{"id":114747,"date":"2017-06-08T00:08:14","date_gmt":"2017-06-08T03:08:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=114747"},"modified":"2017-06-07T19:44:48","modified_gmt":"2017-06-07T22:44:48","slug":"ambientes-marinhos-e-de-agua-doce-no-brasil-sofrem-com-poluicao-por-microplasticos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/ambientes-marinhos-e-de-agua-doce-no-brasil-sofrem-com-poluicao-por-microplasticos\/114747","title":{"rendered":"Ambientes marinhos e de \u00e1gua doce no Brasil sofrem com polui\u00e7\u00e3o por micropl\u00e1sticos"},"content":{"rendered":"<p> Elton Alisson | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Al\u00e9m de garrafas PET, sacolas e embalagens de alimentos, entre outros objetos, os ambientes marinhos e de \u00e1gua doce em todo o mundo t\u00eam sido contaminados com min\u00fasculos detritos, conhecidos como <strong><em>micropl\u00e1sticos<\/em><\/strong>, com tamanho menor que 5 mil\u00edmetros, como fibras e pequenos res\u00edduos gerados pela fragmenta\u00e7\u00e3o de grandes peda\u00e7os de pl\u00e1stico.<\/p>\n<p>Um grupo de pesquisadores do Departamento de Ci\u00eancias do Mar da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), campus da Baixada Santista, em colabora\u00e7\u00e3o com colegas de outras universidades e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa do Brasil e do exterior, constatou que esses micropl\u00e1sticos tamb\u00e9m est\u00e3o presentes em larga escala em praias e rios no Brasil.<\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m observaram que algumas esp\u00e9cies de peixes de \u00e1gua doce e de pequenos organismos marinhos ingerem frequentemente esses micropl\u00e1sticos, e que os contaminantes liberados por esses poluentes causam efeitos t\u00f3xicos para esp\u00e9cies de moluscos, como os mexilh\u00f5es marrons (Perna perna).<\/p>\n<p>Os resultados dos estudos, coordenados por  com apoio da FAPESP, foram publicados nas revistas Environmental Pollution e Water Research.<\/p>\n<p>\u201cTemos observado a polui\u00e7\u00e3o generalizada por micropl\u00e1sticos tanto de ecossistemas marinhos como de ambientes de \u00e1gua doce\u201d, disse \u00a0Gusm\u00e3o, professor da Unifesp da Baixada Santista e coordenador das pesquisas, \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, enquanto res\u00edduos de pl\u00e1stico grandes, como sacolas, tampinhas e garrafas PET, s\u00e3o relativamente f\u00e1ceis de serem vistos e retirados da areia de uma praia, os micropl\u00e1sticos s\u00e3o quase imposs\u00edveis de serem removidos por serem muito pequenos e praticamente impercept\u00edveis a olho nu. Por isso, tem se observado um aumento do ac\u00famulo desse tipo de poluente em praias de todo o mundo, apontou<\/p>\n<p>\u201cOs micropl\u00e1sticos que entram em um ambiente de \u00e1gua doce s\u00e3o transportados, via os rios, at\u00e9 os oceanos. E quando chegam aos oceanos esses fragmentos de pl\u00e1stico s\u00e3o transportados por correntes marinhas e tendem a ficar em suspens\u00e3o na coluna d\u2019\u00e1gua ou encalharem em praias\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Uma vez que essas part\u00edculas de pl\u00e1stico t\u00eam sido encontradas de forma generalizada em ambientes marinhos e de \u00e1gua doce em todo o mundo, o pesquisador, em colabora\u00e7\u00e3o com colegas no Brasil e no exterior, come\u00e7ou a monitorar nos \u00faltimos anos a presen\u00e7a desses poluentes em ambientes aqu\u00e1ticos no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Os primeiros locais escolhidos foram as praias de Itaquidantuva e de Paranapu\u00e3, situadas na reserva ambiental de Xixov\u00e1-Japu\u00ed, localizada entre os munic\u00edpios da Praia Grande e S\u00e3o Vicente, na baixada santista, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Durante um ano os pesquisadores coletaram semanalmente nas \u00e1reas das duas praias pellets de pl\u00e1stico \u2013 gr\u00e2nulos de pl\u00e1stico, com di\u00e2metro inferior a 10 mil\u00edmetros, utilizados na fabrica\u00e7\u00e3o de produtos pl\u00e1sticos.<\/p>\n<p>Os resultados das an\u00e1lises indicaram uma alt\u00edssima concentra\u00e7\u00e3o desse tipo de micropl\u00e1stico. \u201cObservamos pellets de pl\u00e1stico, de diferentes cores e tamanhos, se acumulando na praia de Paranapu\u00e3 o ano inteiro. Em alguns momentos, as praias ficavam cheias desses micropl\u00e1sticos, e em outros momentos eles sumiam temporariamente em raz\u00e3o de fatores como a circula\u00e7\u00e3o oce\u00e2nica, as ondas e o regime de ventos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Efeitos t\u00f3xicos<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, algumas caracter\u00edsticas que potencializam o efeito nocivo do pl\u00e1stico em ambientes marinhos e de \u00e1gua doce s\u00e3o que a maioria dos pol\u00edmeros comuns \u2013 como o polipropileno e o poliestireno \u2013 degradam muito lentamente e s\u00e3o leves \u2013 o que permite serem transportados com facilidade pelas correntes oce\u00e2nicas e permanecerem por muito tempo no ambiente marinho<\/p>\n<p>Ao permanecerem por longo tempo no ambiente, as mol\u00e9culas de contaminantes presentes em um meio aqu\u00e1tico, como metais pesados e pesticidas, come\u00e7am a aderir \u00e0 superf\u00edcie dos pl\u00e1sticos e podem atingir concentra\u00e7\u00f5es extremamente altas. Al\u00e9m disso, esses res\u00edduos de pl\u00e1stico tamb\u00e9m possuem aditivos presentes na composi\u00e7\u00e3o do material, como corantes, dispersantes e protetores contra raios ultravioleta.<\/p>\n<p>Com o passar do tempo, os fragmentos de pl\u00e1stico tendem a liberar esses contaminantes no ambiente aqu\u00e1tico, explicou Gusm\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cSe os micropl\u00e1sticos forem ingeridos pela fauna marinha, os poluentes aderidos na sua superf\u00edcie podem ser liberados no tubo digestivo do animal, o que pode causar efeitos t\u00f3xicos\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>A fim de avaliar a potencial toxicidade para organismos marinhos dos contaminantes liberados por micropl\u00e1sticos, os pesquisadores da Unifesp, em colabora\u00e7\u00e3o com colegas da Escola de Engenharia de S\u00e3o Carlos da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e da Universidade Santa Cec\u00edlia, realizaram experimentos em que expuseram larvas de mexilh\u00f5es marrons a amostras de pellets de pl\u00e1stico que recolheram nas praias de Itaquidantuva e de Paranapu\u00e3 e tamb\u00e9m a pellets virgens.<\/p>\n<p>Os resultados das an\u00e1lises indicaram que os contaminantes liberados pelos pellets de pl\u00e1stico afetaram o desenvolvimento embrion\u00e1rio dos moluscos.<\/p>\n<p>As larvas expostas aos pellets de pl\u00e1stico virgens apresentaram alta taxa de mortalidade, enquanto nenhuma das larvas expostas aos pellets de pl\u00e1stico recolhidos das duas praias conseguiu se desenvolver.<\/p>\n<p>As observa\u00e7\u00f5es sugeriram que os contaminantes aderidos \u00e0 superf\u00edcie dos pellets de pl\u00e1stico recolhidos das praias foram os respons\u00e1veis pelos efeitos t\u00f3xicos no desenvolvimento das larvas expostas aos micropl\u00e1sticos, enquanto a morte das larvas expostas aos pellets virgens foi devido provavelmente aos aditivos qu\u00edmicos do pr\u00f3prio material.<\/p>\n<p>\u201cSomente a exposi\u00e7\u00e3o aos micropl\u00e1sticos, sem que ingerissem, fez com que as larvas morressem\u201d, disse Gusm\u00e3o.<\/p>\n<p>A polui\u00e7\u00e3o mar\u00edtima tamb\u00e9m mobiliza a ONU Meio Ambiente que lan\u00e7a nesta quarta-feira (07\/06), no Brasil, a campanha \u201cMares Limpos\u201d, que durante cinco anos ter\u00e1 a\u00e7\u00f5es para conter a mar\u00e9 de pl\u00e1sticos que invade os oceanos. O evento acontece no AquaRio, no Rio de Janeiro, como parte das comemora\u00e7\u00f5es do Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado no dia 5 de junho.<\/p>\n<p>No Brasil, a campanha trabalhar\u00e1 na mobiliza\u00e7\u00e3o de governos, parlamentares, sociedade civil e setor privado para fortalecer a\u00e7\u00f5es que reduzam a contribui\u00e7\u00e3o do pa\u00eds ao problema global dos pl\u00e1sticos que acabam nos mares. Os esfor\u00e7os da campanha se concentrar\u00e3o em buscar uma dr\u00e1stica redu\u00e7\u00e3o no uso de pl\u00e1sticos descart\u00e1veis e o banimento de microesferas de pl\u00e1stico em cosm\u00e9ticos e produtos de higiene, al\u00e9m de apoiar a elabora\u00e7\u00e3o do Plano Nacional de Combate ao Lixo no Mar, capitaneado pelo Minist\u00e9rio do Meio Ambiente.<\/p>\n<p>Ingest\u00e3o<\/p>\n<p>Os pesquisadores da Unifesp tamb\u00e9m avaliaram se pequenos organismos marinhos s\u00e3o capazes de ingerir micropl\u00e1sticos encontrados em seus habitats.<\/p>\n<p>Em um estudo realizado em colabora\u00e7\u00e3o com colegas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), das Universidades Federais do Rio Grande (FURG) e do Paran\u00e1 (UFPR), al\u00e9m da University of Copenhagen, da Dinamarca, e do Instituto de Estudos Ecossist\u00eamicos, da It\u00e1lia, eles examinaram o conte\u00fado intestinal da meiofauna (animais que medem menos de 1 mil\u00edmetro e vivem enterrados entre gr\u00e3os de areia das praias) de seis praias situadas no Brasil, na It\u00e1lia e nas Ilhas Can\u00e1rias, na Espanha.<\/p>\n<p>As an\u00e1lises laboratoriais revelaram que tr\u00eas esp\u00e9cies comuns de anel\u00eddeos, do g\u00eanero Saccocirrus, tinham microfibras (fibras provenientes de cordas e fios de pesca e de tecidos de roupas, entre outras) em seus intestinos, mas sem apresentar les\u00f5es f\u00edsicas aparentes.<\/p>\n<p>\u201cConstatamos que mesmo organismos marinhos desse porte podem interagir com micropl\u00e1sticos\u201d, disse Gusm\u00e3o.<\/p>\n<p>Em outro estudo, os pesquisadores da Unifesp, em colabora\u00e7\u00e3o com colegas das Universidades Federais do Rio Grande do Norte (UFRN) e Rural de Pernambuco (UFRPE), avaliaram a ingest\u00e3o de micropl\u00e1sticos por um peixe de \u00e1gua doce comum e muito consumido em regi\u00f5es semi\u00e1ridas na Am\u00e9rica do Sul: o caborja (Hoplosternum littorale).<\/p>\n<p>Para realizar o estudo, eles analisaram o intestino de esp\u00e9cimes do peixe de um rio intermitente que passa pela cidade de Serra Talhada, no interior de Pernambuco, capturadas por pescadores da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Os resultados das an\u00e1lises indicaram que 83% dos peixes tinham detritos pl\u00e1sticos em seus intestinos \u2013 a maior propor\u00e7\u00e3o relatada para uma esp\u00e9cie de peixe de \u00e1gua doce no mundo at\u00e9 o momento.<\/p>\n<p>A maioria dos detritos pl\u00e1sticos (88,6%) extra\u00eddos do est\u00f4mago dos peixes era micropl\u00e1sticos com tamanho de at\u00e9 5 mil\u00edmetros, e as fibras foram o tipo de micropl\u00e1stico mais frequente (46,6%) ingerido pelos animais.<\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m observaram que os peixes consumiam mais micropl\u00e1sticos nas regi\u00f5es mais urbanizadas do rio.<\/p>\n<p>\u201cHoje tem sido muito discutido como diminuir os impactos causados por res\u00edduos de pl\u00e1sticos grandes em ambientes e organismos marinhos e de \u00e1gua doce, mas a polui\u00e7\u00e3o por micropl\u00e1sticos tamb\u00e9m representa um problema muito s\u00e9rio\u201d, disse Gusm\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso repensar a cadeia de produ\u00e7\u00e3o do pl\u00e1stico, que \u00e9 um produto importante para a sociedade, de modo a reduzir a chance dele chegar ao ambiente\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>O artigo \u201cLeachate from microplastics impairs larval development in brown mussels\u2019 (doi:10.1016\/j.watres.2016.10.016), de Gusm\u00e3o e outros, pode ser lido por assinantes da Water Research em .<\/p>\n<p>O artigo \u201cIn situ ingestion of microfibres by meiofauna from sandy beaches\u201d (doi: 10.1016\/j.envpol.2016.06.015) pode ser lido por assinantes da revista Environmental Pollution em .<\/p>\n<p>E o artigo \u201cMicroplastics ingestion by a common tropical freshwater fishing resource\u201d (doi: 10.1016\/j.envpol.2016.11.068) pode ser lido por assinantes da mesma revista em .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elton Alisson | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Al\u00e9m de garrafas PET, sacolas e embalagens de alimentos, entre outros objetos, os ambientes marinhos e de \u00e1gua doce em todo o mundo t\u00eam sido contaminados com min\u00fasculos detritos, conhecidos como micropl\u00e1sticos, com tamanho menor que 5 mil\u00edmetros, como fibras e pequenos res\u00edduos gerados pela fragmenta\u00e7\u00e3o de grandes peda\u00e7os 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