{"id":13053,"date":"2009-09-30T10:20:00","date_gmt":"2009-09-30T14:20:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=13053"},"modified":"2009-09-30T10:20:00","modified_gmt":"2009-09-30T14:20:00","slug":"usinas-nucleares-nunca-foram-trampolim-para-armas-atomicas-afirma-jobim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2009\/usinas-nucleares-nunca-foram-trampolim-para-armas-atomicas-afirma-jobim\/13053","title":{"rendered":"Usinas nucleares nunca foram trampolim para armas at\u00f4micas, afirma Jobim"},"content":{"rendered":"<p>O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou, em discurso de abertura da International Nuclear Atlantic Conference -Inac 2009, que \u00e9 falacioso o argumento de que \u00e9 necess\u00e1rio restringir pesquisas com energia nuclear para fins pac\u00edficos como forma de se evitar a prolifera\u00e7\u00e3o dos armamentos nucleares no mundo. \u201cA gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica nunca foi causa ou caminho de acesso \u00e0 armas at\u00f4micas. N\u00e3o h\u00e1 possibilidade alguma e \u00e9 falacioso afirmar-se que o recorrente e renascente problema da prolifera\u00e7\u00e3o nuclear possa ser resolvido pelo abandono das usinas nucleares\u201d.<\/p>\n<p>\u00a0Segundo Jobim, nos \u00faltimos 60 anos, oito pa\u00edses s\u00e3o reconhecidos como possuidores de armas nucleares, e em todos eles os programas com fins b\u00e9licos antecederam a gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica nuclear ou foram desenvolvidos independentemente desta.<\/p>\n<p>\u00a0O ministro destacou ainda que h\u00e1 quatro d\u00e9cadas n\u00e3o existe nenhum pa\u00eds democr\u00e1tico que possa ser qualificado de proliferante, e lembrou que no Brasil h\u00e1 at\u00e9 impedimento constitucional a pesquisa para fins n\u00e3o pac\u00edficos. \u201cBrasil e nova Zel\u00e2ndia, al\u00e9m de serem democracias consolidadas, s\u00e3o os \u00fanicos pa\u00edses nos quais as armas nucleares s\u00e3o proscritas por suas pr\u00f3prias constitui\u00e7\u00f5es\u201d. J\u00e1 os pa\u00edses detentores de armas nucleares, segundo Jobim, n\u00e3o cumpriram o compromisso de reduzir seus arsenais, conforme previa o Tratado de N\u00e3o Prolifera\u00e7\u00e3o Nuclear (TNP), do qual o Brasil \u00e9 signat\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u00a0A energia nuclear, ressalta o ministro, \u00e9 um dos caminhos para garantir o equil\u00edbrio entre a busca da energia necess\u00e1ria \u00e0s pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es e a sustentabilidade ambiental. J\u00e1 a depend\u00eancia excessiva das fontes f\u00f3sseis, na opini\u00e3o de Jobim, aumentam as possibilidades de conflitos internacionais, pois for\u00e7am os pa\u00edses a se armar para garantir o acesso \u00e0s fontes externas de energia.<\/p>\n<p>\u201cUm pai e uma m\u00e3e americanos ou um pai e uma m\u00e3e iraquianos entendem bem e profundamente o que isto significa e pagam, no cotidiano, enorme tributo de tristeza e apreens\u00e3o\u201d. Al\u00e9m do aspecto humano, esse processo tamb\u00e9m afeta o desempenho econ\u00f4mico dos pa\u00edses. \u201cQuando um pa\u00eds, mesmo pacifista, precisa obter fora de suas fronteiras o suprimento de suas fontes prim\u00e1rias de energia, imp\u00f5e-se um esfor\u00e7o adicional para sua economia\u201d.<\/p>\n<p>O Brasil, na avalia\u00e7\u00e3o do ministro, ter\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o privilegiada, com garantia de energia el\u00e9trica pelos pr\u00f3ximos 100 anos, com matriz diversificada. A fonte h\u00eddrica por muitas d\u00e9cadas continuar\u00e1 a principal fonte de gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica, mas com variadas fontes t\u00e9rmicas para complement\u00e1-la: ur\u00e2nio; carv\u00e3o; biomassa; g\u00e1s natural e \u00f3leos derivados do petr\u00f3leo. \u201c\u00c9 esta a ordem de import\u00e2ncia. Esta ordem est\u00e1 ligada \u00e0 disponibilidade em territ\u00f3rio nacional,\u00a0a custos,\u00a0a impactos ambientais e a usos em outras aplica\u00e7\u00f5es\u201d. Essa matriz poder\u00e1 ser ainda complementada com as energias e\u00f3lica e solar, al\u00e9m da possibilidade de uso de carv\u00e3o mineral, de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural.<\/p>\n<p>\u201cEsta ampla disponibilidade \u00e9, para o Brasil, uma significativa vantagem competitiva com rela\u00e7\u00e3o a outras na\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m do mais, conduz a uma menor necessidade de poder militar dissuas\u00f3rio que garanta a seguran\u00e7a, pois n\u00e3o necessitaremos de abastecimento de insumos energ\u00e9tico do exterior. Precisamos, isto sim, de capacidade militar para garantir o que temos e n\u00e3o para projetar for\u00e7as com vistas a garantir fornecimentos provenientes de fora de nossas fronteiras\u201d, afirmou Jobim.<\/p>\n<p>\u00a0A Estrat\u00e9gia Nacional de Defesa, segundo Jobim, assegura o controle brasileiro sobre suas fontes energ\u00e9ticas. Um dos instrumentos, ser\u00e1 o submarino a propuls\u00e3o nuclear, que poder\u00e1 vetar o acesso de for\u00e7as hostis nos 3,5 milh\u00f5es de km\u00b2 de \u00e1guas jurisdicionais brasileiras (que aumentar\u00e3o para 4,5 milh\u00f5es de km\u00b2). Ele explica que um submarino de propuls\u00e3o convencional se desloca,\u00a0 no m\u00e1ximo,\u00a0 a 6 km\/h, enquanto o submarino de propuls\u00e3o nuclear pode chegar a 60 km\/h.<\/p>\n<p>\u201cEssa \u00e9 a fundamental raz\u00e3o de n\u00f3s termos a absoluta necessidade de compreendermos o programa nuclear da Marinha, e o programa do submarino de propuls\u00e3o nuclear, para a prote\u00e7\u00e3o e para a nega\u00e7\u00e3o do uso do mar e o monitoramento das \u00e1guas, lembrando principalmente de que a estrat\u00e9gia dos submarinos de propuls\u00e3o nuclear \u00e9 a estrat\u00e9gia de movimento, vis-\u00e0-vis a estrat\u00e9gia do submarino convencional, que \u00e9 a estrat\u00e9gia da posi\u00e7\u00e3o\u201d, argumentou o ministro da Defesa.<\/p>\n<p>Mas ele assegurou que esse uso da energia nuclear sempre ser\u00e1 direcionado para fins pac\u00edficos. \u201cOs \u00e1tomos, no Brasil, mais do que em qualquer outro pa\u00eds, s\u00e3o exclusivamente para a paz e prosperidade da na\u00e7\u00e3o&#8221;, concluiu.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Energia Nuclear no Mundo<\/p>\n<p>-439 usinas el\u00e9tricas em opera\u00e7\u00e3o;<br \/>\n-Usinas presentes em 30 pa\u00edses;<br \/>\n&#8211; Usinas geram 16% das necessidades globais de eletricidade;<br \/>\n-Mais de 30 usinas se encontram em constru\u00e7\u00e3o;<br \/>\n-Nos \u00faltimos 5 anos, usinas antigas repotencializadas tiveram aumento de produ\u00e7\u00e3o equivalente a 30 novas usinas;<br \/>\n-16 pa\u00edses geram \u00bc de sua energia el\u00e9trica de fonte nuclear;<br \/>\n&#8211; Fran\u00e7a e Litu\u00e2nia geram 3\/4 de sua energia el\u00e9trica de fonte nuclear;<br \/>\n-Reatores de pesquisa: 280, em 56 pa\u00edses (principalmente pesquisas m\u00e9dicas e industriais);<br \/>\n-Uso Naval: 220 reatores em 150 navios, principalmente submarinos e porta-avi\u00f5es (EUA, R\u00fassia, China, Fran\u00e7a e Gr\u00e3-Bretanha e \u00cdndia)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou, em discurso de abertura da International Nuclear Atlantic Conference -Inac 2009, que \u00e9 falacioso o argumento de que \u00e9 necess\u00e1rio restringir pesquisas com energia nuclear para fins pac\u00edficos como forma de se evitar a prolifera\u00e7\u00e3o dos armamentos nucleares no mundo. \u201cA gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica nunca foi causa ou caminho [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":{"0":"post-13053","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-brasil","7":"entry","8":"gs-1","9":"gs-odd","10":"gs-even","11":"gs-featured-content-entry"},"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13053","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13053"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13053\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13053"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13053"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13053"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}