{"id":106908,"date":"2017-02-15T01:05:24","date_gmt":"2017-02-15T03:05:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=106908"},"modified":"2017-02-14T20:46:29","modified_gmt":"2017-02-14T22:46:29","slug":"pequenas-empresas-paulistas-desenvolvem-novas-estrategias-de-combate-ao-virus-zika","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/pequenas-empresas-paulistas-desenvolvem-novas-estrategias-de-combate-ao-virus-zika\/106908","title":{"rendered":"Pequenas empresas paulistas desenvolvem novas estrat\u00e9gias de combate ao v\u00edrus Zika"},"content":{"rendered":"<p> Elton Alisson\u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 As estrat\u00e9gias de combate ao v\u00edrus <em><strong>Zika<\/strong><\/em> e ao mosquito Aedes aegypti devem ganhar refor\u00e7os nos pr\u00f3ximos meses. Um grupo de seis pequenas empresas paulistas desenvolver\u00e1, com apoio da FAPESP e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), repelentes \u00e0 base de novos compostos naturais e armadilhas para captura do Aedes, entre outras solu\u00e7\u00f5es, a fim de aumentar as barreiras contra o vetor da Zika, dengue, chikungunya e da febre amarela.<\/p>\n<p>As empresas foram selecionadas em uma  lan\u00e7ada pela FAPESP e a Finep, no \u00e2mbito do acordo FAPESP e MCTI\/FINEP\/FNDCT \u2013 Subven\u00e7\u00e3o Econ\u00f4mica \u00e0 Pesquisa, por meio do PAPPE Subven\u00e7\u00e3o, com objetivo de selecionar propostas de projetos que visem ao desenvolvimento de tecnologias para produtos, servi\u00e7os e processos voltados ao combate do v\u00edrus Zika e do mosquito Aedes aegypti. O  da chamada foi anunciado no final de janeiro.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 v\u00ednhamos desenvolvendo o produto, independente de a nossa proposta ser selecionada na chamada. Mas, agora, com recursos da FAPESP e da Finep, o desenvolvimento dever\u00e1 ser muito mais r\u00e1pido\u201d, disse Bruno de Arruda Carillo, diretor da DC Qu\u00edmica, \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>A empresa pretende viabilizar a aplica\u00e7\u00e3o do ramnolip\u00eddeo \u2013 um composto produzido por bact\u00e9rias, como as Pseudomonas aeruginosa \u2013 como repelente.<\/p>\n<p>A subst\u00e2ncia j\u00e1 era conhecida como um biossurfactante \u2013 um composto de origem natural que possui a capacidade de reduzir a tens\u00e3o superficial (elasticidade da superf\u00edcie) de l\u00edquidos e emulsionar compostos com diferentes polaridades (eletronegatividade), as polares e as apolares. \u00c9 utilizado na ind\u00fastria, principalmente na de produtos de limpeza, como detergentes, por sua capacidade emulsionante \u2013 de unir subst\u00e2ncias que n\u00e3o se misturam, como a \u00e1gua e o \u00f3leo\u2013, e na de cosm\u00e9ticos, entre outras.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, contudo, come\u00e7aram a surgir estudos relatando que a mol\u00e9cula tamb\u00e9m demonstra ter a\u00e7\u00e3o larvicida e repelente.<\/p>\n<p>A fim de comprovar essas propriedades propaladas do ramnolip\u00eddeo, os pesquisadores da empresa realizaram testes preliminares. Os resultados dos testes da subst\u00e2ncia como larvicida para matar larvas do mosquito Aedes aegypti, entretanto, n\u00e3o foram satisfat\u00f3rios. Com base nessa constata\u00e7\u00e3o, a empresa decidiu testar a sua aplica\u00e7\u00e3o como repelente.<\/p>\n<p>\u201cFizemos alguns testes iniciais e os resultados foram muito bons. Estimamos que em dois anos consigamos disponibilizar amostras para empresas interessadas a fim de viabilizar a produ\u00e7\u00e3o de repelentes \u00e0 base desse composto\u201d, disse Carillo.<\/p>\n<p>Tempo de repel\u00eancia<\/p>\n<p>Um dos maiores desafios tecnol\u00f3gicos para o uso do ramnolip\u00eddeo como repelente, de acordo com o pesquisador, \u00e9 fazer com que apresente a\u00e7\u00e3o de repel\u00eancia pelo mesmo per\u00edodo que as mat\u00e9rias-primas convencionais.<\/p>\n<p>A mol\u00e9cula sint\u00e9tica DEET (N,N-Dietil-m-toluamida) usada na composi\u00e7\u00e3o da maioria dos repelentes comercializados hoje no mercado brasileiro tem a\u00e7\u00e3o de duas horas. J\u00e1 a icaridina \u2013 subst\u00e2ncia derivada da pimenta, que come\u00e7ou a surgir na formula\u00e7\u00e3o de repelentes rec\u00e9m-lan\u00e7ados no Brasil \u2013 pode ter efeito de at\u00e9 10 horas, caso a temperatura n\u00e3o seja superior a 30 \u00b0C e a pessoa n\u00e3o tenha entrado em contato com \u00e1gua.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que o DEET \u00e9 extremamente t\u00f3xico e, por isso, s\u00f3 pode ser reaplicado tr\u00eas vezes ao dia, o que possibilita uma prote\u00e7\u00e3o total de at\u00e9 seis horas. J\u00e1 a icaridina ainda \u00e9 muito cara, comparou Carillo.<\/p>\n<p>\u201cAinda n\u00e3o conseguimos atingir o tempo m\u00ednimo de repel\u00eancia que desejamos, que \u00e9 de duas horas. Mas estimamos que conseguiremos atingir essa meta por meio de mudan\u00e7as na formula\u00e7\u00e3o do produto, que dever\u00e1 ser um l\u00edquido\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>J\u00e1 a Nanomed, uma spin-off (empresa de base tecnol\u00f3gica) surgida na USP, pretende fazer com que o \u00f3leo essencial do cravo-da-\u00edndia (Eugenia caryophyllata) tenha a\u00e7\u00e3o de repel\u00eancia de oito horas.<\/p>\n<p>Para isso, os pesquisadores da empresa pretendem encapsular a mol\u00e9cula em part\u00edculas na escala nanom\u00e9trica (da bilion\u00e9sima parte do metro) para que a sua libera\u00e7\u00e3o seja controlada. Dessa forma, ser\u00e1 poss\u00edvel assegurar a atividade de repel\u00eancia por oito horas, o que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel hoje por meio das formula\u00e7\u00f5es convencionais.<\/p>\n<p>\u201cO \u00f3leo essencial do cravo-da-\u00edndia \u00e9 uma subst\u00e2ncia muito vol\u00e1til [transforma-se facilmente em g\u00e1s ou vapor quando exposta ao ar]. Por isso n\u00e3o dura muito tempo em condi\u00e7\u00f5es normais de temperatura\u201d, explicou Amanda Luizetto dos Santos, diretora da Nanomed.<\/p>\n<p>Os repelentes caseiros \u00e0 base de uma mistura de \u00f3leo essencial de cravo-da-\u00edndia e \u00e1lcool, por exemplo, t\u00eam a\u00e7\u00e3o de repel\u00eancia de apenas 30 minutos, disse a pesquisadora.<\/p>\n<p>A fim de atingir as oito horas de a\u00e7\u00e3o de repel\u00eancia almejada, a empresa pretende encapsular o composto natural em nanopart\u00edculas que romperiam gradativamente, liberando o produto de forma controlada e modulada \u2013 a exemplo das nano e micropart\u00edculas produzidas hoje para encapsular fragr\u00e2ncias de amaciantes e produtos cosm\u00e9ticos.<\/p>\n<p>\u201cNosso objetivo \u00e9 tanto disponibilizar o ativo encapsulado como mat\u00e9ria-prima, como tamb\u00e9m desenvolver produtos finais \u00e0 base dele, em creme e aerossol\u201d, afirmou Santos.<\/p>\n<p>Armadilha para mosquito<\/p>\n<p>Em vez de repelir o Aedes aegypti, a empresa Bio Controle pretende capturar e prender as f\u00eameas do mosquito \u2013 principalmente as gr\u00e1vidas \u2013 em armadilhas para inibir a reprodu\u00e7\u00e3o e a prolifera\u00e7\u00e3o do mosquito.<\/p>\n<p>Para isso, pretende utilizar compostos qu\u00edmicos sint\u00e9ticos, como \u00e1cidos graxos, que mimetizam os odores dos humanos, al\u00e9m de luz com intensidade e cores espec\u00edficas, para atrair os mosquitos para as armadilhas.<\/p>\n<p>A ideia \u00e9 que, ao se aproximar das armadilhas atra\u00eddos pelo odor exalado pelos compostos qu\u00edmicos sint\u00e9ticos liberados de forma controlada, os mosquitos fiquem grudados em uma superf\u00edcie adesiva que ser\u00e1 colocada em torno dos dispositivos.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 desenvolvemos e comercializamos uma s\u00e9rie de armadilhas para o monitoramento e coleta em massa de diversos insetos que atacam culturas agr\u00edcolas utilizando ferom\u00f4nios [horm\u00f4nios sexuais] sint\u00e9ticos\u201d, disse M\u00e1rio Yacoara de Menezes Neto, diretor da empresa.<\/p>\n<p>\u201cNosso objetivo, agora, \u00e9 testar outros compostos qu\u00edmicos sint\u00e9ticos como atrativos em armadilhas para capturar o Aedes aegypti de forma mais simples e pr\u00e1tica\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A empresa pretende, com o apoio da FAPESP e da Finep, desenvolver prot\u00f3tipos de armadilhas que possam ser usadas tanto pelos agentes de sa\u00fade p\u00fablica, como tamb\u00e9m pela popula\u00e7\u00e3o em geral.<\/p>\n<p>\u201cComo as armadilhas dever\u00e3o ser at\u00f3xicas, n\u00e3o necessitariam de uma regulamenta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para serem comercializadas\u201d, estimou Menezes.<\/p>\n<p>Por sua vez, a empresa Barth\/Inovatech pretende desenvolver um teste de diagn\u00f3stico sorol\u00f3gico r\u00e1pido e de baixo custo para o Zika v\u00edrus, utilizando a plataforma Elisa, para disponibiliz\u00e1-lo, principalmente, ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Para atingir esse objetivo, os pesquisadores vinculados \u00e0 empresa est\u00e3o modificando algumas t\u00e9cnicas de biologia molecular utilizadas no desenvolvimento dos testes de diagn\u00f3stico existentes hoje, que elevam o custo do processo.<\/p>\n<p>\u201cUm kit de diagn\u00f3stico de Zika v\u00edrus para 100 amostras desenvolvido por uma empresa estrangeira custa no Brasil hoje entre R$ 4 mil e R$ 6 mil. Pretendemos desenvolver um teste para esse mesmo n\u00famero de amostras que custe entre R$ 1,2 mil e R$ 1,7 mil\u201d, disse Danielle Bruna Leal de Oliveira Durigon, pesquisadora respons\u00e1vel.<\/p>\n<p>A chamada esteve aberta a pesquisadores vinculados a microempresas, empresas de pequeno porte, pequenas empresas, m\u00e9dias empresas brasileiras, sediadas no Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>As propostas seguiram as normas do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da FAPESP.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elton Alisson\u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 As estrat\u00e9gias de combate ao v\u00edrus Zika e ao mosquito Aedes aegypti devem ganhar refor\u00e7os nos pr\u00f3ximos meses. 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