{"id":11090,"date":"2009-09-09T11:52:31","date_gmt":"2009-09-09T15:52:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=11090"},"modified":"2009-09-09T11:52:31","modified_gmt":"2009-09-09T15:52:31","slug":"especialistas-debatem-a-importancia-da-dor-e-seu-tratamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2009\/especialistas-debatem-a-importancia-da-dor-e-seu-tratamento\/11090","title":{"rendered":"Especialistas debatem a import\u00e2ncia da dor e seu tratamento"},"content":{"rendered":"<p>Numa tentativa in\u00e9dita de discutir a import\u00e2ncia da dor e seu tratamento, a Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) reuniu especialistas de v\u00e1rias \u00e1reas para apresentar diferentes vis\u00f5es sobre &#8220;O tratamento da dor e a automedica\u00e7\u00e3o&#8221;. Realizado no dia 1\u00ba\/09, em S\u00e3o Paulo, o evento contou com a presen\u00e7a dos m\u00e9dicos Mauricio Costa (neurologista e presidente da entidade), Daniel Feldman (reumatologista), D\u00e9cio Chinzon (gastroenterologista), Paulo Bertini (cardiologista) e Rog\u00e9rio Teixeira da Silva (ortopedista).\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;A dor \u00e9 uma sensa\u00e7\u00e3o cognitiva, subjetiva e individual. Ningu\u00e9m pode dizer o quanto d\u00f3i a dor do outro. N\u00e3o h\u00e1 como mensurar essa experi\u00eancia, a n\u00e3o ser que a pessoa tenha uma mem\u00f3ria de dores e possa comparar suas intensidades&#8221;, define o reumatologista Daniel Feldman, professor-adjunto da Disciplina de Reumatologia da Unifesp.<\/p>\n<p>A sensa\u00e7\u00e3o da dor altera o humor, o apetite e o sono do paciente, provoca queda no sistema imunol\u00f3gico, leva ao estresse f\u00edsico e psicol\u00f3gico, e, em alguns casos, pode levar \u00e0 depress\u00e3o e ao suic\u00eddio. Pouca gente sabe, mas as dores musculoesquel\u00e9ticas, como artrite, dor lombar e tendinite, t\u00eam maior impacto na qualidade de vida do que um acidente vascular cerebral ou doen\u00e7a renal cr\u00f4nica, por exemplo.<\/p>\n<p>Pela import\u00e2ncia da dor, a SBED tem trabalhado e incentivado os m\u00e9dicos a considerarem a dor como o quinto sinal vital, ao lado do pulso, press\u00e3o arterial, respira\u00e7\u00e3o e temperatura. &#8220;\u00c9 uma a\u00e7\u00e3o simples, que pode ocasionar um impacto altamente positivo para os pacientes&#8221;, explica Dr. Mauricio Costa, presidente da SBED e professor titular de Neurologia Cl\u00ednica e de Neurofisiologia da Universidade Federal do Cear\u00e1. Segundo ele, a dor atinge, no mundo, 40% dos indiv\u00edduos, sendo que 50% apresentam algum comprometimento de suas atividades. No Brasil, somente a dor cr\u00f4nica afeta 57 milh\u00f5es de pessoas. Recentemente, a preval\u00eancia desse tipo de dor tamb\u00e9m foi relatada em dois estudos. Em Salvador (BA), afeta 41,4% da popula\u00e7\u00e3o e, na capital paulista, 28,7% das pessoas.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos tratamentos, os anti-inflamat\u00f3rios s\u00e3o importantes aliados no combate \u00e0 dor, desde que usados de maneira racional. No mundo todo, s\u00e3o consumidos cerca de 40 bilh\u00f5es de comprimidos dessa classe terap\u00eautica. No Brasil, os anti-inflamat\u00f3rios est\u00e3o divididos em tr\u00eas categorias: a) medicamentos de venda livre, sem necessidade de receita; b) rem\u00e9dios de venda sob prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica; c) e produtos de venda sob prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica com reten\u00e7\u00e3o de receita. &#8220;N\u00e3o existe atualmente uma isonomia na classe de anti-inflamat\u00f3rios quanto \u00e0 regulamenta\u00e7\u00e3o da prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. N\u00e3o faz sentido discrimin\u00e1-los com receitu\u00e1rio, pois a literatura m\u00e9dica mostra que todos os medicamentos da classe t\u00eam potencial de melhorar a inflama\u00e7\u00e3o e de caus ar efeitos colaterais, sejam problemas renais, g\u00e1stricos ou card\u00edacos&#8221;, alerta Feldman.<\/p>\n<p>De acordo com o Dr. Feldman, todos os anti-inflamat\u00f3rios atuam de forma semelhante, inibindo a enzima ciclooxigenase, que se apresenta em duas formas: COX-1 e COX-2. Essa subst\u00e2ncia \u00e9 respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o do horm\u00f4nio prostaglandina, que protege a mucosa gastroduodenal, auxilia nas fun\u00e7\u00f5es renais e transmite a dor. &#8220;Os anti-inflamat\u00f3rios n\u00e3o esteroides (AINEs) tradicionais inibem as duas formas da enzima. Por isso ao melhorarem a dor deixam sem prote\u00e7\u00e3o o est\u00f4mago e o duodeno. Com o intuito de melhorar esse quadro, foi desenvolvida uma moderna classe de anti-inflamat\u00f3rios, denominada coxibes, que tem como caracter\u00edstica inibir seletivamente a COX-2 e minimizar esse tipo de efeito colateral&#8221;, esclarece.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos efeitos colaterais, D\u00e9cio Chinzon, professor de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da Disciplina de Gastroenterologia Cl\u00ednica da USP, explicou que dentre as pessoas que tomam anti-inflamat\u00f3rios n\u00e3o ester\u00f3ides tradicionais, no Ocidente, aproximadamente 30 milh\u00f5es por dia, 25% dos usu\u00e1rios cr\u00f4nicos ir\u00e3o desenvolver sintomas digestivos e de 2% a 4% ter\u00e3o complica\u00e7\u00f5es graves, como sangramento e perfura\u00e7\u00e3o. Os efeitos colaterais atingem v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os do trato digestivo, como es\u00f4fago, intestino, f\u00edgado, sendo mais frequentes no est\u00f4mago e no duodeno, podendo causar gastrite e \u00falcera.<\/p>\n<p>Um estudo brasileiro, coordenado por Chinzon, apontou que 41,2% das pessoas que procuraram o pronto-atendimento com azia, dor de est\u00f4mago, n\u00e1useas, v\u00f4mitos ou sangramento intestinal haviam tomado anti-inflamat\u00f3rios n\u00e3o esteroides tradicionais.<\/p>\n<p>Segundo Paulo Bertini, pesquisador da Unidade Cl\u00ednica de Aterosclerose do InCor, os efeitos cardiovasculares indesej\u00e1veis ocorrem com praticamente todas as drogas. &#8220;N\u00e3o podemos deixar de tratar a dor que acomete com frequ\u00eancia, por exemplo, as pessoas mais idosas de forma cr\u00f4nica. O importante \u00e9 individualizar o tratamento de cada paciente, investigando poss\u00edveis doen\u00e7as associadas, como diabetes e hipertens\u00e3o, e tratando os eventuais fatores de risco. \u00c9 preciso usar os medicamentos de forma racional, com a menor dose poss\u00edvel pelo menor tempo, sempre com acompanhamento m\u00e9dico.&#8221;<\/p>\n<p>A automedica\u00e7\u00e3o, muito comum no Brasil, traz riscos \u00e0 sa\u00fade e pode aumentar a possibilidade de surgirem efeitos colaterais indesej\u00e1veis. Segundo dados do Sistema Nacional de Informa\u00e7\u00f5es T\u00f3xico-Farmacol\u00f3gicas (Sinitox) da Fiocruz, no Brasil os medicamentos s\u00e3o o principal agente de intoxica\u00e7\u00e3o humana, com mais de 34 mil ocorr\u00eancias por ano, entre elas 966 s\u00e3o causadas por automedica\u00e7\u00e3o. O uso indiscriminado pode, por exemplo, anular a efic\u00e1cia ou potencializar os efeitos adversos dos medicamentos, al\u00e9m de mascarar sintomas ou agravar doen\u00e7as. &#8220;A automedica\u00e7\u00e3o leva \u00e0 cronifica\u00e7\u00e3o da dor. Isso significa que faz a dor aguda n\u00e3o tratada se tornar cr\u00f4nica. Leva \u00e0 cronifica\u00e7\u00e3o de les\u00f5es, como tendinites, piorando os resultados no tratamento, tanto cl\u00ednico quanto cir \u00fargico, bem como favorece os efeitos adversos gastrointestinais, card\u00edacos e renais&#8221;, afirma o Dr. Rog\u00e9rio Teixeira da Silva, presidente do Comit\u00ea de Traumatologia Desportiva da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Numa tentativa in\u00e9dita de discutir a import\u00e2ncia da dor e seu tratamento, a Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) reuniu especialistas de v\u00e1rias \u00e1reas para apresentar diferentes vis\u00f5es sobre &#8220;O tratamento da dor e a automedica\u00e7\u00e3o&#8221;. 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