 e entre 2015 e 2016, podem ser os primeiros ind\u00edcios de que esse ponto de inflex\u00e3o est\u00e1 pr\u00f3ximo de ser atingido.<\/p>\n<p>Esses eventos, juntamente com as inunda\u00e7\u00f5es severas na regi\u00e3o em 2009, 2012 e 2014, sugerem que todo o sistema amaz\u00f4nico est\u00e1 oscilando. \u201cA a\u00e7\u00e3o humana potencializa essas perturba\u00e7\u00f5es que temos observados no ciclo hidrol\u00f3gico da Amaz\u00f4nia\u201d, disse Nobre.<\/p>\n<p>\u201cSe n\u00e3o tivesse atividade humana na Amaz\u00f4nia, uma megasseca causaria a perda de um determinado n\u00famero de \u00e1rvores, que voltariam a crescer em um ano que chove muito e, dessa forma, a floresta atingiria o equil\u00edbrio. Mas quando se tem uma megasseca combinada com o uso generalizado do fogo, a capacidade de regenera\u00e7\u00e3o da floresta diminui\u201d, explicou o pesquisador.<\/p>\n<p>A fim de evitar que a Amaz\u00f4nia atinja um limite irrevers\u00edvel, os pesquisadores sugerem a necessidade de n\u00e3o apenar controlar o desmatamento da regi\u00e3o, mas tamb\u00e9m construir uma margem de seguran\u00e7a ao reduzir a \u00e1rea desmatada para menos de 20%.<\/p>\n<p>Para isso, na avalia\u00e7\u00e3o de Nobre, ser\u00e1 preciso zerar o desmatamento na Amaz\u00f4nia e o Brasil cumprir o compromisso assumido no Acordo Clim\u00e1tico de Paris, em 2015, de reflorestar 12 milh\u00f5es de hectares de \u00e1reas desmatadas no pa\u00eds, das quais 50 mil km2 s\u00e3o da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>\u201cSe for zerado o desmatamento na Amaz\u00f4nia e o Brasil cumprir seu compromisso de reflorestamento, em 2030 as \u00e1reas totalmente desmatadas na Amaz\u00f4nia estariam em torno de 16% a 17%\u201d, calculou Nobre.<\/p>\n<p>\u201cDessa forma, estar\u00edamos no limite, mas ainda seguro, para que o desmatamento, por si s\u00f3, n\u00e3o fa\u00e7a com que o bioma atinja um ponto irrevers\u00edvel\u201d, disse<\/p>\n<p>O editorial\u00a0Amazon tipping point\u00a0(doi: 10.1126\/sciadv.aat2340), assinado por Thomas Lovejoy e Carlos Nobre, pode ser lido na revista\u00a0Science Advances\u00a0em\u00a0.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0Land-use and climate change risks in the Amazon and the need of a novel sustainable development paradigm\u00a0(doi: 10.1073\/pnas.1605516113), de Carlos Nobre, Gilvan Sampaio, Laura Borma, Juan Carlos Castilla-Rubio, Jos\u00e9 Silva e Manoel Cardoso, pode ser lido na revista\u00a0PNAS\u00a0em\u00a0.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elton Alisson\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 O desmatamento da Amaz\u00f4nia est\u00e1 prestes a atingir um determinado limite a partir do qual regi\u00f5es da floresta tropical podem passar por mudan\u00e7as irrevers\u00edveis, em que suas paisagens podem se tornar semelhantes \u00e0s de cerrado, mas degradadas, com vegeta\u00e7\u00e3o rala e esparsa e baixa biodiversidade. 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