{"id":121597,"date":"2017-09-20T00:08:25","date_gmt":"2017-09-20T03:08:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=121597"},"modified":"2017-09-19T19:20:40","modified_gmt":"2017-09-19T22:20:40","slug":"novas-tecnologias-permitem-aumentar-a-eficiencia-na-agricultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/novas-tecnologias-permitem-aumentar-a-eficiencia-na-agricultura\/121597","title":{"rendered":"Novas tecnologias permitem aumentar a efici\u00eancia na agricultura"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo, de Lincoln (EUA) \u00a0| \u00a0Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Estima-se que at\u00e9 o ano de 2050 a popula\u00e7\u00e3o humana aumente mais de 30%. Nesse mesmo per\u00edodo, segundo proje\u00e7\u00f5es da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a <strong><em>Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura<\/em><\/strong> (FAO, na sigla em ingl\u00eas), o consumo de carne crescer\u00e1 quase 73% e o de produtos derivados do leite, 58%.<\/p>\n<p>Por outro lado, a \u00e1rea de terra ar\u00e1vel aumentar\u00e1 apenas 5% e os produtores agr\u00edcolas ter\u00e3o de lidar com os desafios trazidos pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e por regula\u00e7\u00f5es ambientais cada vez mais r\u00edgidas.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do professor F\u00e1bio Marin, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), o ganho de efici\u00eancia na agricultura \u00e9 a \u00fanica maneira de garantir a seguran\u00e7a alimentar da popula\u00e7\u00e3o humana no futuro e, ao mesmo tempo, proteger os ecossistemas naturais.<\/p>\n<p>O tema foi destaque na manh\u00e3 de segunda-feira (18\/09) na\u00a0, que tem como objetivo fomentar a colabora\u00e7\u00e3o entre cientistas do Brasil e dos Estados Unidos. O evento, que ocorre at\u00e9 18 de setembro, \u00e9 organizado pela FAPESP em parceria com a University of Nebraska \u2013 Lincoln e a Texas Tech University.<\/p>\n<p>\u201cA palavra-chave \u00e9 intensifica\u00e7\u00e3o [da agricultura]. Precisamos produzir mais, por\u00e9m, o aumento de produ\u00e7\u00e3o tem de vir do ganho em produtividade e n\u00e3o da expans\u00e3o da \u00e1rea plantada. E a modelagem agr\u00edcola \u00e9 uma ferramenta fundamental para isso\u201d, disse Marin.<\/p>\n<p>Diversos trabalhos desenvolvidos na Esalq com\u00a0\u00a0foram apresentados por Marin durante a palestra. Entre eles, um modelo que permite quantificar, nas diversas regi\u00f5es brasileiras, a efici\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o de cana-de-a\u00e7\u00facar. A ferramenta, descrita este ano no\u00a0, permite ainda calcular a produtividade m\u00e1xima que pode ser alcan\u00e7ada em cada \u00e1rea.<\/p>\n<p>\u201cEsse modelo foi baseado em um experimento que conduzimos durante cinco anos em Piracicaba (SP) e um ano em Petrolina (PE). O que fizemos foi cultivar a cana-de-a\u00e7\u00facar com todas as condi\u00e7\u00f5es ideais para seu desenvolvimento. E observamos como, nessa situa\u00e7\u00e3o ideal, ocorriam os diversos processos fisiol\u00f3gicos, entre eles a fotoss\u00edntese e o crescimento das ra\u00edzes. Todos os dados foram colocados no modelo, para que ele se tornasse capaz de simular como a cana cresce\u201d, explicou Marin \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Com aux\u00edlio da ferramenta, os pesquisadores da Esalq fizeram um mapa da produtividade potencial das diversas regi\u00f5es brasileiras em que h\u00e1 cultivo de cana. Em seguida, compararam esses resultados com os dados de produtividade real aferidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>\u201cA conclus\u00e3o \u00e9 que nossa efici\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o de cana \u00e9 de apenas 50%, ou seja, produzimos metade do que seria poss\u00edvel nas condi\u00e7\u00f5es ideais\u201d, explicou o pesquisador.<\/p>\n<p>Segundo Marin, caso se atingisse os 100% de efici\u00eancia, seria poss\u00edvel atender a demanda por a\u00e7\u00facar e bioenergia prevista pelo Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento para 2024 e ainda reduzir a \u00e1rea plantada. Por\u00e9m, caso as coisas permane\u00e7am como est\u00e3o, ser\u00e3o necess\u00e1rios mais 2 milh\u00f5es de hectares de cana para atender a demanda brasileira no futuro.<\/p>\n<p>Efici\u00eancia na irriga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Como a agricultura \u00e9 a atividade econ\u00f4mica que mais consome \u00e1gua no mundo, e este insumo essencial para a vida humana est\u00e1 se tornando a cada dia mais escasso, o ganho de efici\u00eancia no setor agr\u00edcola necessariamente deve envolver novas tecnologias de irriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O tema foi abordado na palestra de Christopher Neale, diretor do Water for Food Institute, da University of Nebraska. Seu grupo tem trabalhado no desenvolvimento de sistemas de irriga\u00e7\u00e3o variada, ou seja, tecnologias capazes de \u201cprescrever\u201d a quantidade ideal que deve ser aspergida sobre a planta\u00e7\u00e3o levando em conta as diferen\u00e7as no solo e fatores clim\u00e1ticos como chuva, umidade do ar, radia\u00e7\u00e3o solar e vento, entre outros.<\/p>\n<p>\u201cNo campo agr\u00edcola t\u00edpico, o solo n\u00e3o \u00e9 uniforme. H\u00e1 manchas que diferem quanto a sua capacidade de reten\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, capacidade de infiltra\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso prestar aten\u00e7\u00e3o nesses fatores, pois a \u00e1gua em excesso pode causar eros\u00e3o\u201d, disse Neale.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, o sistema de irriga\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel permite aproveitar melhor a \u00e1gua da chuva, pois n\u00e3o deixa o solo saturado.<\/p>\n<p>\u201cVamos supor que temos a previs\u00e3o de que haver\u00e1 chuva daqui a tr\u00eas dias, mas a cultura precisa ser irrigada imediatamente para n\u00e3o entrar em estresse. Podemos fazer apenas uma irriga\u00e7\u00e3o leve para que, quando vier a chuva, o campo possa aproveitar aquela \u00e1gua\u201d, explicou.<\/p>\n<p>De acordo com Neale, a tecnologia de irriga\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel j\u00e1 \u00e9 realidade nos Estados Unidos \u2013 particularmente em Nebraska, onde a agricultura representa parte relevante da economia. Por\u00e9m, o custo ainda \u00e9 elevado e os agricultores n\u00e3o est\u00e3o convencidos de seus benef\u00edcios.<\/p>\n<p>\u201cEstamos fazendo estudos justamente para mensurar esses benef\u00edcios. Buscamos avaliar o quanto o consumo de \u00e1gua \u00e9 reduzido e, consequentemente, o consumo de energia usada no bombeamento. O quanto diminui a eros\u00e3o do solo e a lixivia\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o transporte dos fertilizantes para abaixo da regi\u00e3o em que ocorre a absor\u00e7\u00e3o de nutrientes pelas ra\u00edzes \u2013 o que pode contaminar os aqu\u00edferos\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Segundo Neale, o estado de Nebraska tem 3,4 milh\u00f5es de hectares irrigados \u2013 a maior parte composta por planta\u00e7\u00f5es de milho e de soja. O n\u00famero n\u00e3o fica longe do total de \u00e1reas irrigadas no Brasil, que \u00e9 de 5,5 milh\u00f5es de hectares.<\/p>\n<p>Novas tecnologias para aumentar a efici\u00eancia na irriga\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi o tema da palestra de Fernando Braz Tangerino Hernandez, professor da Faculdade de Engenharia (FEIS) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Ilha Solteira.<\/p>\n<p>Seu grupo desenvolveu um m\u00e9todo para estimar as perdas de \u00e1gua no campo por um processo chamado evapotranspira\u00e7\u00e3o \u2013 que inclui tanto a transpira\u00e7\u00e3o das folhas como a evapora\u00e7\u00e3o do solo.<\/p>\n<p>\u201cUsamos dados de oito esta\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas espalhadas no noroeste paulista para estimar a transfer\u00eancia de \u00e1gua para a atmosfera e assim calcular em larga escala o quanto \u00e9 preciso repor\u201d, explicou.<\/p>\n<p>As esta\u00e7\u00f5es medem fatores como temperatura, velocidade e dire\u00e7\u00e3o do vento, umidade do ar e radia\u00e7\u00e3o solar. Esses dados s\u00e3o divulgados na internet a cada cinco minutos.<\/p>\n<p>Por meio de um software nomeado SMAI (Sistema para Manejo de Agricultura Irrigada), dispon\u00edvel para download gratuito, \u00e9 poss\u00edvel fazer os c\u00e1lculos da irriga\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria (mais informa\u00e7\u00f5es em:\u00a0).<\/p>\n<p>J\u00e1 o desenvolvimento de tecnologias para monitoramento de seca e a cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas para mitigar seus impactos foi o tema da palestra de Mark Svoboda, diretor do National Drought Mitigation Center \u2013 University of Nebraska-Lincoln.<\/p>\n<p>\u201cNosso objetivo \u00e9 produzir informa\u00e7\u00f5es que sejam \u00fateis e, ao mesmo tempo, poss\u00edveis de serem aplicada no campo. Trabalhamos com os fazendeiros para tentar entender suas necessidades\u201d, contou Svoboda.<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es sobre a FAPESP Week Nebraska-Texas:\u00a0.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo, de Lincoln (EUA) \u00a0| \u00a0Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Estima-se que at\u00e9 o ano de 2050 a popula\u00e7\u00e3o humana aumente mais de 30%. 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