{"id":114511,"date":"2017-06-05T00:06:34","date_gmt":"2017-06-05T03:06:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=114511"},"modified":"2017-06-03T15:59:19","modified_gmt":"2017-06-03T18:59:19","slug":"em-sao-jose-do-rio-preto-bebes-expostos-ao-zika-nao-tiveram-microcefalia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/em-sao-jose-do-rio-preto-bebes-expostos-ao-zika-nao-tiveram-microcefalia\/114511","title":{"rendered":"Em S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto, beb\u00eas expostos ao Zika n\u00e3o tiveram microcefalia"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo, de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Pesquisadores da Faculdade de Medicina de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto (Famerp) t\u00eam acompanhado h\u00e1 cerca de um ano um grupo de 55 mulheres que tiveram diagn\u00f3stico confirmado de <strong><em>Zika durante a gesta\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong>. Todas levaram a gravidez at\u00e9 o final. Os beb\u00eas nasceram vivos e nenhum caso de microcefalia ou de qualquer altera\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica grave foi identificado.<\/p>\n<p>Os dados foram apresentados pelo professor da Famerp Maur\u00edcio Lacerda Nogueira, em 31 de maio, durante o evento , que est\u00e1 sendo realizado com apoio da FAPESP entre os dias 29 de maio e 9 de junho.<\/p>\n<p>\u201cCerca de 28% dos beb\u00eas apresentaram alguma altera\u00e7\u00e3o no nascimento, como pequenas calcifica\u00e7\u00f5es no c\u00e9rebro, pequenas les\u00f5es em vasos cerebrais, surdez unilateral ou danos \u00e0 retina. Alguns deles apenas tinham o v\u00edrus no organismo, mas n\u00e3o apresentavam sintomas. E nenhuma altera\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica mais grave foi observada\u201d, disse Nogueira em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Como pontuou o pesquisador, todas a crian\u00e7as inclu\u00eddas no estudo teriam sido consideradas normais pelos servi\u00e7os de sa\u00fade e n\u00e3o teriam os sintomas identificados se n\u00e3o estivessem participando de um protocolo de pesquisa. O padr\u00e3o observado em S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto, segundo Nogueira, \u00e9 muito diferente do que tem sido verificado em estados da regi\u00e3o Nordeste ou mesmo no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Um estudo  em 2016 no New England Journal of Medicine por pesquisadores da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) constatou que 39,2% das gr\u00e1vidas infectadas com o v\u00edrus no Rio de Janeiro tiveram beb\u00eas com altera\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas importantes e 7,2% das gesta\u00e7\u00f5es n\u00e3o chegaram ao fim \u2013 totalizando 46,4% de desfechos adversos. Foram inclu\u00eddas nesse estudo 125 gestantes com diagn\u00f3stico confirmado de Zika. Quatro beb\u00eas nasceram com microcefalia, pouco mais de 3% da amostra estudada.<\/p>\n<p>\u201cO estudo feito no Rio foi a primeira descri\u00e7\u00e3o de Zika em gestantes. Agora, estamos adicionando uma nova popula\u00e7\u00e3o, em um novo ambiente, e os resultados s\u00e3o muito diferentes. Estamos mostrando um novo quadro da infec\u00e7\u00e3o por Zika na gravidez\u201d, comentou Nogueira.<\/p>\n<p>Dados da cidade de Salvador (BA) foram apresentados tamb\u00e9m durante a S\u00e3o Paulo School of Advanced Science in Arbovirology por Albert Icksang Ko, pesquisador da Universidade Yale (Estados Unidos) que tem trabalhado em parceria com um grupo da Fiocruz na Bahia.<\/p>\n<p>O pesquisador e seus colaboradores acompanharam todos os nascimentos ocorridos em um hospital p\u00fablico da capital baiana durante o pico da epidemia de Zika no estado \u2013 nos meses de novembro e dezembro de 2015. Nesse estudo, portanto, foram inclu\u00eddas tamb\u00e9m mulheres sem diagn\u00f3stico confirmado da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cEncontramos um quadro completamente diferente do observado em S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto. Cerca de 10% dos beb\u00eas nasceram com altera\u00e7\u00f5es cong\u00eanitas graves, entra elas microcefalia\u201d, disse Ko.<\/p>\n<p>Em busca de respostas<\/p>\n<p>De acordo com Nogueira, a primeira hip\u00f3tese aventada para explicar desfechos gestacionais t\u00e3o discrepantes foi a exist\u00eancia de popula\u00e7\u00f5es do v\u00edrus geneticamente diferentes no Brasil.<\/p>\n<p>\u201cEssa hip\u00f3tese j\u00e1 foi afastada, pois trabalhos recentes mostraram que a diversidade do Zika ainda \u00e9 pequena nas Am\u00e9rica. Basicamente, o v\u00edrus que circula aqui em Rio Preto \u00e9 o mesmo encontrado na Bahia ou no Rio de Janeiro. Portanto, se a diferen\u00e7a n\u00e3o est\u00e1 no v\u00edrus, deve estar no hospedeiro humano. Algum fator gen\u00e9tico pode estar conferindo prote\u00e7\u00e3o a certas pessoas ou, talvez, a exposi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via a outros v\u00edrus\u201d, disse o professor da Famerp.<\/p>\n<p>Dados do trabalho feito por Ko na Bahia sugerem que a presen\u00e7a de anticorpos contra o v\u00edrus da dengue nas gestantes avaliadas foi associada a um menor risco de microcefalia nos filhos. Novos estudos precisam ser feitos para confirmar esse achado preliminar.<\/p>\n<p>Para Paolo Zanotto, pesquisador do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas da Universidade de S\u00e3o Paulo (ICB-USP), uma das possibilidades a ser investigada \u00e9 a ocorr\u00eancia de coinfec\u00e7\u00e3o materna como fator de risco para microcefalia e outras altera\u00e7\u00f5es cong\u00eanitas graves.<\/p>\n<p>\u201cPat\u00f3genos como o da s\u00edfilis, da rub\u00e9ola e da toxoplasmose, entre outros, s\u00e3o conhecidos agentes causadores de malforma\u00e7\u00e3o cong\u00eanita. \u00c9 poss\u00edvel que, caso a gestante seja infectada com um deles e com o Zika ao mesmo tempo, isso favore\u00e7a o dano ao feto\u201d, disse Zanotto.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do pesquisador da USP, que tamb\u00e9m coordena a Rede de Pesquisa sobre Zika V\u00edrus em S\u00e3o Paulo (Rede Zika), para se chegar a alguma conclus\u00e3o ser\u00e1 preciso antes determinar o real n\u00famero de pessoas infectadas nos diferentes locais.<\/p>\n<p>\u201cPara sabermos se houve, proporcionalmente, mais microcefalia no Nordeste do Brasil do que na Col\u00f4mbia, na Am\u00e9rica Central ou em S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto \u00e9 preciso determinar esses denominadores e, para isso, precisamos de testes sorol\u00f3gicos [capazes de detectar anticorpos contra o v\u00edrus no sangue mesmo ap\u00f3s o t\u00e9rmino da infec\u00e7\u00e3o] extremamente confi\u00e1veis\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Para Nogueira, tamb\u00e9m ser\u00e1 necess\u00e1rio, em algum momento, unificar os dados obtidos em S\u00e3o Paulo, no Rio de Janeiro e nos estados do Nordeste para compar\u00e1-los em conjunto. \u201cTudo isso ainda precisa ser avaliado com cuidado e em um n\u00famero grande de pacientes para obtermos respostas mais precisas\u201d, disse Nogueira.<\/p>\n<p>O trabalho realizado na Famerp contou com apoio da FAPESP por meio de um  coordenado por Nogueira.<\/p>\n<p>Agora, em outro , desenvolvido no \u00e2mbito do programa Pol\u00edticas P\u00fablicas para o SUS (PPSUS) , o grupo pretende continuar acompanhando os beb\u00eas para monitorar o surgimento de eventuais altera\u00e7\u00f5es tardias no desenvolvimento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo, de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Pesquisadores da Faculdade de Medicina de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto (Famerp) t\u00eam acompanhado h\u00e1 cerca de um ano um grupo de 55 mulheres que tiveram diagn\u00f3stico confirmado de Zika durante a gesta\u00e7\u00e3o. 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