{"id":124064,"date":"2017-10-24T00:35:23","date_gmt":"2017-10-24T02:35:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=124064"},"modified":"2017-10-23T21:58:03","modified_gmt":"2017-10-23T23:58:03","slug":"pesquisadores-revelam-diversidade-de-plantas-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/pesquisadores-revelam-diversidade-de-plantas-na-amazonia\/124064","title":{"rendered":"Pesquisadores revelam diversidade de plantas na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p> Peter Moon\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Qual \u00e9 o n\u00famero de plantas da maior e mais diversa floresta tropical \u00famida do planeta? Um estudo liderado por brasileiros acaba de chegar ao seguinte resultado: a <strong><em>diversidade de plantas da Amaz\u00f4nia<\/em><\/strong> compreende 14.003 esp\u00e9cies de plantas com sementes (angiospermas e gimnospermas). A maioria (52%) s\u00e3o arbustos, cip\u00f3s, trepadeiras, ep\u00edfitas e ervas rasteiras, mas as \u00e1rvores majestosas est\u00e3o representadas entre as 6.727 esp\u00e9cies catalogadas.<\/p>\n<p>Esses n\u00fameros n\u00e3o s\u00e3o estimativas, mas resultado de contagem e verifica\u00e7\u00e3o precisas, feitas por uma equipe internacional de taxonomistas. O trabalho foi idealizado e coordenado pelo bot\u00e2nico Domingos Cardoso, do Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia, e publicado na\u00a0.<\/p>\n<p>O invent\u00e1rio de esp\u00e9cies abrange as regi\u00f5es da Floresta Amaz\u00f4nica nas cotas entre o n\u00edvel do mar e os 1.000 metros de altitude, nos seguintes pa\u00edses: Brasil, Bol\u00edvia, Peru, Equador, Col\u00f4mbia, Venezuela, nas duas Guianas e no Suriname.<\/p>\n<p>A constata\u00e7\u00e3o de que existem 6.727 esp\u00e9cies de \u00e1rvores nativas da Amaz\u00f4nia representa uma redu\u00e7\u00e3o fenomenal frente \u00e0s estimativas recentes baseadas em extrapola\u00e7\u00e3o estat\u00edstica, segundo as quais se julgava que a Amaz\u00f4nia contaria com at\u00e9 16.200 esp\u00e9cies de \u00e1rvores.<\/p>\n<p>No entanto, no novo estudo os pesquisadores investigaram se 9.346 esp\u00e9cies em 55 fam\u00edlias de plantas seriam realmente amaz\u00f4nicas, como listadas em estudo anterior, e detectaram nada menos do que 40% (3.794 esp\u00e9cies) como entradas indevidas.<\/p>\n<p>O fato de o total de esp\u00e9cies de \u00e1rvores revelado pela taxonomia ser menos da metade daquilo que se estimava anteriormente a partir de dados ecol\u00f3gicos n\u00e3o significa que o bioma das florestas tropicais \u00famidas da Amaz\u00f4nia \u00e9 menos diverso do que se supunha.<\/p>\n<p>\u201cAo contr\u00e1rio, as diferen\u00e7as entre as estimativas anteriores e os n\u00fameros apresentados neste novo estudo apenas ressaltam a enorme lacuna no conhecimento taxon\u00f4mico que ainda precisamos preencher. A Amaz\u00f4nia possui uma riqueza de plantas extraordin\u00e1ria e nossa contagem de 6.727 esp\u00e9cies arb\u00f3reas estabelece um n\u00famero confi\u00e1vel que reflete o que conhecemos at\u00e9 agora sobre parte da biodiversidade na maior floresta tropical \u00famida do mundo\u201d, disse Cardoso, cuja especialidade \u00e9 a taxonomia e filogenia molecular de plantas, ou seja, a cataloga\u00e7\u00e3o, classifica\u00e7\u00e3o e entendimento da hist\u00f3ria evolutiva de esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>\u201cSaber a quantidade precisa de esp\u00e9cies de \u00e1rvores nativas da Amaz\u00f4nia \u00e9 de grande import\u00e2ncia para guiar a formula\u00e7\u00e3o de iniciativas de conserva\u00e7\u00e3o. Sem essa base cient\u00edfica podemos estar colocando em risco nossa biodiversidade, patrim\u00f4nio \u00fanico e insubstitu\u00edvel, simplesmente por falta de um conhecimento realmente qualificado\u201d, disse.<\/p>\n<p>Os dois levantamentos anteriores, publicados por outro grupo multinacional, estimaram que, das mais de 40 mil esp\u00e9cies arb\u00f3reas das florestas tropicais do mundo, a Floresta Amaz\u00f4nica seria o lar de cerca de 16 mil esp\u00e9cies de \u00e1rvores (segundo o\u00a0), n\u00famero corroborado por uma tentativa recente de reunir um cat\u00e1logo atualizado das esp\u00e9cies de \u00e1rvores da Amaz\u00f4nia que listou 11.676 esp\u00e9cies (ver\u00a0).<\/p>\n<p>A primeira estimativa foi estat\u00edstica com base em dados ecol\u00f3gicos compilados de 1.170 invent\u00e1rios de plantas, enquanto o segundo levantamento foi baseado nas informa\u00e7\u00f5es de mais de 200 museus, universidades, herb\u00e1rios e jardins bot\u00e2nicos,\u00a0reunidas em duas grandes bases de dados, o\u00a0\u00a0e o\u00a0\u00a0(que tem apoio da FAPESP) por\u00e9m sem o mesmo rigor cient\u00edfico de uma verifica\u00e7\u00e3o taxon\u00f4mica.<\/p>\n<p>Cardoso \u00e9 um taxonomista especializado no estudo da grande fam\u00edlia das leguminosas (Fabaceae). Trata-se da terceira maior fam\u00edlia de plantas terrestres em n\u00famero de esp\u00e9cies (mais de 19 mil). Na nova lista, dentro do universo total de 14.003 esp\u00e9cies de plantas nativas da Amaz\u00f4nia, as leguminosas possuem a maior representa\u00e7\u00e3o, com cerca de 1.380 esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Mas o bioma que \u00e9 foco principal de estudo de Cardoso n\u00e3o \u00e9 a Amaz\u00f4nia, e sim o das florestas tropicais sazonalmente secas, que inclui a Caatinga. Foi tamb\u00e9m gra\u00e7as a esse conhecimento espec\u00edfico e sua forma\u00e7\u00e3o taxon\u00f4mica que ele come\u00e7ou a suspeitar que haveria alguma coisa errada no levantamento anterior da diversidade de \u00e1rvores da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>\u201cQuando bati os olhos na listagem de esp\u00e9cies daquela compila\u00e7\u00e3o de 2016, rapidamente identifiquei cerca de 400 nomes de esp\u00e9cies que s\u00f3 ocorrem na Caatinga ou que eram completamente desatualizados ou duplicados\u201d, disse.<\/p>\n<p>A constata\u00e7\u00e3o de tamanha incorre\u00e7\u00e3o levou Cardoso e sua colega Tiina S\u00e4rkinen, do Royal Botanic Gardens Edinburgh da Esc\u00f3cia, al\u00e9m de seu colega e antigo supervisor, o bot\u00e2nico Luciano Paganucci de Queiroz, da Universidade Estadual de Feira de Santana, a dar in\u00edcio a uma verifica\u00e7\u00e3o completa da validade dos nomes daquela lista, um trabalho de f\u00f4lego que contou com a colabora\u00e7\u00e3o de 44 cientistas das oito na\u00e7\u00f5es amaz\u00f4nicas, bem como de pesquisadores dos Estados Unidos e da Europa.<\/p>\n<p>A equipe descobriu que a inser\u00e7\u00e3o incorreta daquelas centenas de esp\u00e9cies da Caatinga e de nomes duplicados ou sin\u00f4nimos na listagem amaz\u00f4nica era apenas a ponta do iceberg. \u201cA revis\u00e3o cuidadosa mostrou que 40% dos nomes citados como \u00e1rvores amaz\u00f4nicas continham algum tipo de erro\u201d, disse Queiroz.<\/p>\n<p>As incorre\u00e7\u00f5es encontradas eram decorrentes de uma s\u00e9rie de confus\u00f5es. Como, por exemplo, a inclus\u00e3o de refer\u00eancias m\u00faltiplas \u00e0s mesmas plantas, como o angico, que entrou duas vezes na lista, uma com seu nome oficial (Anadenanthera colubrina) e a outra com um sin\u00f4nimo que caiu em desuso h\u00e1 mais de 20 anos (Anadenanthera macrocarpa). \u201cDuas esp\u00e9cies de \u00e1rvores da fam\u00edlia da goiaba (Myrtaceae) foram citadas erroneamente mais de 20 vezes\u201d, disse Cardoso.<\/p>\n<p>Fontes prim\u00e1rias<\/p>\n<p>Outro tipo comum de incorre\u00e7\u00e3o verificado na listagem foi a inclus\u00e3o de plantas nativas de outras regi\u00f5es do Brasil e do mundo, ou mesmo de esp\u00e9cies cultivadas na Amaz\u00f4nia, por\u00e9m de origem diversa.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 casos de plantas que s\u00f3 ocorrem no leste do Brasil, uma delas bastante conhecida de n\u00f3s, como o pau-brasil (Paubrasilia echinata), e tamb\u00e9m de plantas de outros continentes como a Austr\u00e1lia (Acacia podalyriifolia) ou \u00c1frica (Vachellia nilotica). H\u00e1 plantas cultivadas como ornamentais, como a norte-americana magn\u00f3lia (Magnolia grandiflora), ou com usos medicinais como a asi\u00e1tica moringa (Moringa oleifera)\u201d, disse Cardoso.<\/p>\n<p>Na listagem de esp\u00e9cies de \u00e1rvores verificou-se a inclus\u00e3o de refer\u00eancias que nem \u00e1rvores eram, \u201ccomo o carrapicho (Desmodium barbatum), uma plantinha de poucos cent\u00edmetros de altura\u201d, disse.<\/p>\n<p>De acordo com Cardoso, os erros podem ter ocorrido por conta das fontes de dados utilizadas. \u201cAs cole\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas, em museus e herb\u00e1rios, s\u00e3o testemunhos materiais de tudo o que se conhece sobre a biodiversidade, por\u00e9m a compila\u00e7\u00e3o destes dados a partir de bancos de dados on-line, como GBIF e SpeciesLink, n\u00e3o deve ser feita sem uma verifica\u00e7\u00e3o criteriosa sobre a validade dos nomes\u201d, disse.<\/p>\n<p>Um diferencial deste novo estudo foi o uso de informa\u00e7\u00f5es taxon\u00f4micas atualizadas, verificadas por centenas de especialistas do mundo todo durante a produ\u00e7\u00e3o de cat\u00e1logos de esp\u00e9cies de plantas nacionais, como o\u00a0.<\/p>\n<p>\u201cEssa plataforma digital representa o ac\u00famulo de centenas de anos de trabalhos de campo na Amaz\u00f4nia, o esfor\u00e7o de centenas de taxonomistas. Cat\u00e1logos como esse, taxonomicamente validados, fornecem bases s\u00f3lidas para o entendimento sobre a evolu\u00e7\u00e3o e a ecologia dessa floresta monumental frente \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e outras mudan\u00e7as ambientais\u201d, afirmam Cardoso e S\u00e4rkinen.<\/p>\n<p>A Biologia \u00e9 uma ci\u00eancia classificat\u00f3ria, e desde o tempo de Carolus Linnaeus (1707-1778), o formulador do sistema de classifica\u00e7\u00e3o taxon\u00f4mica, nomes t\u00eam sido dados \u00e0s esp\u00e9cies da natureza. Esse trajeto foi marcado pela cria\u00e7\u00e3o de uma profus\u00e3o de sin\u00f4nimos para esp\u00e9cies anteriormente descritas, pois s\u00f3 \u00e9 v\u00e1lida a primeira descri\u00e7\u00e3o feita.<\/p>\n<p>Entre os 11.676 nomes de esp\u00e9cies listados a partir da compila\u00e7\u00e3o de cole\u00e7\u00f5es de herb\u00e1rio h\u00e1 muito material desatualizado, da\u00ed a vasta sinon\u00edmia.<\/p>\n<p>\u201cApesar de nosso artigo n\u00e3o ter sido escrito como uma cr\u00edtica \u00e0s listas publicadas anteriormente, ele n\u00e3o deixa de contrap\u00f4-las e nessa confronta\u00e7\u00e3o apontar erros. Fundamentalmente, a falta de expertise taxon\u00f4mica levou ao pressuposto ing\u00eanuo de que a informa\u00e7\u00e3o dos reposit\u00f3rios de dados pode ser consumida em seu estado prim\u00e1rio, levando a uma superestima\u00e7\u00e3o da diversidade\u201d, disse.<\/p>\n<p>A grande colabora\u00e7\u00e3o internacional que reuniu taxonomistas da Am\u00e9rica do Sul, Estados Unidos e Europa foi resultado do apoio de diversas ag\u00eancias de fomento, entre elas indiretamente a FAPESP, por meio do projeto &#8220;&#8221;, do qual Cardoso e Queiroz participaram.<\/p>\n<p>\u201cNossa experi\u00eancia pr\u00e9via na flora da Caatinga permitiu verificar os erros naquelas listagens\u201d, disse Cardoso. Ele e Queiroz creditam a experi\u00eancia, em parte, \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o de ambos com o Projeto Nordeste.<\/p>\n<p>Para os pesquisadores, \u00e9 importante destacar que a nova lista de 6.727 esp\u00e9cies de \u00e1rvores amaz\u00f4nicas reflete bem o conhecimento atual, mas que ainda h\u00e1 uma enorme necessidade de invent\u00e1rios a serem feitos na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>\u201cExistem vazios gigantescos de coletas. Algumas \u00e1reas onde nunca se coletou uma planta s\u00e3o maiores do que as \u00e1reas de alguns estados brasileiros. Certamente, h\u00e1 muitas esp\u00e9cies novas esperando para serem conhecidas pela ci\u00eancia\u201d, acrescentam.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0Amazon plant diversity revealed by a taxonomically verified species list\u00a0(doi: 10.1073\/pnas.1706756114), de Domingos Cardoso, Tiina S\u00e4rkinen, Luciano Paganucci de Queiroz e outros, pode ser lido em\u00a0.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Peter Moon\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Qual \u00e9 o n\u00famero de plantas da maior e mais diversa floresta tropical \u00famida do planeta? Um estudo liderado por brasileiros acaba de chegar ao seguinte resultado: a diversidade de plantas da Amaz\u00f4nia compreende 14.003 esp\u00e9cies de plantas com sementes (angiospermas e gimnospermas). A maioria (52%) s\u00e3o arbustos, cip\u00f3s, trepadeiras, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":34905,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":{"0":"post-124064","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"entry","9":"gs-1","10":"gs-odd","11":"gs-even","12":"gs-featured-content-entry"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/codigo-florestal.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124064","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=124064"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124064\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/34905"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=124064"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=124064"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=124064"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}