{"id":133397,"date":"2018-02-02T00:06:28","date_gmt":"2018-02-02T02:06:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=133397"},"modified":"2018-02-01T16:15:59","modified_gmt":"2018-02-01T18:15:59","slug":"desmatamento-pode-intensificar-o-processo-de-aquecimento-global","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/desmatamento-pode-intensificar-o-processo-de-aquecimento-global\/133397","title":{"rendered":"Desmatamento pode intensificar o processo de aquecimento global"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 O processo de <em><strong>aquecimento global<\/strong><\/em> pode ocorrer de forma ainda mais intensa do que o previsto originalmente caso n\u00e3o se consiga frear o desmatamento \u2013 particularmente nas regi\u00f5es tropicais do planeta. O alerta foi publicado na\u00a0\u00a0por um grupo internacional de cientistas. Entre os autores do texto est\u00e3o os brasileiros\u00a0, professor do Instituto de F\u00edsica da Universidade de S\u00e3o Paulo (IFUSP), e\u00a0, professora do Instituto de Ci\u00eancias Ambientais, Qu\u00edmicas e Farmac\u00eauticas da Unifesp.<\/p>\n<p>\u201cSe continuarmos destruindo as florestas no ritmo atual \u2013 cerca de 7 mil km2 por ano no caso da Amaz\u00f4nia \u2013, daqui a tr\u00eas ou quatro d\u00e9cadas teremos uma grande perda acumulada. E isso vai intensificar o processo de aquecimento do planeta independentemente do esfor\u00e7o feito para reduzir as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa\u201d, disse Artaxo \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>As conclus\u00f5es do estudo se baseiam em trabalhos de modelagem computacional e medidas coletadas em florestas sob a coordena\u00e7\u00e3o de Catherine Scott, pesquisadora na Universidade de Leeds, no Reino Unido.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s anos coletando informa\u00e7\u00f5es sobre o funcionamento das florestas tropicais e temperadas, os gases emitidos pela vegeta\u00e7\u00e3o e seus impactos na regula\u00e7\u00e3o do clima, o grupo foi capaz de reproduzir matematicamente as condi\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas atuais do planeta, incluindo concentra\u00e7\u00f5es de aeross\u00f3is, compostos org\u00e2nicos vol\u00e1teis (VOCs, na sigla em ingl\u00eas) antropog\u00eanicos e biog\u00eanicos, oz\u00f4nio, di\u00f3xido de carbono, metano e tamb\u00e9m os demais fatores que influenciam na temperatura global \u2013 entre eles o chamado albedo de superf\u00edcie (a fra\u00e7\u00e3o da radia\u00e7\u00e3o solar refletida de volta para o espa\u00e7o em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 fra\u00e7\u00e3o absorvida, que muda de acordo com o tipo de cobertura da superf\u00edcie).<\/p>\n<p>Foi usado no estudo um\u00a0\u00a0da atmosfera desenvolvido no Met Office, ag\u00eancia nacional de meteorologia do Reino Unido.<\/p>\n<p>\u201cDepois que conseguimos regular o modelo para reproduzir as condi\u00e7\u00f5es atuais da atmosfera terrestre e o aumento da temperatura do planeta ocorrido desde 1850, fizemos uma simula\u00e7\u00e3o em que o mesmo cen\u00e1rio era mantido, mas todas as florestas eram eliminadas. O resultado foi uma eleva\u00e7\u00e3o significativa de 0,8 \u00baC na temperatura m\u00e9dia. Ou seja, hoje o planeta estaria em m\u00e9dia quase 1 \u00baC mais quente se n\u00e3o houvesse mais florestas\u201d, comentou Artaxo.<\/p>\n<p>Os estudos revelaram ainda que a diferen\u00e7a observada nas simula\u00e7\u00f5es se deve principalmente \u00e0s emiss\u00f5es de BVOCs (compostos org\u00e2nicos vol\u00e1teis biog\u00eanicos) pelas florestas tropicais.<\/p>\n<p>\u201cAo serem oxidados, os BVOCs d\u00e3o origem a part\u00edculas de aerossol que esfriam o clima refletindo parte da radia\u00e7\u00e3o solar de volta ao espa\u00e7o. Uma vez que a floresta \u00e9 derrubada, ela deixa de emitir BVOCs e este resfriamento deixa de existir, levando a um aquecimento futuro. Este efeito n\u00e3o estava sendo levado em conta em modelagens anteriores\u201d, comentou Artaxo.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, as florestas temperadas produzem VOCs diferentes e com menor capacidade de dar origem a essas part\u00edculas esfriadoras.<\/p>\n<p>Coleta de dados<\/p>\n<p>Como destacado no artigo, atualmente a vegeta\u00e7\u00e3o cobre um ter\u00e7o da \u00e1rea continental do planeta \u2013 fra\u00e7\u00e3o bem menor do que a existente antes da interven\u00e7\u00e3o humana. Grandes \u00e1reas florestais na Europa, \u00c1sia, \u00c1frica e Am\u00e9rica j\u00e1 foram derrubadas.<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es sobre o funcionamento das florestas tropicais come\u00e7aram a ser coletadas em 2009 na Amaz\u00f4nia, sob a coordena\u00e7\u00e3o de Artaxo, no \u00e2mbito de dois Projetos Tem\u00e1ticos apoiados pela FAPESP:\u00a0\u00a0e\u00a0.<\/p>\n<p>Os dados sobre as florestas temperadas foram obtidos na Su\u00e9cia, na Finl\u00e2ndia e na R\u00fassia, sob a coordena\u00e7\u00e3o de Erik Swietlicki, da Universidade de Lund (Su\u00e9cia).<\/p>\n<p>\u201cVale ressaltar que n\u00e3o tratamos neste artigo do impacto direto e imediato das queimadas, como a emiss\u00e3o do carbono negro [considerada um fator importante no aquecimento global devido \u00e0 alta capacidade dessa part\u00edcula de absorver a radia\u00e7\u00e3o solar]. Ele existe, mas dura somente algumas semanas. Estamos olhando para efeitos de longo prazo na varia\u00e7\u00e3o da temperatura\u201d, afirmou Artaxo.<\/p>\n<p>Segundo o professor do IFUSP, o desmatamento altera em definitivo a quantidade de aeross\u00f3is e de oz\u00f4nio na atmosfera do planeta, o que muda todo o balan\u00e7o radiativo da atmosfera.<\/p>\n<p>\u201cA partir deste estudo aumentou a import\u00e2ncia relativa de se manter a floresta em p\u00e9. N\u00e3o s\u00f3 \u00e9 urgente parar a destrui\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m pensar em pol\u00edticas de reflorestamento em larga escala, principalmente em regi\u00f5es tropicais. Caso contr\u00e1rio, pouco vai adiantar o esfor\u00e7o para reduzir as emiss\u00f5es de gases estufa provenientes da queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis\u201d, disse Artaxo.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0Impact on short-lived climate forcers increases projected warming due to deforestation\u00a0(doi:10.1038\/s41467-017-02412-4), de C. E. Scott, S. A. Monks, D. V. Spracklen, S. R. Arnold, P. M. Forster, A. Rap, M. \u00c4ij\u00e4l\u00e4, P. Artaxo, K. S. Carslaw, M. P. Chipperfield, M. Ehn, S. Gilardoni, L. Heikkinen, M. Kulmala, T. Pet\u00e4j\u00e4, C. L. S. Reddington, L. V. Rizzo, E. Swietlicki, E. Vignati e C. Wilson, pode ser lido em:\u00a0.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 O processo de aquecimento global pode ocorrer de forma ainda mais intensa do que o previsto originalmente caso n\u00e3o se consiga frear o desmatamento \u2013 particularmente nas regi\u00f5es tropicais do planeta. O alerta foi publicado na\u00a0\u00a0por um grupo internacional de cientistas. Entre os autores do texto est\u00e3o os brasileiros\u00a0, professor [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":28409,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":{"0":"post-133397","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"entry","9":"gs-1","10":"gs-odd","11":"gs-even","12":"gs-featured-content-entry"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/previsao-do-tempo-e-temperatura.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/133397","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=133397"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/133397\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28409"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=133397"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=133397"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=133397"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}