{"id":12789,"date":"2009-09-26T11:02:19","date_gmt":"2009-09-26T15:02:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=12789"},"modified":"2009-09-26T11:02:19","modified_gmt":"2009-09-26T15:02:19","slug":"jovens-e-premiadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2009\/jovens-e-premiadas\/12789","title":{"rendered":"Jovens e premiadas"},"content":{"rendered":"<p>Com o objetivo de incentivar jovens pesquisadoras, o programa L\u2019Or\u00e9al-Unesco para Mulheres na Ci\u00eancia premiou sete cientistas brasileiras nesta quarta-feira (23\/9), no hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro.\u00a0Das sete pesquisas contempladas \u2013 de um total de 271 inscritas no pa\u00eds \u2013, tr\u00eas s\u00e3o trabalhos com apoio da FAPESP. O Programa L\u2019Or\u00e9al-Unesco para Mulheres na Ci\u00eancia \u00e9 realizado em parceria com a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Cultura (Unesco) e no Brasil conta com o apoio da Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC). Cada vencedora recebeu bolsa-aux\u00edlio no valor de US$ 20 mil para desenvolver seus respectivos projetos no per\u00edodo de um ano.<\/p>\n<p>As ganhadoras paulistas s\u00e3o Sheila Cavalcante Caetano e Lea Tenenholz Grinberg, da Faculdade de Medicina, e Elysandra Figueredo, do Departamento de Astronomia do Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas (IAG), ambas unidades da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<p>As demais vencedoras s\u00e3o Fl\u00e1via Carla Meotti, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Alexandra Zugno, da Universidade do Extremo Sul Catarinense, Annelise Casellato, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Val\u00e9ria Sandrim, da Santa Casa de Belo Horizonte.<\/p>\n<p>Sheila foi contemplada pelo estudo \u201cPrograma de transtorno bipolar\u201d. O trabalho da psiquiatra, desenvolvido no ambulat\u00f3rio do Hospital das Cl\u00ednicas da Faculdade de Medicina da USP, envolveu o estudo de casos de crian\u00e7as e adolescentes entre 6 e 17 anos com transtorno bipolar.<\/p>\n<p>O estudo \u00e9 parte de sua pesquisa de p\u00f3s-doutorado, intitulada \u201cAvalia\u00e7\u00e3o volum\u00e9trica e neuroqu\u00edmica de filhos de pacientes com transtorno afetivo bipolar atrav\u00e9s da espectroscopia por resson\u00e2ncia magn\u00e9tica de pr\u00f3ton (ERM-1H)\u201d, coordenado por Geraldo Busatto Filho, da Faculdade de Medicina da USP, e que tem apoio da FAPESP na modalidade Bolsa de P\u00f3s-Doutorado.<\/p>\n<p>Segundo Sheila, o in\u00edcio da pesquisa teve foco em crian\u00e7as cujos pais apresentavam transtorno bipolar do tipo 1, que \u00e9 o mais grave. \u201cEntre os filhos de pais que apresentam o transtorno, h\u00e1 um aumento de cerca de 10% de chances de desenvolver o problema, ou seja, dez vezes mais do que a popula\u00e7\u00e3o em geral\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u201cAgora, propusemos um novo projeto que inclui o estudo gen\u00e9tico para tentar entender, por meio do mapeamento do c\u00e9rebro, a transmiss\u00e3o dessa doen\u00e7a dos pais para os filhos. A partir da neuroimagem, poderemos comparar o c\u00e9rebro de crian\u00e7as portadoras e n\u00e3o portadoras do transtorno e estudar uma estrutura cerebral chamada de am\u00edgdala, respons\u00e1vel pela forma\u00e7\u00e3o e reconhecimento das emo\u00e7\u00f5es\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Esse novo projeto ser\u00e1 iniciado em outubro. \u201cEstou muito feliz porque poderemos continuar e ampliar o estudo iniciado com a bolsa da FAPESP. Al\u00e9m do incentivo em dinheiro, trata-se de um pr\u00eamio acad\u00eamico de prest\u00edgio\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Envelhecimento cerebral<\/p>\n<p>Outro estudo premiado tamb\u00e9m se ocupa do c\u00e9rebro. \u201cEnvelhecimento cerebral\u201d \u00e9 o tema do trabalho de autoria de Lea Grinberg. O estudo \u00e9 um desdobramento da pesquisa de doutorado \u201cCorrela\u00e7\u00e3o anantomocl\u00ednica da associa\u00e7\u00e3o entre dem\u00eancias e altera\u00e7\u00f5es comportamentais no c\u00e9rebro durante o envelhecimento\u201d, orientado por Wilson Jacob Filho, professor da FMUSP, para a qual Lea teve bolsa da FAPESP.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisadora, que atualmente gerencia o projeto Envelhecimento Cerebral na FMUSP, a doen\u00e7a de Alzheimer \u00e9 geralmente considerada a mais comum entre os diagn\u00f3sticos de dem\u00eancia. Mas o envelhecimento cerebral, afirma, \u00e9 de fato o tipo mais comum de dem\u00eancia na popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>\u201cObservamos que a dem\u00eancia causada por altera\u00e7\u00f5es nos pequenos vasos sangu\u00edneos do c\u00e9rebro, que chamamos de dem\u00eancia vascular, \u00e9 mais comum do que a doen\u00e7a de Alzheimer. E, apesar de nenhuma das duas ter tratamento, a dem\u00eancia \u00e9 pass\u00edvel de preven\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 o ponto mais forte da pesquisa: mostrar que no Brasil muita gente fica doente por algo que \u00e9 poss\u00edvel prevenir\u201d, disse Lea, acrescentando que o pr\u00eamio permitir\u00e1 estender a amostra do estudo de 206 para 600 pessoas.<\/p>\n<p>Estrelas raras<\/p>\n<p>A proposta de cria\u00e7\u00e3o de um cat\u00e1logo das estrelas de grande massa, raras na gal\u00e1xia, resultou no Pr\u00eamio L\u2019Or\u00e9al-Unesco para Mulheres na Ci\u00eancia a Elysandra Figueredo, do Departamento de Astronomia do IAG-USP.<\/p>\n<p>O estudo de Elysandra \u2013 que tamb\u00e9m foi bolsista de doutorado da FAPESP \u2013 \u00e9 parte de sua pesquisa de p\u00f3s-doutorado sobre a forma\u00e7\u00e3o de estrelas de alta massa, intitulado \u201cEstrutura espiral da Via L\u00e1ctea e a forma\u00e7\u00e3o de estrelas massivas\u201d.<\/p>\n<p>O estudo foi orientado por Augusto Damineli Neto, professor titular e chefe do Departamento de Astronomia do IAG-USP, e realizado no \u00e2mbito do projeto de Aux\u00edlio \u00e0 Pesquisa \u2013 Regular \u201cObserva\u00e7\u00e3o e modelagem de estrelas massivas\u201d.<\/p>\n<p>O projeto de Elysandra, \u201cCria\u00e7\u00e3o de um cat\u00e1logo das estrelas de alta massa\u201d, tem como objetivo tentar entender como se d\u00e1 a forma\u00e7\u00e3o e quais s\u00e3o os diferenciais e peculiaridades das estrelas de grande massa.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 dif\u00edcil ter uma amostragem muito grande dessas estrelas, mas o primeiro passo \u00e9 conseguir essa amostragem com v\u00e1rias imagens e espectros, para que se consiga construir um modelo em cima de dados concretos\u201d, explicou.<\/p>\n<p>A pesquisadora do IAG criou uma t\u00e9cnica especial com a utiliza\u00e7\u00e3o de infravermelho para medir e avaliar a dist\u00e2ncia exata dessas estrelas e delinear, da forma mais veross\u00edmil poss\u00edvel, os bra\u00e7os da Via L\u00e1ctea a fim de relatar todas as suas especificidades.<\/p>\n<p>\u201cConhecemos muito pouco sobre essas estrelas e todo o processo de forma\u00e7\u00e3o delas ainda \u00e9 desconhecido. Sua ocorr\u00eancia \u00e9 rara \u2013 para cada mil estrelas de baixa massa, temos uma de alta massa \u2013, mas elas t\u00eam uma import\u00e2ncia muito grande no contexto da astronomia\u201d, explicou.<\/p>\n<p>De acordo com Elysandra, existem poucas pesquisas no Brasil sobre esse assunto. E a principal forma de ampliar o conhecimento sobre a forma\u00e7\u00e3o dessas estrelas \u00e9 entender qual o processo f\u00edsico envolvido. Por essa raz\u00e3o \u00e9 preciso criar um cat\u00e1logo. \u201cFiquei muito feliz com o pr\u00eamio. \u00c9 um reconhecimento importante para quem, como eu, est\u00e1 no come\u00e7o da carreira\u201d, disse.<\/p>\n<p>Sul e Sudeste<\/p>\n<p>Fl\u00e1via Meotti, com o projeto \u201cProcessos inflamat\u00f3rios na bexiga que d\u00e3o origem \u00e0 cistite urin\u00e1ria\u201d, pretende utilizar no tratamento desse tipo de infec\u00e7\u00e3o uma subst\u00e2ncia qu\u00edmica chamada genuxal, empregada contra o c\u00e2ncer e respons\u00e1vel por uma reatividade que previne a prolifera\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias. A escolha do tema \u00e9 fruto da car\u00eancia de op\u00e7\u00f5es de tratamento das cistites urin\u00e1rias.<\/p>\n<p>A pesquisa de Alexandra Zugno, da Universidade do Extremo Sul Catarinense, aborda a quest\u00e3o da esquizofrenia, doen\u00e7a que pode incluir uma variedade de transtornos com sintomas comportamentais similares. Com o projeto \u201cEsquizofrenia\u201d, ela pretende procurar melhores tratamentos e f\u00e1rmacos mais eficazes para uma doen\u00e7a complexa cujos mecanismos de a\u00e7\u00e3o s\u00e3o pouco conhecidos.<\/p>\n<p>Annelise Casellato, da UFRJ, recebeu o pr\u00eamio com pesquisa sobre o papel dos metais nos materiais biol\u00f3gicos utilizados em alguns pesticidas no combate a pragas nas planta\u00e7\u00f5es de tomate. O objetivo do estudo \u00e9 verificar os danos causados por esses produtos e estudar seus impactos ambientais de forma a reduzi-los.<\/p>\n<p>Val\u00e9ria Sandrim, da Santa Casa de Belo Horizonte, foi premiada por um projeto de pesquisa que busca avaliar as evid\u00eancias de pr\u00e9-ecl\u00e2mpsia nas gestantes a partir de 20 semanas antes do aparecimento dos primeiros sintomas da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es: <a href=\"http:\/\/loreal.abc.org.br\" target=\"_blank\">http:\/\/loreal.abc.org.br<\/a><\/p>\n<p>Por Alex Sander Alc\u00e2ntara<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o objetivo de incentivar jovens pesquisadoras, o programa L\u2019Or\u00e9al-Unesco para Mulheres na Ci\u00eancia premiou sete cientistas brasileiras nesta quarta-feira (23\/9), no hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro.\u00a0Das sete pesquisas contempladas \u2013 de um total de 271 inscritas no pa\u00eds \u2013, tr\u00eas s\u00e3o trabalhos com apoio da FAPESP. 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