{"id":130566,"date":"2018-01-04T00:05:00","date_gmt":"2018-01-04T02:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=130566"},"modified":"2018-01-03T21:23:43","modified_gmt":"2018-01-03T23:23:43","slug":"aplicativo-avisa-sobre-chuva-ou-tempestade-no-local-onde-esta-o-usuario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/aplicativo-avisa-sobre-chuva-ou-tempestade-no-local-onde-esta-o-usuario\/130566","title":{"rendered":"Aplicativo avisa sobre chuva ou tempestade no local onde est\u00e1 o usu\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p> Maria Fernanda Ziegler\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Com a chegada do ver\u00e3o inicia-se tamb\u00e9m a temporada de chuvas na regi\u00e3o Sudeste. A diferen\u00e7a \u00e9 que este ano o <strong><em>aplicativo SOS Chuva<\/em><\/strong> poder\u00e1 informar \u00e0 popula\u00e7\u00e3o sobre a possibilidade de chuva ou de tempestade na localiza\u00e7\u00e3o exata onde a pessoa est\u00e1.<\/p>\n<p>\u00c9 a chamada previs\u00e3o imediata que, diferente da previs\u00e3o do tempo convencional, consegue informar a incid\u00eancia de chuva, granizo ou tempestade com precis\u00e3o de 1 quil\u00f4metro e anteced\u00eancia de 30 minutos a 6 horas. Desde outubro, o aplicativo SOS Chuva pode ser baixado gratuitamente em smartphones e j\u00e1 conta com mais de 60 mil usu\u00e1rios.<\/p>\n<p>A ferramenta foi desenvolvida por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em colabora\u00e7\u00e3o com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) e o Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas, os dois \u00faltimos da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<p>\u201cA previs\u00e3o de tempo que ouvimos no jornal \u00e9 uma previs\u00e3o que est\u00e1, de certa forma, bem estabelecida. Sua teoria foi desenvolvida nos anos 1950. J\u00e1 a previs\u00e3o imediata \u00e9 um desafio novo, com fun\u00e7\u00f5es, equipamentos e modelagens matem\u00e1ticas completamente diferentes. At\u00e9 porque \u00e9 diferente dizer que amanh\u00e3 vai chover ou falar que daqui a duas horas vai chover no ponto exato onde voc\u00ea est\u00e1\u201d, disse\u00a0, pesquisador do Centro de Previs\u00e3o de Tempo e Estudos Clim\u00e1ticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC\/Inpe) e coordenador do projeto.<\/p>\n<p>Com apoio da FAPESP, o\u00a0\u00a0SOS Chuva, iniciado em 2016, vai desenvolver mais dois aplicativos, um voltado para a agricultura e outro para a Defesa Civil. Os pesquisadores pretendem tamb\u00e9m aumentar a compreens\u00e3o da din\u00e2mica das nuvens e melhorar modelos matem\u00e1ticos usados na previs\u00e3o clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um projeto que tem o aspecto cient\u00edfico de melhorar modelos de previs\u00e3o imediata e tamb\u00e9m outro aspecto associado \u00e0 extens\u00e3o, que \u00e9 o desenvolvimento do aplicativo e de sistemas de alerta mais sofisticados para a Defesa Civil e para a agricultura\u201d, disse Machado.<\/p>\n<p>Em novembro, a equipe do projeto fez um treinamento para t\u00e9cnicos da Defesa Civil da regi\u00e3o de Campinas (SP) e para profissionais do CPTEC que atuam nas regi\u00f5es do Vale do Para\u00edba e no Litoral Norte do Estado de S\u00e3o Paulo. O objetivo \u00e9 que os centros regionais de meteorologia possam fazer a previs\u00e3o imediata. A iniciativa \u00e9 in\u00e9dita no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cEstamos desenvolvendo tamb\u00e9m um aplicativo voltado para o t\u00e9cnico, para que ele possa fazer a previs\u00e3o imediata e divulgar os alertas com base nos nossos modelos matem\u00e1ticos. Isso porque, dado o grande detalhamento, a previs\u00e3o imediata deve ser feita regionalmente. Por isso, estamos desenvolvendo a ferramenta e os modelos matem\u00e1ticos para que, no futuro, a previs\u00e3o imediata seja feita nos centros regionais de meteorologia\u201d, disse.<\/p>\n<p>Agrometeorologia de precis\u00e3o<\/p>\n<p>O grupo formado por pesquisadores do CPTEC\/Inpe e da Esalq tamb\u00e9m est\u00e1 desenvolvendo um terceiro aplicativo, dedicado ao produtor rural.<\/p>\n<p>\u201cO aplicativo de cunho agr\u00edcola, al\u00e9m de mostrar onde exatamente est\u00e1 chovendo, tamb\u00e9m armazenar\u00e1 informa\u00e7\u00f5es pluviom\u00e9tricas por um per\u00edodo, para que o agricultor possa acompanhar e identificar poss\u00edveis varia\u00e7\u00f5es de produtividade\u201d, disse Felipe Pilau, do Departamento de Engenharia de Biossistemas da Esalq, respons\u00e1vel pela parte agr\u00edcola do projeto.<\/p>\n<p>Pilau afirma que com essa ferramenta ser\u00e1 poss\u00edvel estipular estrat\u00e9gias para a chamada agrometeorologia de precis\u00e3o. O termo junta a agricultura de precis\u00e3o \u2013 que analisa a variabilidade da produ\u00e7\u00e3o a partir de fatores como fertilidade do solo e recursos h\u00eddricos \u2013 com a parte meteorol\u00f3gica.<\/p>\n<p>\u201cAo incluir a parte meteorol\u00f3gica na agricultura de precis\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel enxergar onde chove mais e se essa variabilidade vai afetar a produtividade agr\u00edcola. At\u00e9 ent\u00e3o, a parte meteorol\u00f3gica estava esquecida na agricultura de precis\u00e3o\u201d, disse Pilau.<\/p>\n<p>Para fazer a previs\u00e3o imediata, seja para o usu\u00e1rio comum, o agricultor ou para a Defesa Civil, o projeto conta com um radar meteorol\u00f3gico de dupla polariza\u00e7\u00e3o \u2013 adquirido\u00a0\u00a0e instalado no Centro de Pesquisas Meteorol\u00f3gicas e Clim\u00e1ticas Aplicadas \u00e0 Agricultura da Universidade Estadual de Campinas (Cepagri-Unicamp).<\/p>\n<p>A previs\u00e3o do tempo convencional necessita de dados obtidos a partir de imagens de sat\u00e9lite, esta\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas e tamb\u00e9m da interpola\u00e7\u00e3o desses dados. J\u00e1 para obter os dados com precis\u00e3o de 1 quil\u00f4metro de dist\u00e2ncia, o radar de dupla polariza\u00e7\u00e3o trabalha com a emiss\u00e3o e reflex\u00e3o de comprimentos de onda.<\/p>\n<p>Ao emitir um feixe de energia, ele obt\u00e9m a refletividade, uma medida da reflex\u00e3o do feixe emitido pelo radar ao se chocar com um obst\u00e1culo, como uma gota de nuvem, por exemplo. O sinal ent\u00e3o retorna para o radar e, dessa forma, \u00e9 poss\u00edvel mapear o local exato onde vai chover.<\/p>\n<p>Para fazer a previs\u00e3o imediata de todo o Estado de S\u00e3o Paulo, o projeto SOS Chuva conta ainda com as informa\u00e7\u00f5es de outros quatro radares instalados em Bauru, Presidente Prudente, S\u00e3o Paulo e no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Com a ajuda do radar de dupla polariza\u00e7\u00e3o, os pesquisadores conseguem ter uma vis\u00e3o tridimensional da nuvem e acompanhar a velocidade com que ela se propaga. Assim \u00e9 poss\u00edvel analisar outros par\u00e2metros, como ac\u00famulo de cristais de gelo dentro da nuvem ou os chamados intrarraios, raios dentro da nuvem que s\u00e3o indicativos da ocorr\u00eancia de granizo.<\/p>\n<p>\u201cCom o radar de dupla polariza\u00e7\u00e3o conseguimos saber, por exemplo, quais os cristais de gelo que t\u00eam dentro da nuvem e a partir disso fazer c\u00e1lculos e previs\u00f5es\u201d, disse Machado.<\/p>\n<p>O pesquisador explica que ao acompanhar a nuvem \u00e9 poss\u00edvel saber como esses diferentes cristais aumentam e diminuem, indicando a previs\u00e3o de severidade ou forma\u00e7\u00e3o de tornados. \u201cConseguimos tamb\u00e9m informa\u00e7\u00f5es a partir do vento, se ele est\u00e1 formando uma circula\u00e7\u00e3o fechada, se h\u00e1 descarga el\u00e9trica. Tudo isso somado nos ajuda a fazer previs\u00f5es\u201d, disse.<\/p>\n<p>Entendendo eventos extremos<\/p>\n<p>A experi\u00eancia dos pesquisadores do SOS Chuva em desenvolver modelos e c\u00e1lculos matem\u00e1ticos para a previs\u00e3o imediata ser\u00e1 usada em um novo\u00a0\u00a0com colegas argentinos, chilenos e norte-americanos.<\/p>\n<p>\u201cContinuaremos a coletar dados em Campinas e a melhorar nossos modelos at\u00e9 agosto de 2018. Depois disso, vamos levar nossa instrumenta\u00e7\u00e3o para S\u00e3o Borja, no Rio Grande do Sul, para uma nova campanha de medidas de colabora\u00e7\u00e3o internacional\u201d, disse Machado.<\/p>\n<p>O pesquisador explica que a regi\u00e3o a ser estudada \u00e9 onde ocorrem as maiores tempestades do planeta. O fen\u00f4meno no Sul do Brasil, conhecido como Complexos Convectivos de M\u00e9dia Escala, ocorre em resposta a uma rela\u00e7\u00e3o entre a regi\u00e3o amaz\u00f4nica e a Cordilheira dos Andes.<\/p>\n<p>\u201cA umidade da Amaz\u00f4nia se propaga, encontra os Andes e se canaliza, trazendo a umidade para o Sul. \u00c9 esse canal de umidade que come\u00e7a a formar esses sistemas intensos de nuvens na Argentina. A baixa press\u00e3o acelera esse fluxo de umidade que vem da Amaz\u00f4nia e forma tempestades muito grandes.\u201d<\/p>\n<p>O projeto nomeado RELAMPAGO \u00e9 financiado pela National Science Foundation (NSF) e conta com a coopera\u00e7\u00e3o da ag\u00eancia espacial Nasa e da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), nos Estados Unidos, do Consejo Nacional de Investigaciones Cient\u00edficas y T\u00e9cnicas (Conicet) da Argentina, da Comisi\u00f3n Nacional de Investigaci\u00f3n Cient\u00edfica y Tecnol\u00f3gica (Conicyt) do Chile, da FAPESP e do Inpe.<\/p>\n<p>\u201cSer\u00e1 um experimento muito grande e o SOS Chuva participar\u00e1 desse esfor\u00e7o que \u00e9 entender as tempestades severas que entram no Brasil, inclusive com possibilidade de forma\u00e7\u00e3o de tornados\u201d, disse Machado.<\/p>\n<p>O aplicativo SOS Chuva pode ser baixado na App Store (iOS) e na Google Play Store (Android). Mais informa\u00e7\u00f5es:\u00a0.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Fernanda Ziegler\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Com a chegada do ver\u00e3o inicia-se tamb\u00e9m a temporada de chuvas na regi\u00e3o Sudeste. A diferen\u00e7a \u00e9 que este ano o aplicativo SOS Chuva poder\u00e1 informar \u00e0 popula\u00e7\u00e3o sobre a possibilidade de chuva ou de tempestade na localiza\u00e7\u00e3o exata onde a pessoa est\u00e1. \u00c9 a chamada previs\u00e3o imediata que, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":26302,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":{"0":"post-130566","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"entry","9":"gs-1","10":"gs-odd","11":"gs-even","12":"gs-featured-content-entry"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/previsao-tempo-clima-temperatura-.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/130566","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=130566"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/130566\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26302"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=130566"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=130566"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=130566"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}