{"id":121768,"date":"2017-09-22T00:06:40","date_gmt":"2017-09-22T03:06:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=121768"},"modified":"2017-09-21T16:17:48","modified_gmt":"2017-09-21T19:17:48","slug":"alimentacao-e-chave-para-aumento-de-produtividade-na-criacao-intensiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/alimentacao-e-chave-para-aumento-de-produtividade-na-criacao-intensiva\/121768","title":{"rendered":"Alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 chave para aumento de produtividade na cria\u00e7\u00e3o intensiva"},"content":{"rendered":"<p> Heitor Shimizu, de Lincoln (EUA) | Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Melhorar a <strong><em>produtividade na pecu\u00e1ria brasileira<\/em><\/strong> implica n\u00e3o apenas encontrar maneiras de fazer com que o gado produza mais carne ou mais leite, mas tamb\u00e9m enfrentar problemas como doen\u00e7as. Uma delas \u00e9 a acidose ruminal. No animal afetado h\u00e1 intensa produ\u00e7\u00e3o de \u00e1cido l\u00e1ctico e queda no pH do r\u00famen, o primeiro compartimento do est\u00f4mago dos ruminantes \u2013 tamb\u00e9m conhecido como pan\u00e7a. A acidose tem grande import\u00e2ncia na pecu\u00e1ria, uma vez que atinge principalmente animais mantidos em sistema intensivo de cria\u00e7\u00e3o. A taxa de mortalidade \u00e9 alta mesmo nos casos tratados.<\/p>\n<p>Em estudo realizado por\u00a0\u00a0e\u00a0na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Dracena, em 2014, a acidose apareceu como o segundo maior problema de sa\u00fade reportado por nutricionistas de gado confinado, com 37,5%, atr\u00e1s apenas de problemas respirat\u00f3rios, com 40,4%, e bem \u00e0 frente da cisticercose, com 9,4%.<\/p>\n<p>Na\u00a0, que re\u00fane pesquisadores dos Estados Unidos e do Brasil at\u00e9 22 de setembro nas cidades de Lincoln (Nebraska) e Lubbock (Texas), Millen apresentou resultados de estudos realizados com nutricionistas e de pesquisas que conduz sobre alimenta\u00e7\u00e3o de ruminantes. Os dados obtidos permitem tra\u00e7ar um cen\u00e1rio da evolu\u00e7\u00e3o das recomenda\u00e7\u00f5es nutricionais e de pr\u00e1ticas de gerenciamento empregadas na produ\u00e7\u00e3o de gado confinado no Brasil.<\/p>\n<p>\u201cFizemos tr\u00eas estudos, em 2009, 2011 e 2015, a partir de question\u00e1rios com cerca de 80 perguntas t\u00e9cnicas dirigidas a nutricionistas que trabalham com gado confinado em todo o pa\u00eds. Seguimos um modelo desenvolvido nos Estados Unidos pelo professor Michael Galyean, atualmente pr\u00f3-reitor de pesquisa da Texas Tech University. Quando se faz um levantamento desses, para se ter certeza dos resultados, \u00e9 preciso abranger 80% ou 90% do nicho que voc\u00ea quer abordar. No Brasil, trabalhamos no primeiro estudo com 31 nutricionistas e, nos outros dois, com 33. Eles s\u00e3o respons\u00e1veis por algo em torno de 90% de todo o gado confinado no pa\u00eds\u201d, disse \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Millen conta que os artigos publicados a partir dos resultados desses tr\u00eas estudos \u2013 que contaram com apoio da FAPESP \u2013, al\u00e9m de terem sido muito citados, t\u00eam auxiliado v\u00e1rios outros grupos de pesquisa a gerar hip\u00f3teses novas e tamb\u00e9m contribu\u00eddo para que produtores avaliem suas pr\u00e1ticas. \u201cProdutores e nutricionistas podem ver, por exemplo, o que outros profissionais est\u00e3o colocando nas dietas e melhorar suas cria\u00e7\u00f5es\u201d, disse.<\/p>\n<p>Entre as publica\u00e7\u00f5es est\u00e3o\u00a0(Animal Feed Science and Technology, 2014 \u2013 ) e\u00a0\u00a0(Journal of Animal Science, 2009 \u2013 ).<\/p>\n<p>Aditivos manipuladores de fermenta\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Os estudos com nutricionistas indicaram que a quantidade de concentrado alimentar tem aumentado desde 2009. Isso significa o uso de maior quantidade de carboidratos, que podem estimular problemas como a acidose.<\/p>\n<p>\u201cTodo ruminante \u2013 bovinos, caprinos ou outros \u2013, tem uma c\u00e2mara de fermenta\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o r\u00famen. L\u00e1 s\u00e3o produzidos gases e \u00e1cidos. A maior parte da energia que o ruminante usa para produzir leite ou ganhar peso \u00e9 oriunda dos \u00e1cidos produzidos no r\u00famen. Ent\u00e3o, \u00e9 preciso formar \u00e1cido, que \u00e9 absorvido pela parede do r\u00famen, vai para o f\u00edgado e \u00e9 usado pelo animal como energia\u201d, disse Millen.<\/p>\n<p>O problema, explica o pesquisador, \u00e9 quando h\u00e1 excesso de fermenta\u00e7\u00e3o. \u201cQuando a taxa de produ\u00e7\u00e3o de \u00e1cidos \u00e9 muito mais alta do que a de absor\u00e7\u00e3o, de retirada do r\u00famen, ocorre o dist\u00farbio chamado de timpanismo, decorrente da acidose, e o animal incha pelo ac\u00famulo anormal de gases no est\u00f4mago. O r\u00famen aumenta de tamanho e o animal fica com dificuldade de respirar, podendo morrer\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u201cA quest\u00e3o \u00e9 que, para aumentar a produtividade, \u00e9 preciso colocar na alimenta\u00e7\u00e3o produtos de maior qualidade, que tamb\u00e9m s\u00e3o carboidratos que fermentam muito r\u00e1pido, de modo que o animal ganhe mais peso e produza mais leite e mais rapidamente, e n\u00e3o d\u00e1 para fazer isso somente em pasto\u201d, disse.<\/p>\n<p>Uma alternativa para diminuir o problema \u00e9 o uso de aditivos na alimenta\u00e7\u00e3o, que levem o animal a produzir menos \u00e1cidos que possam causar problemas.<\/p>\n<p>\u201cEm nosso grupo, temos pesquisado aditivos, que s\u00e3o microingredientes fornecidos aos animais em doses de 1 ou 2 gramas por dia. Eles exercem papel ben\u00e9fico no r\u00famen, na fermenta\u00e7\u00e3o. Dentre os \u00e1cidos produzidos no r\u00famen h\u00e1 \u00e1cidos fracos e fortes. Os \u00e1cidos fracos s\u00e3o mais ben\u00e9ficos para o animal ganhar peso e produzir leite. Ou seja, s\u00e3o aqueles que t\u00eam menor capacidade de fazer o pH cair. Entre os \u00e1cidos fortes h\u00e1 o conhecido \u00e1cido l\u00e1ctico, que o animal tem menos capacidade de absorver\u201d, disse Millen.<\/p>\n<p>\u201cUsamos aditivos, como os ion\u00f3foros [mol\u00e9culas sol\u00faveis em lip\u00eddios], que matam parte das bact\u00e9rias que levam \u00e0 produ\u00e7\u00e3o do \u00e1cido l\u00e1ctico. Com esses aditivos, podemos controlar a produ\u00e7\u00e3o de \u00e1cido l\u00e1ctico e \u00e9 muito menos prov\u00e1vel que o animal tenha acidose e timpanismo\u201d, disse. Hoje, a maioria dos criadores de gado confinado no Brasil usa ion\u00f3foros na alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os pesquisadores do grupo de Millen encontraram evid\u00eancias de que o gado Nelore pode ser mais sens\u00edvel \u00e0 acidose do que outras ra\u00e7as, como as criadas nos Estados Unidos e Europa. Estudos futuros ser\u00e3o realizados para investigar a quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro foco do grupo est\u00e1 em estudos de adapta\u00e7\u00e3o. Os pesquisadores investigaram, por exemplo, qual seria o tempo m\u00ednimo ideal de transi\u00e7\u00e3o, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o dos animais do pasto para o confinamento.<\/p>\n<p>\u201cQuatorze dias \u00e9 a janela m\u00ednima que observamos para retirar o animal do pasto e faz\u00ea-lo comer cerca de 80% ou 85% de concentrado. \u00c9 o intervalo para transicionar o animal, mudar sua dieta gradualmente de modo a tentar evitar problemas digestivos, como a acidose\u201d, disse Millen.<\/p>\n<p>Millen \u00e9 tamb\u00e9m um dos editores de\u00a0\u00a0(2016), sobre nutri\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de ruminantes. O livro destaca tamb\u00e9m uma grande variedade de aspectos que envolvem o r\u00famen, como sua anatomia, fisiologia, microbiologia, fermenta\u00e7\u00e3o e metabolismo.<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es sobre a FAPESP Week Nebraska-Texas:\u00a0.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Heitor Shimizu, de Lincoln (EUA) | Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Melhorar a produtividade na pecu\u00e1ria brasileira implica n\u00e3o apenas encontrar maneiras de fazer com que o gado produza mais carne ou mais leite, mas tamb\u00e9m enfrentar problemas como doen\u00e7as. Uma delas \u00e9 a acidose ruminal. 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