{"id":12784,"date":"2009-09-26T10:57:59","date_gmt":"2009-09-26T14:57:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=12784"},"modified":"2009-09-26T10:57:59","modified_gmt":"2009-09-26T14:57:59","slug":"limites-da-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2009\/limites-da-terra\/12784","title":{"rendered":"Limites da Terra"},"content":{"rendered":"<p>Identificar e quantificar os limites da Terra que n\u00e3o podem ser transgredidos ajudaria a evitar que as atividades humanas continuem causando mudan\u00e7as ambientais inaceit\u00e1veis. A afirma\u00e7\u00e3o, de um grupo internacional de cientistas, est\u00e1 em artigo destacado na edi\u00e7\u00e3o desta quinta-feira (24\/9) da revista Nature.\u00a0Segundo eles, a humanidade deve permanecer dentro dessas fronteiras para os processos essenciais do sistema terrestre se quiser evitar altera\u00e7\u00f5es ambientais de dimens\u00f5es catastr\u00f3ficas. Esses limites representariam os espa\u00e7os seguros para a a\u00e7\u00e3o e para a vida humana.<\/p>\n<p>O conceito de limites (ou fronteiras) planet\u00e1rios representa um novo modelo para medir as agress\u00f5es ao planeta e define espa\u00e7os seguros para a exist\u00eancia humana. Seguros tanto para o sistema terrestre como para o pr\u00f3prio homem, por consequ\u00eancia.<\/p>\n<p>Johan Rockstr\u00f6m, da Universidade de Estocolmo, na Su\u00e9cia, e colegas sugerem nove processos sist\u00eamicos principais para esses limites: mudan\u00e7as clim\u00e1ticas; acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos; interfer\u00eancia nos ciclos globais de nitrog\u00eanio e de f\u00f3sforo; uso de \u00e1gua pot\u00e1vel; altera\u00e7\u00f5es no uso do solo; carga de aeross\u00f3is atmosf\u00e9ricos; polui\u00e7\u00e3o qu\u00edmica; e a taxa de perda da biodiversidade, tanto terrestre como marinha.<\/p>\n<p>Para tr\u00eas desses limites da a\u00e7\u00e3o humana \u2013 ciclo do nitrog\u00eanio, perda da biodiversidade e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u2013, os autores do artigo argumentam que a fronteira aceit\u00e1vel j\u00e1 foi atravessada. Afirmam tamb\u00e9m que a humanidade est\u00e1 rapidamente se aproximando dos limites no uso de \u00e1gua, na convers\u00e3o de florestas e de outros ecossistemas naturais para uso agropecu\u00e1rio, na acidifica\u00e7\u00e3o oce\u00e2nica e no ciclo de f\u00f3sforo.<\/p>\n<p>O estudo d\u00e1 n\u00fameros para esses limites. Para o ciclo do nitrog\u00eanio, por exemplo, antes da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial a quantidade de nitrog\u00eanio removido da atmosfera para uso humano era zero. O limite estabelecido pelo estudo \u00e9 de 35 milh\u00f5es de toneladas por ano. Parece muito, mas os valores atuais s\u00e3o de 121 milh\u00f5es, mais de tr\u00eas vezes al\u00e9m do limite aceit\u00e1vel.<\/p>\n<p>A taxa de perda de biodiversidade, calculada em n\u00famero de esp\u00e9cies extintas por milh\u00e3o de esp\u00e9cies por ano era de 0,1 a 1 at\u00e9 o in\u00edcio da era industrial. O limite proposto pelo estudo \u00e9 de 35, mas o valor atual passou de 100.<\/p>\n<p>O consumo de \u00e1gua pot\u00e1vel por humanos era de 415 quil\u00f4metros c\u00fabicos por ano antes da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial. Hoje, chegou a 2.600, perigosamente pr\u00f3ximo ao limite sugerido de 4.000 quil\u00f4metros c\u00fabicos por ano.<\/p>\n<p>Os pesquisadores destacam a necessidade de se estabelecer os limites tamb\u00e9m para a emiss\u00e3o de aeross\u00f3is atmosf\u00e9ricos e de polui\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, apesar de n\u00e3o haver, atualmente, dados suficientes para tal defini\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Transgredir uma \u00fanica dessas fronteiras planet\u00e1rias por um tempo demasiadamente longo \u00e9 o suficiente, argumentam, para promover altera\u00e7\u00f5es ambientais \u201cabruptas e inaceit\u00e1veis que ser\u00e3o muito danosas ou at\u00e9 mesmo catastr\u00f3ficas \u00e0 sociedade\u201d. Al\u00e9m disso, quando um limite \u00e9 derrubado, os n\u00edveis de seguran\u00e7a dos outros processos acabam sendo seriamente afetados.<\/p>\n<p>\u201cEmbora a Terra tenha passado por muitos per\u00edodos de altera\u00e7\u00f5es ambientais importantes, o ambiente planet\u00e1rio tem se mantido est\u00e1vel pelos \u00faltimos 10 mil anos. Esse per\u00edodo de estabilidade \u2013 que os ge\u00f3logos chamam de Holoceno \u2013 viu civiliza\u00e7\u00f5es surgirem, se desenvolverem e florescerem. Mas tal estabilidade pode estar em risco\u201d, descrevem os autores.<\/p>\n<p>\u201cDesde a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, um novo per\u00edodo surgiu, o Antropoceno, no qual as a\u00e7\u00f5es humanas se tornaram o principal condutor das mudan\u00e7as ambientais globais\u201d, destacam. Segundo os pesquisadores, se n\u00e3o fosse a press\u00e3o promovida pelo homem, o Holoceno continuaria ainda por muitos milhares de anos.<\/p>\n<p>O artigo A safe operating space for humanity, de Johan Rockstr\u00f6m e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em <a href=\"http:\/\/www.nature.com\" target=\"_blank\">www.nature.com<\/a>.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Identificar e quantificar os limites da Terra que n\u00e3o podem ser transgredidos ajudaria a evitar que as atividades humanas continuem causando mudan\u00e7as ambientais inaceit\u00e1veis. 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