{"id":117462,"date":"2017-07-21T00:07:30","date_gmt":"2017-07-21T03:07:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=117462"},"modified":"2017-07-20T12:36:36","modified_gmt":"2017-07-20T15:36:36","slug":"metade-dos-adultos-com-ansiedade-ou-depressao-em-sao-paulo-apresenta-dor-cronica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/metade-dos-adultos-com-ansiedade-ou-depressao-em-sao-paulo-apresenta-dor-cronica\/117462","title":{"rendered":"Metade dos adultos com ansiedade ou depress\u00e3o em S\u00e3o Paulo apresenta dor cr\u00f4nica"},"content":{"rendered":"<p> Maria Fernanda Ziegler | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 H\u00e1 uma forte rela\u00e7\u00e3o bidirecional entre ansiedade ou depress\u00e3o e algumas <strong><em>doen\u00e7as f\u00edsicas cr\u00f4nicas<\/em><\/strong>. Pesquisadores do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo mensuraram essa rela\u00e7\u00e3o em pessoas adultas residentes na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo e os dados s\u00e3o alarmantes.<\/p>\n<p>A dor cr\u00f4nica foi a mais comum entre os indiv\u00edduos com transtorno de humor \u2013 como depress\u00e3o e bipolaridade \u2013, ocorrendo em 50% dos casos de transtornos de humor, seguidos por doen\u00e7as respirat\u00f3rias (33%), doen\u00e7a cardiovascular (10%), artrite (9%) e diabetes (7%).<\/p>\n<p>Os dist\u00farbios de ansiedade tamb\u00e9m s\u00e3o largamente associados com dor cr\u00f4nica (45%) e doen\u00e7as respirat\u00f3rias ( 30%), assim como com artrite e doen\u00e7as cardiovasculares (11% cada). A hipertens\u00e3o foi associada a ambos os dist\u00farbios em 23%. O resultado do estudo \u00e9 que indiv\u00edduos com transtornos de humor ou de ansiedade tiveram duas vezes mais chance de apresentar doen\u00e7as cr\u00f4nicas.<\/p>\n<p>O artigo, publicado no ,\u00a0faz parte do S\u00e3o Paulo Megacity Mental Health Survey, levantamento conclu\u00eddo em 2009 no \u00e2mbito do Projeto Tem\u00e1tico , financiado pela FAPESP. Ao todo, foram entrevistados 5.037 moradores da Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo, com 18 anos ou mais (Mais informa\u00e7\u00f5es sobre S\u00e3o Paulo Megacity Mental Health Survey em ).<\/p>\n<p>Os dados mostram a necessidade de maior aten\u00e7\u00e3o ao tema. \u201cJ\u00e1 era esperado que houvesse uma rela\u00e7\u00e3o forte entre essas doen\u00e7as. O problema \u00e9 que a preval\u00eancia de ansiedade e depress\u00e3o em S\u00e3o Paulo \u00e9 muito alta por causa do estresse. Com esses n\u00fameros precisamos atentar para a necessidade de passar a informa\u00e7\u00e3o para o m\u00e9dico que est\u00e1 na linha de frente, no atendimento prim\u00e1rio. \u00c9 preciso reconhecer a comorbidade de ansiedade e depress\u00e3o com as doen\u00e7as cr\u00f4nicas que n\u00e3o se resume apenas \u00e0 dor \u201d, disse Laura Helena Andrade, coordenadora do N\u00facleo de Epidemiologia Psiqui\u00e1trica do IPq e uma das autoras do estudo.<\/p>\n<p>Para entender a magnitude do problema \u00e9 preciso fazer uma conta simples. Dos cerca de 11 milh\u00f5es de moradores adultos da Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo, 10%, ou 1,1 milh\u00e3o de pessoas, tiveram depress\u00e3o nos \u00faltimos 12 meses. J\u00e1 os transtornos de ansiedade acometem mais de 2,2 milh\u00f5es de paulistanos, sendo que 990 mil apresentam dor cr\u00f4nica tamb\u00e9m. Seguindo esse c\u00e1lculo, no total, mais de 2 milh\u00f5es de pessoas convivem com depress\u00e3o ou ansiedade associadas \u00e0 dor cr\u00f4nica na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Ante esse cen\u00e1rio, os pesquisadores afirmam no estudo a necessidade clara de tornar o diagn\u00f3stico e o tratamento da sa\u00fade mental uma prioridade no sistema de sa\u00fade. Andrade alerta ainda que o esperado \u00e9 que a preval\u00eancia dessas doen\u00e7as aumente nos pr\u00f3ximos anos na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u201cAo pesquisar a quest\u00e3o de sa\u00fade das cidades \u00e9 poss\u00edvel notar um aumento das preval\u00eancias de depress\u00e3o e ansiedade, muito provavelmente ligado \u00e0 altera\u00e7\u00e3o de estilo de vida na metr\u00f3pole. Ent\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel esperar que haja um aumento tamb\u00e9m em todo o pacote, n\u00e3o s\u00f3 de depress\u00e3o e ansiedade, mas tamb\u00e9m de outras doen\u00e7as como infarto, acidente vascular cerebral, diabetes, hipertens\u00e3o e dor\u201d, disse.<\/p>\n<p>Rela\u00e7\u00e3o antiga<\/p>\n<p>Estudos anteriores j\u00e1 haviam mostrado de forma consistente a associa\u00e7\u00e3o entre doen\u00e7as cr\u00f4nicas e transtornos de humor e ansiedade. Mas ainda n\u00e3o se sabe porque a rela\u00e7\u00e3o entre dor cr\u00f4nica e ansiedade ou depress\u00e3o \u00e9 t\u00e3o intensa, pois os mecanismos fisiopatol\u00f3gicos da dor cr\u00f4nica s\u00e3o pouco conhecidos.<\/p>\n<p>A comorbidade pode ser explicada a partir das limita\u00e7\u00f5es comportamentais devido a doen\u00e7as f\u00edsicas, que restringem o indiv\u00edduo a exercer atividades gratificantes.<\/p>\n<p>Andrade explica que, assim como as c\u00e9lulas do sistema de defesa s\u00e3o ativadas quando h\u00e1 uma invas\u00e3o por um agente pat\u00f3geno, o estresse psicol\u00f3gico em uma situa\u00e7\u00e3o ambiental \u2013 como, por exemplo, viver em uma cidade como S\u00e3o Paulo \u2013 acaba ativando o sistema inflamat\u00f3rio.<\/p>\n<p>\u201cAumento da inflama\u00e7\u00e3o, les\u00f5es do endot\u00e9lio \u2013 camada de c\u00e9lula presente em todos os vasos sangu\u00edneos \u2013 e danos oxidativos s\u00e3o algumas vias que podem estar relacionadas \u00e0 ocorr\u00eancia da comorbidade. Consequentemente, \u00e9 imperativo que sintomas depressivo-ansiosos sejam tratados agressivamente em pacientes com condi\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas cr\u00f4nicas, pois sua resolu\u00e7\u00e3o pode ser acompanhada por melhora geral sintom\u00e1tica e uma importante diminui\u00e7\u00e3o no risco de mortalidade e complica\u00e7\u00f5es\u201d, disse Andrade.<\/p>\n<p>No entanto, de acordo com a pesquisadora, ainda \u00e9 preciso fazer mais pesquisa enfocando a intera\u00e7\u00e3o entre depress\u00e3o, ansiedade e doen\u00e7as f\u00edsicas cr\u00f4nicas para elucidar os mecanismos pelos quais se originam as doen\u00e7as.<\/p>\n<p>O artigo Dual burden of chronic physical diseases and anxiety\/mood disorders among S\u00e3o Paulo Megacity Mental Health Survey Sample, Brazil (http:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0165032717308364), de Melanie S. Askari, Laura Helena Andrade, Alexandre Chiavegatto Filho, Camila Magalh\u00e3es Silveira, Erica Siu, Yuan-Pang Wang, Maria Carmen Viana, Silvia S. Martins, pode ser lido em . <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Fernanda Ziegler | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 H\u00e1 uma forte rela\u00e7\u00e3o bidirecional entre ansiedade ou depress\u00e3o e algumas doen\u00e7as f\u00edsicas cr\u00f4nicas. 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