{"id":113688,"date":"2017-05-22T00:09:21","date_gmt":"2017-05-22T03:09:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=113688"},"modified":"2017-05-21T19:26:28","modified_gmt":"2017-05-21T22:26:28","slug":"estimulacao-cerebral-profunda-pode-ser-alternativa-contra-ansiedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/estimulacao-cerebral-profunda-pode-ser-alternativa-contra-ansiedade\/113688","title":{"rendered":"Estimula\u00e7\u00e3o cerebral profunda pode ser alternativa contra ansiedade"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo \u00a0| \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Experimentos com ratos realizados na Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), campus Baixada Santista, sugerem que a terapia de estimula\u00e7\u00e3o cerebral profunda (DBS, de Deep Brain Stimulation, em ingl\u00eas) pode ser uma alternativa para o tratamento de <strong><em>transtornos de ansiedade e p\u00e2nico<\/em><\/strong> refrat\u00e1rios a outras abordagens terap\u00eauticas.<\/p>\n<p>Resultados da pesquisa, , foram publicados na revista .<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante enfatizar que, por ser uma t\u00e9cnica invasiva, a estimula\u00e7\u00e3o el\u00e9trica profunda n\u00e3o deve ser a primeira op\u00e7\u00e3o terap\u00eautica para transtornos mentais. Pode, no entanto, ser uma op\u00e7\u00e3o para os pacientes que n\u00e3o respondem bem a medicamentos \u2013 algo entre 30% e 40% no caso dos transtornos de ansiedade\u201d, disse Milena de Barros Viana, professora do Departamento de Bioci\u00eancias do Instituto de Sa\u00fade e Sociedade (ISS-Unifesp) e coordenadora do estudo.<\/p>\n<p>Em humanos, a DBS vem sendo empregada para amenizar sintomas da doen\u00e7a de Parkinson, tremor essencial, epilepsia e distonia. Seu potencial terap\u00eautico tamb\u00e9m tem sido objeto de estudo de diversos grupos de pesquisa no que diz respeito \u00e0 depress\u00e3o, dor cr\u00f4nica e transtorno obsessivo-compulsivo, dentre outros.<\/p>\n<p>Para uso cl\u00ednico, s\u00e3o implantados por microcirurgia pequenos eletrodos em \u00e1reas encef\u00e1licas profundas, al\u00e9m de um gerador de pulsos sob a pele, na regi\u00e3o da clav\u00edcula. Os impulsos el\u00e9tricos s\u00e3o enviados do gerador at\u00e9 o enc\u00e9falo, modulando a atividade de estruturas nervosas.<\/p>\n<p>O exato mecanismo de funcionamento da t\u00e9cnica ainda n\u00e3o foi completamente desvendado. Uma das principais hip\u00f3teses \u00e9 a do \u201cbloqueio por despolariza\u00e7\u00e3o\u201d, segundo a qual a estimula\u00e7\u00e3o de alta frequ\u00eancia bloquearia a emiss\u00e3o de sinais el\u00e9tricos por neur\u00f4nios da \u00e1rea estimulada e de \u00e1reas vizinhas.<\/p>\n<p>Nos experimentos conduzidos na Unifesp, eletrodos bem finos (capilares) foram implantados por microcirurgia nas regi\u00f5es encef\u00e1licas de interesse, em ratos machos.<\/p>\n<p>\u201cEm nosso estudo, estimulamos principalmente o n\u00facleo dorsal da rafe, localizado no mesenc\u00e9falo. Esse n\u00facleo possui diferentes regi\u00f5es e algumas delas, como as asas laterais e a por\u00e7\u00e3o dorsal, t\u00eam sido associadas \u00e0 modula\u00e7\u00e3o de respostas de p\u00e2nico e ansiedade, respectivamente\u201d, explicou Viana.<\/p>\n<p>Testes comportamentais<\/p>\n<p>Para avaliar o efeito da estimula\u00e7\u00e3o el\u00e9trica profunda nos animais, os pesquisadores usaram testes comportamentais. Antes de iniciar os experimentos, por\u00e9m, aguardou-se sete dias ap\u00f3s a implanta\u00e7\u00e3o dos eletrodos para a recupera\u00e7\u00e3o p\u00f3s-cir\u00fargica.<\/p>\n<p>No dia dos testes, os animais foram conectados a um aparelho estimulador e receberam o tratamento durante uma hora. Ap\u00f3s a estimula\u00e7\u00e3o, foram submetidos ao modelo do labirinto em T elevado.<\/p>\n<p>O modelo do labirinto em T elevado foi desenvolvido a partir da obstru\u00e7\u00e3o de um dos bra\u00e7os fechados do modelo do labirinto em cruz elevado (formado por dois bra\u00e7os com paredes e dois bra\u00e7os abertos). Ele \u00e9 constitu\u00eddo, portanto, por dois bra\u00e7os abertos, dispostos perpendicularmente a um bra\u00e7o protegido por paredes. Todo o aparato encontra-se elevado a 50 cent\u00edmetros do solo.<\/p>\n<p>Para avaliar comportamentos associados \u00e0 ansiedade generalizada, o rato \u00e9 colocado no espa\u00e7o fechado, explicou a pesquisadora. \u201cO animal apresenta uma tend\u00eancia inata para explorar espa\u00e7os novos. Entretanto, o espa\u00e7o aberto \u00e9 aversivo para roedores, pois eles usam as vibrissas [bigodes] para tatear as paredes e auxiliar no deslocamento\u201d, disse Viana.<\/p>\n<p>Normalmente, acrescentou, o animal tende a sair para o espa\u00e7o aberto rapidamente em uma primeira exposi\u00e7\u00e3o ao labirinto. Na segunda ou na terceira tentativa, o roedor demora mais para sair ou, muitas vezes, nem sai, permanecendo pelo per\u00edodo total do teste (300 segundos) no interior do bra\u00e7o fechado.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 uma inibi\u00e7\u00e3o do comportamento explorat\u00f3rio, o que chamamos de esquiva inibit\u00f3ria dos bra\u00e7os abertos e isso tem sido caracterizado como indicativo de ansiedade\u201d, disse Viana.<\/p>\n<p>Para avaliar respostas de p\u00e2nico, os pesquisadores colocaram os animais diretamente no espa\u00e7o aberto do labirinto em T. \u201cNesse caso, \u00e9 esperado um comportamento de fuga ante um perigo iminente. Um comportamento de defesa explosivo, caracterizado como uma resposta de p\u00e2nico. \u00c9 diferente do primeiro caso, em que h\u00e1 um comportamento inibit\u00f3rio frente a um perigo potencial\u201d, disse.<\/p>\n<p>Todos os animais foram submetidos \u00e0 cirurgia para implanta\u00e7\u00e3o dos eletrodos, mas apenas metade recebeu o tratamento de estimula\u00e7\u00e3o cerebral profunda antes do teste comportamental. Em seguida, os animais foram subdivididos em dois grupos: um subgrupo foi testado na tarefa de esquiva inibit\u00f3ria (relacionada \u00e0 ansiedade) e os demais na tarefa de fuga (relacionada ao p\u00e2nico).<\/p>\n<p>\u201cConsiderando os resultados obtidos, podemos afirmar que a estimula\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o dorsal do n\u00facleo dorsal da rafe apresentou um efeito ansiol\u00edtico [redu\u00e7\u00e3o das respostas de esquiva inibit\u00f3ria, relacionadas \u00e0 ansiedade]. J\u00e1 a estimula\u00e7\u00e3o das asas laterais dos n\u00facleo dorsal da rafe acarretou um efeito panicol\u00edtico [redu\u00e7\u00e3o das respostas de fuga, relacionadas ao p\u00e2nico]\u201d, disse Viana.<\/p>\n<p>Para tentar descobrir quais outras regi\u00f5es encef\u00e1licas foram ativadas pela estimula\u00e7\u00e3o el\u00e9trica profunda dos subn\u00facleos do n\u00facleo dorsal da rafe, o grupo verificou os efeitos do tratamento com DBS sobre a imunorreatividade a uma prote\u00edna conhecida como c-Fos.<\/p>\n<p>\u201cOs chamados genes de express\u00e3o precoce s\u00e3o os primeiros a serem ativados ap\u00f3s a estimula\u00e7\u00e3o. Eles codificam uma fam\u00edlia de prote\u00ednas, entre elas a c-Fos, que funciona, portanto, como um marcador das regi\u00f5es ativadas pela estimula\u00e7\u00e3o\u201d, explicou Viana.<\/p>\n<p>Essa an\u00e1lise mostrou que regi\u00f5es encef\u00e1licas, que recebem inerva\u00e7\u00e3o do n\u00facleo dorsal da rafe, s\u00e3o ativadas pela DBS, entre elas o c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal e a am\u00edgdala.<\/p>\n<p>\u201cAinda precisamos investigar melhor os mecanismos subjacentes aos efeitos terap\u00eauticos dessa t\u00e9cnica. A an\u00e1lise da imunorreatividade \u00e0 prote\u00edna c-Fos nos mostra quais regi\u00f5es foram ativadas, mas n\u00e3o quais grupos neuronais foram ativados nessas regi\u00f5es. \u00c9 isso que estamos tentando avaliar no momento com estudos mais detalhados. Nosso objetivo principal \u00e9 utilizar a t\u00e9cnica de DBS como ferramenta para compreender a neurocircuitaria envolvida com as respostas de ansiedade e p\u00e2nico\u201d, disse Viana.<\/p>\n<p>O artigo Deep brain stimulation of the dorsal raphe inhibits avoidance and escape reactions and activates forebrain regions related to the modulation of anxiety\/panic (https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.bbr.2016.11.054), de Tatiana Wscieklica, Mariana S.C.F. Silva, J\u00e9ssica A. Lemes, Liana Melo-Thomas, Isabel C. C\u00e9spedes e Milena B. Viana, pode der lido em: .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo \u00a0| \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Experimentos com ratos realizados na Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), campus Baixada Santista, sugerem que a terapia de estimula\u00e7\u00e3o cerebral profunda (DBS, de Deep Brain Stimulation, em ingl\u00eas) pode ser uma alternativa para o tratamento de transtornos de ansiedade e p\u00e2nico refrat\u00e1rios a outras abordagens terap\u00eauticas. 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