{"id":115273,"date":"2017-06-16T00:07:10","date_gmt":"2017-06-16T03:07:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=115273"},"modified":"2017-06-15T20:06:26","modified_gmt":"2017-06-15T23:06:26","slug":"grande-sp-precisa-controlar-a-emissao-dos-veiculos-a-diesel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/grande-sp-precisa-controlar-a-emissao-dos-veiculos-a-diesel\/115273","title":{"rendered":"Grande SP precisa controlar a emiss\u00e3o dos ve\u00edculos a diesel"},"content":{"rendered":"<p> Maria Fernanda Ziegler | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Os n\u00fameros continuam alarmantes. Mas o fato \u00e9 que, mesmo que esteja longe de ser boa, a <strong><em>qualidade do ar na Grande S\u00e3o Paulo<\/em><\/strong> melhorou nos \u00faltimos 30 anos gra\u00e7as, principalmente, ao controle de emiss\u00f5es. Foi o que constatou a revis\u00e3o da qualidade do ar na megal\u00f3pole de S\u00e3o Paulo, publicada na revista .<\/p>\n<p>O estudo \u00e9 um resumo dos resultados alcan\u00e7ados no Projeto Tem\u00e1tico , que recebeu apoio da FAPESP at\u00e9 a sua conclus\u00e3o em 2016. Esse projeto contou com a participa\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios institutos da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e da Companhia Ambiental do Estado de S\u00e3o Paulo (Cetesb).<\/p>\n<p>Apesar do crescimento da frota \u2013 aumento de 76% de 2002 a 2012, alcan\u00e7ando 11 milh\u00f5es de ve\u00edculos em 2014 \u2013, as concentra\u00e7\u00f5es de poluentes diminu\u00edram nos \u00faltimos 10 anos, exceto para o g\u00e1s oz\u00f4nio e material particulado fino, ambos relacionados a problemas de sa\u00fade e transtornos cognitivos, principalmente em crian\u00e7as e idosos.<\/p>\n<p>\u201cO resultado \u00e9 vis\u00edvel. Mesmo com o incremento da frota, houve uma diminui\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 no valor absoluto nas emiss\u00f5es, mas tamb\u00e9m nas concentra\u00e7\u00f5es ambientais\u201d, disse Maria de F\u00e1tima de Andrade, uma das autoras do estudo, \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Mesmo assim, o sinal ainda \u00e9 amarelo: todos os anos na Grande S\u00e3o Paulo mais de 10 mil mortes est\u00e3o fortemente ligadas \u00e0 polui\u00e7\u00e3o por material particulado.<\/p>\n<p>\u201cEstamos no limite de controle de emiss\u00e3o de poluentes por ve\u00edculos leves. Se houver aumento da frota, e isso \u00e9 o esperado, haver\u00e1 um aumento da emiss\u00e3o e consequente aumento da concentra\u00e7\u00e3o ambiental. A estrat\u00e9gia \u00e9 diminuir a frota em circula\u00e7\u00e3o, ampliar o uso de transporte coletivo e buscar combust\u00edveis mais limpos, principalmente para os ve\u00edculos pesados, como \u00f4nibus, que usam diesel que ainda \u00e9 altamente poluente e que podem ser substitu\u00eddos, por exemplo, por combust\u00edveis mais limpos, incluindo os el\u00e9tricos ou h\u00edbridos\u201d, disse Andrade.<\/p>\n<p>A pesquisa \u2013 que contou com pesquisadores dos Institutos de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas, F\u00edsica, Qu\u00edmica, Geoci\u00eancias e Escola de Artes, Ci\u00eancias e Humanidades da USP \u2013 verificou mudan\u00e7as nas concentra\u00e7\u00f5es de poluentes na atmosfera da Grande S\u00e3o Paulo. Nos anos 1980, havia grande concentra\u00e7\u00e3o de \u00f3xidos de enxofre (SOx), mon\u00f3xido de carbono (CO), oz\u00f4nio (O3), nitratos (NOX) e alde\u00eddos (RCHO). Nessa d\u00e9cada, houve o in\u00edcio do controle das emiss\u00f5es industriais com a utiliza\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis com baixo teor de enxofre, ou mudan\u00e7as no combust\u00edvel de caldeiras industriais \u2013 e tamb\u00e9m a introdu\u00e7\u00e3o do Pro\u00e1lcool.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada seguinte houve queda nas concentra\u00e7\u00f5es de enxofre e aumento de hidrocarbonetos, alde\u00eddos e material particulado. N\u00e3o por acaso, foi na d\u00e9cada de 1990 que ocorreram medidas de controle nas ind\u00fastrias para redu\u00e7\u00e3o de polui\u00e7\u00e3o por enxofre e a institui\u00e7\u00e3o do rod\u00edzio veicular.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 ainda concentra\u00e7\u00f5es elevadas de hidrocarbonetos e material particulado associadas com o aumento do consumo de combust\u00edveis e da frota, com boa parte dela n\u00e3o atingindo os limites de emiss\u00e3o impostos pela legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 2000, come\u00e7ou-se a perceber nas medidas ambientais o efeito do controle de emiss\u00f5es da frota de ve\u00edculos leves em fun\u00e7\u00e3o da implanta\u00e7\u00e3o em 1986 do Programa de Controle da Polui\u00e7\u00e3o do Ar por Ve\u00edculos Automotores (Proconve).<\/p>\n<p>Dez anos depois, observou-se a queda de praticamente todos os poluentes, exceto o de hidrocarbonetos e material particulado. De acordo com Andrade, isso se deu por causa do aumento da frota e o consequente crescimento do uso de combust\u00edvel.<\/p>\n<p>\u201cApesar do controle das emiss\u00f5es por exaust\u00e3o (dos escapamentos), houve um aumento das emiss\u00f5es por evapora\u00e7\u00e3o (abastecimento e c\u00e1rter), o que explica a maior concentra\u00e7\u00e3o de hidrocarbonetos. J\u00e1 a manuten\u00e7\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o de material particulado se deu em virtude do atraso na implementa\u00e7\u00e3o da fase P7 do Proconve [para controle de emiss\u00f5es de part\u00edculas pelos ve\u00edculos pesados] e tamb\u00e9m pelo aumento da frota\u201d, disse.<\/p>\n<p>Tipo 100% paulistano<\/p>\n<p>A polui\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo tem suas especificidades. A megal\u00f3pole tem uma frota enorme e antiga. A m\u00e9dia de idade \u00e9 de nove anos para ve\u00edculos leves e 10 para caminh\u00f5es. Nos Estados Unidos e na Europa esses n\u00fameros s\u00e3o sete e oito, respectivamente. Al\u00e9m disso, no Brasil \u00e9 usado um combust\u00edvel diferente dos outros pa\u00edses, com o uso de etanol e biodiesel.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito do Projeto Tem\u00e1tico Nuance-SPS, pesquisadores, em um estudo recente, indicaram que os ve\u00edculos leves de S\u00e3o Paulo emitem 3,5 vezes mais formalde\u00eddos e acetalde\u00eddos que os da Calif\u00f3rnia. Outra constata\u00e7\u00e3o foi que as concentra\u00e7\u00f5es de hidrocarbonetos est\u00e3o em n\u00edveis mais altos que outras megacidades do mundo \u2013 como Pequim, Londres, Los Angeles e Paris \u2013, apesar da redu\u00e7\u00e3o dessas concentra\u00e7\u00f5es na Grande S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise das concentra\u00e7\u00f5es de poluentes nos \u00faltimos 30 anos mostra tamb\u00e9m que muito mudou, tanto em legisla\u00e7\u00e3o como nos m\u00e9todos de medida. Dessa forma ampliou-se muito o conhecimento sobre o impacto dos poluentes na qualidade do ar em S\u00e3o Paulo e na sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o s\u00f3 localmente, mas mundialmente tamb\u00e9m houve muitos avan\u00e7os na \u00e1rea de estudo de polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica.<\/p>\n<p>\u201cGanhamos em conhecimento da import\u00e2ncia das emiss\u00f5es urbanas. Atualmente os invent\u00e1rios de emiss\u00f5es de poluentes em escala global reconhecem a import\u00e2ncia das cidades. Em estudos anteriores era comum negligenciar emiss\u00f5es locais, como por exemplo do setor de transporte. Existem v\u00e1rias iniciativas mundiais para quantificar melhor a contribui\u00e7\u00e3o urbana\u201d, disse Andrade.<\/p>\n<p>A pesquisadora explica que para fazer o c\u00e1lculo das estimativas de emiss\u00e3o de poluentes na atmosfera usava-se muito valores com as caracter\u00edsticas dos pa\u00edses desenvolvidos. \u201cNos invent\u00e1rios havia estimativas para o hemisf\u00e9rio Norte e para o hemisf\u00e9rio Sul concentrava-se na quest\u00e3o das queimadas de florestas\u201d, disse.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas com a polui\u00e7\u00e3o local foi revista. \u201cAntes existia uma estrat\u00e9gia de n\u00e3o considerar os poluentes locais urbanos como atuantes nos processos clim\u00e1ticos. Mais recentemente, a abordagem tem sido um pouco diferente. Os poluentes emitidos localmente e que est\u00e3o relacionados com polui\u00e7\u00e3o do ar podem ter impacto clim\u00e1tico tamb\u00e9m, \u00e9 o caso do pr\u00f3prio oz\u00f4nio e algumas part\u00edculas\u201d, disse.<\/p>\n<p>Isso melhorou a modelagem da contribui\u00e7\u00e3o de cidades e megacidades para a polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. E ao mesmo tempo as cidades ser\u00e3o as mais afetadas pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Tem-se a no\u00e7\u00e3o de que ao mudar o clima, al\u00e9m de impactos como enchentes, secas, aumento de temperatura, haver\u00e1 uma mudan\u00e7a tamb\u00e9m nas concentra\u00e7\u00f5es de poluentes na atmosfera que vai ser mais sentida nas popula\u00e7\u00f5es das cidades.<\/p>\n<p>\u201cPor exemplo, se houver aumento de temperatura pode haver aumento na concentra\u00e7\u00e3o de oz\u00f4nio, se mudar umidade tamb\u00e9m vai alterar a composi\u00e7\u00e3o dos compostos na atmosfera\u201d, disse Andrade.<\/p>\n<p>Para a pesquisadora, isso prova que, quando se pensa em restri\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es, a cidade ganha duas vezes: ganha em qualidade do ar e contribui com a redu\u00e7\u00e3o de impacto clim\u00e1tico.<\/p>\n<p>O artigo Air quality in the megacity of S\u00e3o Paulo: Evolution over the last 30 years and future perspectives (doi: https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.atmosenv.2017.03.051), de Maria de F\u00e1tima Andrade, Prashant Kumar, Edmilson Dias de Freitas, Rita Yuri Ynoue, Jorge Martins, Leila D. Martins, Thiago Nogueira, Pedro Perez-Martinez e Regina Maura de Miranda, pode ser lido em: .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Fernanda Ziegler | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Os n\u00fameros continuam alarmantes. Mas o fato \u00e9 que, mesmo que esteja longe de ser boa, a qualidade do ar na Grande S\u00e3o Paulo melhorou nos \u00faltimos 30 anos gra\u00e7as, principalmente, ao controle de emiss\u00f5es. 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