{"id":106487,"date":"2017-02-09T01:09:44","date_gmt":"2017-02-09T03:09:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=106487"},"modified":"2017-02-08T23:11:03","modified_gmt":"2017-02-09T01:11:03","slug":"estudo-revela-papel-essencial-dos-nervos-simpaticos-para-saude-muscular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/estudo-revela-papel-essencial-dos-nervos-simpaticos-para-saude-muscular\/106487","title":{"rendered":"Estudo revela papel essencial dos nervos simp\u00e1ticos para sa\u00fade muscular"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo\u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Estudos conduzidos na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) t\u00eam mostrado que, ao contr\u00e1rio do que se pensava, o papel do <strong><em>sistema nervoso simp\u00e1tico no tecido muscular<\/em><\/strong> vai muito al\u00e9m de controlar o fluxo sangu\u00edneo por meio da contra\u00e7\u00e3o ou relaxamento dos vasos.<\/p>\n<p>Com o  e a colabora\u00e7\u00e3o de pesquisadores das Universidades de Mannheim e Heidelberg, na Alemanha, o grupo coordenado pela professora Isis do Carmo Kettelhut, do Departamento de Bioqu\u00edmica e Imunologia, e pelo professor Luiz Carlos Carvalho Navegantes, do Departamento de Fisiologia, na Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto (FMRP-USP), demonstrou a import\u00e2ncia da inerva\u00e7\u00e3o simp\u00e1tica para o crescimento e a manuten\u00e7\u00e3o da massa muscular e tamb\u00e9m para o controle dos movimentos.<\/p>\n<p>Os resultados mais recentes da investiga\u00e7\u00e3o foram  na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m de contribuir para uma melhor compreens\u00e3o da fisiologia da musculatura esquel\u00e9tica, esses achados t\u00eam implica\u00e7\u00f5es no tratamento de doen\u00e7as neuromusculares, como, por exemplo, as s\u00edndromes miast\u00eanicas\u201d, disse \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP Luiz Carlos Carvalho Navegantes, coautor do artigo.<\/p>\n<p>A linha de pesquisa voltada a entender como o sistema nervoso regula a express\u00e3o de prote\u00ednas no tecido m\u00fasculo esquel\u00e9tico teve in\u00edcio h\u00e1 23 anos, quando Navegantes se uniu \u00e0 Kettelhut e ao professor Renato Migliorini no Laborat\u00f3rio do Controle do Metabolismo da FMRP-USP.<\/p>\n<p>Em uma s\u00e9rie de estudos publicados entre 2000 e 2014, o grupo revelou o papel anab\u00f3lico que essa inerva\u00e7\u00e3o auton\u00f4mica \u2013 que tamb\u00e9m controla fun\u00e7\u00f5es como frequ\u00eancia card\u00edaca, dilata\u00e7\u00e3o dos br\u00f4nquios e motilidade intestinal \u2013 exerce sobre o metabolismo de prote\u00ednas nos m\u00fasculos.<\/p>\n<p>Em experimentos com camundongos, o grupo da USP observou que a remo\u00e7\u00e3o cir\u00fargica ou qu\u00edmica da inerva\u00e7\u00e3o simp\u00e1tica no tecido muscular interferia no metabolismo do tecido, induzindo intensa degrada\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas e, consequentemente, atrofia muscular.<\/p>\n<p>Os resultados, in\u00e9ditos na literatura, despertaram interesse do grupo coordenado por R\u00fcdiger Rudolf, na Alemanha. Por meio de um  firmado entre a FAPESP e a Sociedade Alem\u00e3 de Amparo \u00e0 Pesquisa (DFG), teve in\u00edcio em 2012 um projeto colaborativo.<\/p>\n<p>\u201cGra\u00e7as \u00e0 parceria com o grupo alem\u00e3o, foi poss\u00edvel confirmar a nossa hip\u00f3tese de que a inerva\u00e7\u00e3o simp\u00e1tica estava presente e funcionalmente ativa na placa motora \u2013 regi\u00e3o do tecido que gera a contra\u00e7\u00e3o muscular. Tamb\u00e9m demonstramos que esses nervos auxiliam a inerva\u00e7\u00e3o motora a manter a estrutura da placa e controlar as contra\u00e7\u00f5es\u201d, contou Navegantes.<\/p>\n<p>\u201cOs colegas brasileiros contribu\u00edram com sua grande experi\u00eancia em metabolismo de prote\u00ednas e em modelos experimentais de ativa\u00e7\u00e3o e bloqueio das fun\u00e7\u00f5es simp\u00e1ticas, bem como na an\u00e1lise bioqu\u00edmica da atividade simp\u00e1tica muscular. N\u00f3s contribu\u00edmos com o know-how em produ\u00e7\u00e3o de imagens in vivo usando biossensores e outras t\u00e9cnicas, bem como com nossa experi\u00eancia em fisiopatologia da jun\u00e7\u00e3o neuromuscular. Tem sido um ajuste perfeito e uma intera\u00e7\u00e3o extremamente agrad\u00e1vel\u201d, disse Rudolf \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Mecanismo de a\u00e7\u00e3o desvendado<\/p>\n<p>Inicialmente, foram usadas t\u00e9cnicas de imuno-histoqu\u00edmica \u2013 que consistem em usar anticorpos contra prote\u00ednas espec\u00edficas para localizar essas mol\u00e9culas e visualiz\u00e1-las em microsc\u00f3pio \u2013 para confirmar a presen\u00e7a da inerva\u00e7\u00e3o simp\u00e1tica na placa motora.<\/p>\n<p>Em seguida, o grupo adotou uma metodologia conhecida como transfer\u00eancia de energia por resson\u00e2ncia de F\u00f6rster (FRET), que permite ver no microsc\u00f3pio, com o animal vivo, a presen\u00e7a e a din\u00e2mica dos neurotransmissores e receptores envolvidos na transmiss\u00e3o do sinal dos nervos simp\u00e1ticos para o m\u00fasculo.<\/p>\n<p>\u201cObservamos na placa motora a presen\u00e7a de receptores do tipo ?2-adren\u00e9rgico, que s\u00e3o ativados pela noradrenalina [neurotransmissor liberado pela inerva\u00e7\u00e3o simp\u00e1tica]. Anteriormente, acreditava-se que esses receptores estavam presentes apenas nos vasos que irrigam os m\u00fasculos e nas membranas das fibras musculares\u201d, disse Navegantes.<\/p>\n<p>As imagens feitas com aux\u00edlio de biossensores fluorescentes mostraram que, quando a noradrenalina liberada pelo nervo simp\u00e1tico se acopla ao receptor ?<sub>2<\/sub>-adren\u00e9rgico, um segundo mensageiro conhecido como adenosina monofosfato c\u00edclico (AMPc) \u00e9 liberado na placa motora. \u201cA presen\u00e7a de AMPc comprova que a inerva\u00e7\u00e3o simp\u00e1tica, al\u00e9m de estar presente na placa, tamb\u00e9m est\u00e1 ativa\u201d, explicou Navegantes.<\/p>\n<p>Com base em dados da literatura cient\u00edfica, os pesquisadores defendem a teoria de que o aumento na concentra\u00e7\u00e3o de AMPc contribua para aumentar a estabilidade dos chamados receptores colin\u00e9rgicos \u2013 aqueles que reconhecem o neurotransmissor acetilcolina, liberado pela inerva\u00e7\u00e3o motora. Dessa forma, a inerva\u00e7\u00e3o simp\u00e1tica estaria auxiliando indiretamente a inerva\u00e7\u00e3o motora no controle da contra\u00e7\u00e3o muscular.<\/p>\n<p>\u201cExistem relatos na literatura de que os receptores colin\u00e9rgicos se tornam mais est\u00e1veis quando s\u00e3o administrados in vitro f\u00e1rmacos que aumentam a concentra\u00e7\u00e3o de AMPc na placa motora. Mas n\u00e3o se sabia como a regula\u00e7\u00e3o acontecia, ou seja, quem induzia o aumento deste segundo mensageiro na placa motora. N\u00f3s estamos sugerindo que esse sinal extracelular \u00e9 a noradrenalina liberada pela inerva\u00e7\u00e3o simp\u00e1tica\u201d, disse Navegantes.<\/p>\n<p>Consequ\u00eancias funcionais<\/p>\n<p>O passo seguinte foi investigar o que acontecia com camundongos quando a inerva\u00e7\u00e3o simp\u00e1tica era eliminada do tecido muscular \u2013 processo chamado desnerva\u00e7\u00e3o. Para isso, os pesquisadores trataram camundongos com uma neurotoxina (6-hidroxi-dopamina) capaz de destruir os neur\u00f4nios simp\u00e1ticos de forma seletiva, ou seja, sem interferir na inerva\u00e7\u00e3o motora ou nas demais c\u00e9lulas.<\/p>\n<p>\u201cAp\u00f3s essa interven\u00e7\u00e3o, observamos que o animal passou a apresentar defici\u00eancia na atividade contr\u00e1til. Por meio de imuno-histoqu\u00edmica, verificamos que tanto o tamanho quanto o formato da placa motora estavam totalmente alterados. Houve uma redu\u00e7\u00e3o em torno de 57% no n\u00famero de receptores colin\u00e9rgicos. Esses resultados sugerem que a inerva\u00e7\u00e3o simp\u00e1tica \u00e9 essencial para a manuten\u00e7\u00e3o da placa motora\u201d, contou Navegantes.<\/p>\n<p>Para tentar reverter a disfun\u00e7\u00e3o induzida pela droga, os pesquisadores trataram os animais com um simpatomim\u00e9tico, ou seja, uma droga cuja estrutura \u00e9 muito semelhante \u00e0 da noradrenalina liberada pela inerva\u00e7\u00e3o simp\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u201cEssa droga tem afinidade pelos receptores ?<sub>2<\/sub>-adren\u00e9rgicos, os quais j\u00e1 hav\u00edamos demonstrado estarem presentes na placa. Dessa forma, estar\u00edamos simulando a libera\u00e7\u00e3o natural de noradrenalina feita pela inerva\u00e7\u00e3o simp\u00e1tica. Foi observada uma melhora na estrutura da placa, bem como no aspecto morfol\u00f3gico\u201d, disse o pesquisador.<\/p>\n<p>No experimento seguinte, o grupo testou o mesmo tratamento em um modelo animal de s\u00edndrome miast\u00eanica \u2013 no qual os camundongos s\u00e3o alterados geneticamente para desenvolver um quadro semelhante ao de pacientes humanos. Nesses casos, tanto a placa motora quanto os receptores colin\u00e9rgicos est\u00e3o alterados e, como consequ\u00eancia, h\u00e1 defici\u00eancia na contra\u00e7\u00e3o muscular.<\/p>\n<p>\u201cAntes do tratamento, o grupo geneticamente alterado apresentava uma placa motora 44% menor que a do grupo controle. Com o simpatomim\u00e9tico, a diferen\u00e7a caiu para 6% e a atividade locomotora dos animais melhorou\u201d, contou o pesquisador.<\/p>\n<p>Embora os efeitos ben\u00e9ficos dessas drogas simpatomim\u00e9ticas no tratamento de miastenia sejam conhecidos, explicou Navegantes, o risco de efeitos colaterais limita o uso. Elas s\u00e3o consideradas anabolizantes e um dos efeitos adversos poss\u00edveis \u00e9 a hipertrofia card\u00edaca, que pode levar \u00e0 insufici\u00eancia do \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>No entanto, como agora o mecanismo de a\u00e7\u00e3o desses f\u00e1rmacos foi elucidado, abre-se a possibilidade de testar novas subst\u00e2ncias capazes de aumentar a concentra\u00e7\u00e3o de AMPc nas c\u00e9lulas musculares sem ativar os receptores ?<sub>2<\/sub>-adren\u00e9rgicos.<\/p>\n<p>\u201cExistem drogas j\u00e1 aprovadas para uso humano que fazem isso e nunca foram testadas para o tratamento de doen\u00e7as neuromusculares ou para combater a perda de massa muscular que acomete pacientes com sepse, diabetes, c\u00e2ncer ou distrofias. Esse \u00e9 o nosso pr\u00f3ximo passo\u201d, contou Navegantes.<\/p>\n<p>O artigo \u201cSympathetic innervation controls homeostasis of neuromuscular junctions in health and disease\u201d (doi: 10.1073\/pnas.1524272113), de Muzamil Majid Khan, Luiz C. C. Navegantes e outros, pode ser lido em: .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo\u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Estudos conduzidos na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) t\u00eam mostrado que, ao contr\u00e1rio do que se pensava, o papel do sistema nervoso simp\u00e1tico no tecido muscular vai muito al\u00e9m de controlar o fluxo sangu\u00edneo por meio da contra\u00e7\u00e3o ou relaxamento dos vasos. 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