{"id":124486,"date":"2017-10-30T00:05:24","date_gmt":"2017-10-30T02:05:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=124486"},"modified":"2017-10-29T12:09:28","modified_gmt":"2017-10-29T14:09:28","slug":"etanol-brasileiro-pode-substituir-137-do-petroleo-consumido-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/etanol-brasileiro-pode-substituir-137-do-petroleo-consumido-no-mundo\/124486","title":{"rendered":"Etanol brasileiro pode substituir 13,7% do petr\u00f3leo consumido no mundo"},"content":{"rendered":"<p> Elton Alisson\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 A expans\u00e3o do cultivo de cana-de-a\u00e7\u00facar no Brasil para produ\u00e7\u00e3o de <strong><em>etanol<\/em><\/strong> em \u00e1reas que n\u00e3o s\u00e3o de preserva\u00e7\u00e3o ambiental ou destinadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos tem o potencial de substituir at\u00e9 13,7% do petr\u00f3leo consumido mundialmente e reduzir as emiss\u00f5es globais de di\u00f3xido de carbono (CO2) em at\u00e9 5,6% em 2045.<\/p>\n<p>As estimativas s\u00e3o de um estudo internacional com participa\u00e7\u00e3o brasileira cujos resultados foram publicados no dia 23 de outubro na revista\u00a0.<\/p>\n<p>O trabalho avaliou como a expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de etanol obtido da cana poderia contribuir para limitar o aumento m\u00e9dio da temperatura global a menos de 2 \u00baC por meio da redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de CO2 pela queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis, como a gasolina, conforme acordado pelas 196 na\u00e7\u00f5es que assinaram o Acordo Clim\u00e1tico de Paris em dezembro de 2015.<\/p>\n<p>O estudo foi feito no \u00e2mbito de um\u00a0\u00a0pela FAPESP e pelo\u00a0. O trabalho foi feito por pesquisadores da Faculdade de Engenharia Agr\u00edcola da Universidade Estadual de Campinas (Feagri-Unicamp), do Instituto de Bioci\u00eancias (IB-USP) e da Escola de Agricultura \u201cLuiz de Queiroz\u201d (Esalq) da Universidade de S\u00e3o Paulo, em colabora\u00e7\u00e3o com colegas da University of Illinois Urbana-Champaign e da Iowa State University, dos Estados Unidos, al\u00e9m da University of Copenhagen, da Danish Energy Association e do National Center for Supercomputing Applications, da Dinamarca, e da Lancaster University, do Reino Unido.<\/p>\n<p>Os pesquisadores utilizaram um software desenvolvido na University of Illinois Urbana-Champaign que simula o crescimento de plantas como a cana-de-a\u00e7\u00facar por hora e com base em par\u00e2metros como composi\u00e7\u00e3o do solo, temperatura, incid\u00eancia de chuva e de seca.<\/p>\n<p>O crescimento da cana-de-a\u00e7\u00facar no contexto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas projetadas para 2040 e 2050 pelos cinco principais modelos de circula\u00e7\u00e3o global em tr\u00eas diferentes cen\u00e1rios foi simulado.<\/p>\n<p>No primeiro cen\u00e1rio, a expans\u00e3o do cultivo da cana seria limitada \u00e0s atuais \u00e1reas de pastagem que poderiam ser substitu\u00eddas por lavouras de cana, apontadas pelo Zoneamento Agroecol\u00f3gico da Cana-de-A\u00e7\u00facar (ZAE Cana), lan\u00e7ado em 2009 pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa).<\/p>\n<p>No segundo cen\u00e1rio, a produ\u00e7\u00e3o da cana seria expandida n\u00e3o somente para as \u00e1reas dispon\u00edveis para cultivo identificadas pelo ZAE Cana, como tamb\u00e9m para aquelas que n\u00e3o ser\u00e3o necess\u00e1rias para plantio de culturas alimentares e alimentos para animais e que poderiam ser disponibilizadas para lavouras de cana, considerando o aumento na demanda de alimento nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas devido ao aumento populacional.<\/p>\n<p>J\u00e1 o terceiro cen\u00e1rio \u00e9 igual ao segundo, com a diferen\u00e7a de que inclui \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o natural e seminatural que poderiam ser convertidas legalmente em lavouras de cana.<\/p>\n<p>Todos os cen\u00e1rios exclu\u00edram \u00e1reas ambientalmente sens\u00edveis, que n\u00e3o podem ser usadas para atividades agropecu\u00e1rias ou industriais, como a Amaz\u00f4nia e o Pantanal.<\/p>\n<p>As an\u00e1lises indicaram que o cultivo de cana para produ\u00e7\u00e3o de etanol poderia ser expandido para entre 37,5 milh\u00f5es e 116 milh\u00f5es de hectares nos tr\u00eas cen\u00e1rios. Dessa forma, o etanol obtido da cana poderia fornecer o equivalente a entre 3,63 milh\u00f5es e 12,77 milh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo bruto por dia em 2045 no cen\u00e1rio estimado de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, ao mesmo tempo em que se asseguraria a preserva\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de florestas e as destinadas para produ\u00e7\u00e3o de alimentos.<\/p>\n<p>Com isso, seria poss\u00edvel reduzir entre 3,8% e 13,7% o consumo de petr\u00f3leo bruto e entre 1,5% e 5,6% as emiss\u00f5es l\u00edquidas globais de CO2 em 2045 em rela\u00e7\u00e3o aos dados de 2014.<\/p>\n<p>\u201cNossos resultados mostram que \u00e9 poss\u00edvel conciliar as duas metas principais assumidas pelo Brasil no acordo de Paris: a preserva\u00e7\u00e3o de ambientes naturais, notadamente a Amaz\u00f4nia, e o aumento na produ\u00e7\u00e3o de energia renov\u00e1vel\u201d, disse Marcos Buckeridge, professor do IB-USP e um dos autores do artigo, \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cO estudo mostra o valor da coragem do Brasil ao inventar o etanol como biocombust\u00edvel e de implant\u00e1-lo como solu\u00e7\u00e3o para todo o pa\u00eds. Esse potencial de expans\u00e3o da cana n\u00e3o faria sentido se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos a agricultura e a ind\u00fastria funcionando e indica que devemos nos concentrar fortemente na ci\u00eancia e tecnologia da cana nos pr\u00f3ximos anos. Temos que terminar o trabalho que come\u00e7amos, que \u00e9 o etanol de segunda gera\u00e7\u00e3o\u201d, disse.<\/p>\n<p>Solu\u00e7\u00e3o escal\u00e1vel<\/p>\n<p>Os autores do estudo destacam que o etanol de cana-de-a\u00e7\u00facar fornece uma solu\u00e7\u00e3o escal\u00e1vel de curto prazo para reduzir as emiss\u00f5es de CO2 do setor de transporte global.<\/p>\n<p>Segundo eles, a produ\u00e7\u00e3o de etanol \u00e0 base de cana no Brasil hoje \u00e9 muito mais eficiente do que a produ\u00e7\u00e3o de etanol de milho e gera apenas 14% das emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono do petr\u00f3leo. Al\u00e9m disso, as emiss\u00f5es de CO2 resultantes da mudan\u00e7a de uso do solo para cultivo da cana s\u00e3o compensadas em apenas dois a oito anos, ressaltaram.<\/p>\n<p>\u201cSer escal\u00e1vel com rapidez \u00e9 fundamental, pois \u00e9 disso que precisamos para acelerar as respostas da sociedade \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Tudo indica que passaremos do aumento de 1,5 \u00baC j\u00e1 em 2030. Faltam poucos anos e o etanol brasileiro poder\u00e1 ser de grande ajuda para o planeta\u201d, disse Buckeridge.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0Brazilian sugarcane ethanol as an expandable green alternative to crude oil use\u00a0(doi: 10.1038\/nclimate3410), de Deepak Jaiswal, Amanda P. De Souza, S\u00f8ren Larsen, David S. LeBauer, Fernando E. Miguez, Gerd Sparovek, Germ\u00e1n Bollero, Marcos S. Buckeridge e Stephen P. Long, pode ser lido em\u00a0.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elton Alisson\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 A expans\u00e3o do cultivo de cana-de-a\u00e7\u00facar no Brasil para produ\u00e7\u00e3o de etanol em \u00e1reas que n\u00e3o s\u00e3o de preserva\u00e7\u00e3o ambiental ou destinadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos tem o potencial de substituir at\u00e9 13,7% do petr\u00f3leo consumido mundialmente e reduzir as emiss\u00f5es globais de di\u00f3xido de carbono (CO2) em at\u00e9 5,6% [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":34985,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[22,7],"tags":[],"class_list":{"0":"post-124486","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"category-economia","9":"entry","10":"gs-1","11":"gs-odd","12":"gs-even","13":"gs-featured-content-entry"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/combustivel.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124486","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=124486"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124486\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/34985"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=124486"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=124486"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=124486"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}