{"id":109598,"date":"2017-03-23T00:10:18","date_gmt":"2017-03-23T03:10:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=109598"},"modified":"2017-03-22T14:11:09","modified_gmt":"2017-03-22T17:11:09","slug":"mais-de-850-municipios-brasileiros-enfrentam-problemas-por-falta-de-agua-em-2017","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/mais-de-850-municipios-brasileiros-enfrentam-problemas-por-falta-de-agua-em-2017\/109598","title":{"rendered":"Mais de 850 munic\u00edpios brasileiros enfrentam problemas por falta de \u00e1gua em 2017"},"content":{"rendered":"<p> Em 2017, em todo o Brasil, j\u00e1 s\u00e3o 872 as cidades com reconhecimento federal de situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia causada por um longo per\u00edodo de <strong><em>estiagem<\/em><\/strong>. A regi\u00e3o mais afetada \u00e9 a do Nordeste e o estado da Para\u00edba \u00e9 o que concentra maior n\u00famero de munic\u00edpios, com 198 que comunicaram o problema \u00e0 Secretaria Nacional de Prote\u00e7\u00e3o e Defesa Civil (Sedec).<\/p>\n<p>O professor S\u00e9rgio Koide, do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), explica que o que deflagra o processo da crise h\u00eddrica \u00e9 o clima, mas a falta de planejamento faz com que a margem de seguran\u00e7a entre a oferta e a demanda seja muito pequena. \u201cCom um bom planejamento e com investimentos, voc\u00ea consegue fazer uma gest\u00e3o mesmo em situa\u00e7\u00f5es de certa escassez de recursos\u201d, explica. Para ele, o risco de insufici\u00eancia de \u00e1gua para o abastecimento ocorre quando o planejamento n\u00e3o \u00e9 cumprido, na medida que a oferta vai se aproximando da demanda. \u201cNeste caso, \u00e9 preciso fazer um novo planejamento, com anteced\u00eancia, e adotar as medidas necess\u00e1rias, como investimentos em obras, para evitar a falta de abastecimento.\u201d<\/p>\n<p>O engenheiro explica que, no Distrito Federal, por exemplo, a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) sabia desde o ano 2000 que \u201ca partir de 2005 a demanda se aproximaria perigosamente da oferta\u201d. \u201cDe maneira geral, as pessoas que trabalham com o planejamento conseguem antever quando vai come\u00e7ar a zona de risco, mas como o planejamento \u00e9 longo prazo e os investimentos s\u00e3o altos, nem sempre eles s\u00e3o cumpridos.\u201d<\/p>\n<p> Com respectivamente 154 e 140 cidades em situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia, os estados do Rio Grande do Norte e Cear\u00e1, tamb\u00e9m sofrem sem \u00e1gua. Segundo a meteorologista Morgana Almeida, chefe da previs\u00e3o do tempo do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 reflexo de um ac\u00famulo dos impactos causados pelo El Ni\u00f1o. \u201cTemos que olhar para o retrovisor. O El Ni\u00f1o \u00e9 um fen\u00f4meno que acontece h\u00e1 cinco anos e atingiu seu \u00e1pice nos \u00faltimos tr\u00eas, o que levou o semi\u00e1rido nordestino a uma situa\u00e7\u00e3o de seca excepcional e isto impacta diretamente nos reservat\u00f3rios que abastecem as cidades da regi\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>O estado do Cear\u00e1, por exemplo, vem enfrentando secas seguidas desde 2011, o que fez com que o volume de \u00e1gua armazenado esteja atualmente em 8,8% dos reservat\u00f3rios, o menor em mais de vinte anos. Mesmo com uma das situa\u00e7\u00f5es mais cr\u00edticas no Brasil, ainda n\u00e3o houve racionamento de \u00e1gua no consumo da popula\u00e7\u00e3o cearense.<\/p>\n<p>De acordo com o diretor de neg\u00f3cios do interior da Companhia de \u00c1gua e Esgoto do Cear\u00e1 (Cagece), Helder Cortez, a companhia e representantes do estado e do governo federal se uniram para elaborar a\u00e7\u00f5es que buscassem reverter o problema h\u00eddrico em cada um dos munic\u00edpios. Como resultado destas a\u00e7\u00f5es o estado conseguiu reduzir em m\u00e9dia 21% o consumo por liga\u00e7\u00e3o na Regi\u00e3o Metropolitana de Fortaleza. Para Helder esse resultado foi \u201cfruto de uma campanha de comunica\u00e7\u00e3o e sensibiliza\u00e7\u00e3o da sociedade\u201d, mas n\u00e3o garante ainda o reabastecimento dos reservat\u00f3rios. \u201cA recarga da regi\u00e3o metropolitana de Fortaleza ainda est\u00e1 fraca. Se continuarmos assim deveremos fazer um novo estudo e talvez chegar a um contingenciamento mais severo.\u201d<\/p>\n<p>Na Bahia, desde o m\u00eas passado, a Empresa Baiana de \u00c1guas e Saneamento (Embasa) determinou o racionamento de \u00e1gua 13 munic\u00edpios da regi\u00e3o Centro Norte do Estado, por causa da falta de chuvas. De acordo com a Embasa, a Bahia est\u00e1 enfrentando \u201ca pior seca dos \u00faltimos 100 anos\u201d. O racionamento atingiu as cidades de Jacobina, Pindoba\u00e7u Antonio Gon\u00e7alves, Campo Formoso, Serrol\u00e2ndia, V\u00e1rzea do Po\u00e7o, Caldeir\u00e3o Grande, Ponto Novo, Filad\u00e9lfia, Iti\u00faba, Jaguarari, Andorinha e Senhor do Bonfim. Al\u00e9m dos munic\u00edpios do Centro Norte da Bahia, est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de alerta outros 81 munic\u00edpios baianos.<\/p>\n<p>Na Para\u00edba, o n\u00famero de cidades com problemas de abastecimento de \u00e1gua devido \u00e0 estiagem aumentou 60% em um ano. Segundo dados da Companhia de \u00c1gua e Esgotos da Para\u00edba (Cagepa), a quantidade de cidades em racionamento eram 102 no ano passado e, agora, s\u00e3o 198.<\/p>\n<p>Outra regi\u00e3o tamb\u00e9m afetada pelos efeitos do El Ni\u00f1o \u00e9 o Centro-Oeste. O Distrito Federal decretou situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia no fim de janeiro, quando sofreu redu\u00e7\u00f5es significativas no reservat\u00f3rio da Barragem do Rio Descoberto e atingiu o n\u00edvel cr\u00edtico abaixo de 20%. Diferente do estado do Cear\u00e1, ainda em janeiro o DF iniciou um calend\u00e1rio de racionamento que inicialmente atingiu 1,8 milh\u00e3o de pessoas.<\/p>\n<p>Com a estiagem e a diminui\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do segundo maior reservat\u00f3rio da regi\u00e3o, o de Santa Maria, a regi\u00e3o central de Bras\u00edlia, o Plano Piloto, tamb\u00e9m foi inclu\u00eddo no racionamento, ficando de fora apenas a Esplanada dos Minist\u00e9rios e os hospitais p\u00fablicos. <\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 de hoje que o mundo chama a aten\u00e7\u00e3o para a import\u00e2ncia da gest\u00e3o racional da \u00e1gua, o debate \u00e9 antigo e vem sendo refor\u00e7ado ao longo da hist\u00f3ria com marcos como o Dia Mundial da \u00c1gua, decretado em 1992, pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, ou o Ano Internacional de Coopera\u00e7\u00e3o pela \u00c1gua, que em 2013 foi dedicado pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura para reflex\u00e3o sobre o tema.<\/p>\n<p>No entanto, mesmo com tantos refor\u00e7os para lembrar sobre a import\u00e2ncia dos recursos h\u00eddricos do planeta, as pessoas ainda n\u00e3o aprenderam a gerir de forma adequada a \u00e1gua. No Brasil, algumas cidades j\u00e1 percebem este impacto em seus cotidianos, a hist\u00f3ria continuar\u00e1 se repetindo se n\u00e3o houver mais conscientiza\u00e7\u00e3o. Este ano regi\u00f5es Nordeste e Centro-Oeste s\u00e3o as mais afetadas, mas h\u00e1 um ano S\u00e3o Paulo, por exemplo superou a maior crise h\u00eddrica de sua hist\u00f3ria, que teve in\u00edcio em janeiro de 2014.<\/p>\n<p>Fab\u00edola Sinimbu e L\u00edria Jade &#8211; Rep\u00f3rteres da Ag\u00eancia Brasil<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o: Val\u00e9ria Aguiar<br \/>\n23\/03\/2017<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2017, em todo o Brasil, j\u00e1 s\u00e3o 872 as cidades com reconhecimento federal de situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia causada por um longo per\u00edodo de estiagem. 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