{"id":119131,"date":"2017-08-16T00:08:12","date_gmt":"2017-08-16T03:08:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=119131"},"modified":"2017-08-15T17:44:30","modified_gmt":"2017-08-15T20:44:30","slug":"sao-paulo-devera-ter-mais-chuva-nos-proximos-anos-indica-pesquisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/sao-paulo-devera-ter-mais-chuva-nos-proximos-anos-indica-pesquisa\/119131","title":{"rendered":"S\u00e3o Paulo dever\u00e1 ter mais chuva nos pr\u00f3ximos anos, indica pesquisa"},"content":{"rendered":"<p> Peter Moon \u00a0| \u00a0Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas est\u00e3o alterando o <strong><em>padr\u00e3o de chuvas no Brasil<\/em><\/strong>, particularmente no Sudeste. \u00c9 o que indica uma nova pesquisa que aponta um aumento m\u00e9dio tanto no volume de \u00e1gua quanto na m\u00e9dia de dias em que chove no Estado de S\u00e3o Paulo. O trabalho foi feito com mais de 70 anos de dados meteorol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>No Rio de Janeiro e no Esp\u00edrito Santo, a estimativa \u00e9 de redu\u00e7\u00e3o no volume m\u00e9dio da precipita\u00e7\u00e3o para os pr\u00f3ximos anos, mas com concentra\u00e7\u00e3o em menos dias e ocorr\u00eancia de mais eventos extremos. Ou seja, dever\u00e1 chover menos, mas com chuva mais intensa e tempestades mais frequentes.<\/p>\n<p>As conclus\u00f5es est\u00e3o em artigo\u00a0\u00a0no\u00a0International\u00a0Journal of Climatology.<\/p>\n<p>\u201cUm modo interessante de entender as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u00e9 pensar em um clima com esteroides anabolizantes. Estamos vendo em todo o mundo o aumento da frequ\u00eancia de eventos extremos. O intuito de nossa pesquisa foi tentar entender como isso est\u00e1 ocorrendo no Sudeste brasileiro, a regi\u00e3o mais populosa do pa\u00eds\u201d, disse\u00a0, professora associada no Departamento de Geografia da University of California em Santa Barbara, uma das autoras da pesquisa.<\/p>\n<p>Outra autora, Marcia Zilli, doutoranda no mesmo departamento, sob orienta\u00e7\u00e3o de Carvalho, explica que a pesquisa partiu da reuni\u00e3o e an\u00e1lise dos dados meteorol\u00f3gicos da regi\u00e3o Sudeste provenientes de duas fontes: a Divis\u00e3o de Ci\u00eancias F\u00edsicas do Earth System Research Laboratory, no Colorado, e as 36 esta\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas individuais no Sudeste brasileiro operadas por diferentes ag\u00eancias brasileiras, com dados disponibilizados pela Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas.<\/p>\n<p>\u201cEmbora a grande maioria dos dados obtidos esteja circunscrita a um per\u00edodo de mais de 70 anos, compreendido entre 1938 e 2012, v\u00e1rias esta\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas t\u00eam registros mais antigos, das d\u00e9cadas de 1910 e 1920. De uma esta\u00e7\u00e3o meteorol\u00f3gica na cidade de S\u00e3o Paulo, conseguimos dados desde 1888\u201d, disse Zilli.<\/p>\n<p>Participaram do estudo Brant Liebmann, da National Oceanic and Atmospheric Administration, e\u00a0, professora titular no Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas (IAG) da Universidade de S\u00e3o Paulo. Assun\u00e7\u00e3o foi a orientadora de doutoramento de Carvalho. O trabalho contou com apoio da FAPESP.<\/p>\n<p>Os pesquisadores focalizaram o per\u00edodo de maior precipita\u00e7\u00e3o no Sudeste brasileiro, que vai de outubro a mar\u00e7o. Ao longo da amostragem, verificaram a quantidade de dias sem chuva, a quantidade de dias com chuvas fracas (menos de 5 mil\u00edmetros) e a quantidade de dias com chuvas intensas ou extremas, e tempestades.<\/p>\n<p>\u201cA manipula\u00e7\u00e3o estat\u00edstica do conjunto dos dados serviu para estabelecer quais foram os padr\u00f5es do regime de chuvas na regi\u00e3o Sudeste verificados at\u00e9 o momento e, a partir disso, projetar as tend\u00eancias para o futuro\u201d, disse Zilli.<\/p>\n<p>Observou-se que as precipita\u00e7\u00f5es est\u00e3o diminuindo na parte norte da regi\u00e3o Sudeste, sobre o Rio de Janeiro e o Esp\u00edrito Santo, e aumentando no Sul. E a tend\u00eancia \u00e9 que esse padr\u00e3o continue nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>\u201cEssas tend\u00eancias est\u00e3o se tornando mais dram\u00e1ticas. Isso vai ficar mais frequente e pior. Onde chove muito vai chover mais. Onde h\u00e1 seca vai ficar mais seco. O governo e a popula\u00e7\u00e3o precisam entender o que est\u00e1 acontecendo com o clima para planejar e melhor se adaptar \u00e0s mudan\u00e7as\u201d, disse Carvalho.<\/p>\n<p>Silva Dias destaca que a concentra\u00e7\u00e3o da chuva em menos dias no Rio de Janeiro \u00e9 um indicador de tend\u00eancia \u00e0 aridez, mas n\u00e3o o \u00fanico. \u201cO manejo do solo, sua cobertura vegetal, enfim, fatores associados ao equil\u00edbrio do ecossistema s\u00e3o igualmente importantes. Eles tamb\u00e9m s\u00e3o uma forma poss\u00edvel de impacto na altera\u00e7\u00e3o do regime das chuvas\u201d, disse.<\/p>\n<p>Padr\u00e3o de extremos<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores, as altera\u00e7\u00f5es no regime de chuvas observadas para a regi\u00e3o Sudeste est\u00e3o inseridas em um contexto maior, pois um dos sinais mais robustos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas no Brasil \u00e9 justamente o secamento no Norte e no Nordeste e o umedecimento no Sul e no Sudeste.<\/p>\n<p>Muito embora os dados analisados no trabalho terminem em 2012 \u2013 portanto n\u00e3o incluindo o per\u00edodo da seca do ver\u00e3o de 2014\/2015 \u2013, \u201cao se acrescentar os dados mais recentes o que se verifica \u00e9 que a tend\u00eancia se mant\u00e9m inalterada. A seca de 2014\/2015 foi um ponto fora da curva\u201d, disse Zilli.<\/p>\n<p>Silva Dias ressalta que a seca entre 2014 e 2015 faz parte de um padr\u00e3o global de extremos. \u201cAo mesmo tempo que em S\u00e3o Paulo tivemos seca, aconteceram inunda\u00e7\u00f5es extremas na regi\u00e3o Norte do Brasil. Pontos fora da curva, para mais e para menos, seguindo essa tend\u00eancia, devem aparecer com maior frequ\u00eancia nos pr\u00f3ximos anos do que no passado\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u201cOs efeitos sobre a cidade de S\u00e3o Paulo j\u00e1 est\u00e3o sendo sentidos com grande intensidade. Os extremos est\u00e3o ficando cada vez mais intensos. As ilhas de calor em uma cidade do tamanho de S\u00e3o Paulo criam condi\u00e7\u00f5es para a forma\u00e7\u00e3o de tempestades. A proximidade do oceano Atl\u00e2ntico ajuda a forma\u00e7\u00e3o dessas tempestades com o fornecimento de vapor d&#8217;\u00e1gua\u201d, disse a professora do IAG.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0A comprehensive analysis of trends in extreme precipitation over southeastern coast of Brazil\u00a0(doi: 10.1002\/joc.4840), de Marcia T. Zilli, Leila M. V. Carvalho, Brant Liebmann, Maria A. Silva Dias, pode ser lido em.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Peter Moon \u00a0| \u00a0Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas est\u00e3o alterando o padr\u00e3o de chuvas no Brasil, particularmente no Sudeste. \u00c9 o que indica uma nova pesquisa que aponta um aumento m\u00e9dio tanto no volume de \u00e1gua quanto na m\u00e9dia de dias em que chove no Estado de S\u00e3o Paulo. 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