{"id":105960,"date":"2017-02-02T01:18:16","date_gmt":"2017-02-02T03:18:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=105960"},"modified":"2017-02-01T22:19:14","modified_gmt":"2017-02-02T00:19:14","slug":"metodo-identifica-pacientes-com-epilepsia-que-podem-se-beneficiar-com-cirurgia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/metodo-identifica-pacientes-com-epilepsia-que-podem-se-beneficiar-com-cirurgia\/105960","title":{"rendered":"M\u00e9todo identifica pacientes com epilepsia que podem se beneficiar com cirurgia"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Em um estudo  na revista PLoS One, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) mostraram ser poss\u00edvel usar informa\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas para identificar precocemente quais pacientes com uma das formas mais graves de <em><strong>epilepsia<\/strong><\/em> \u2013 conhecida como epilepsia do lobo temporal mesial (ELTM) \u2013 s\u00e3o refrat\u00e1rios ao tratamento medicamentoso e, portanto, t\u00eam indica\u00e7\u00e3o para cirurgia.<\/p>\n<p>O trabalho foi conduzido no \u00e2mbito do Instituto de Pesquisa sobre Neuroci\u00eancias e Neurotecnologia (, na sigla em ingl\u00eas) \u2013 um Centro de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o () financiado pela FAPESP \u2013 sob a coordena\u00e7\u00e3o da professora Iscia Lopes-Cendes.<\/p>\n<p>\u201cEstima-se que, nos melhores centros do mundo, leva-se entre 15 e 20 anos para um determinado paciente refrat\u00e1rio \u00e0 terapia com medicamentos ser encaminhado para cirurgia. Enquanto isso, a pessoa continua sofrendo com as crises n\u00e3o controladas. Se conseguirmos encurtar esse processo, podemos mudar a hist\u00f3ria de vida de muitos pacientes. Pode ser a diferen\u00e7a entre ingressar ou n\u00e3o na faculdade, entre ter ou n\u00e3o um emprego e uma vida normal\u201d, disse Lopes-Cendes.<\/p>\n<p>Conforme explicou a pesquisadora, a ELTM \u00e9 causada por altera\u00e7\u00f5es no funcionamento de neur\u00f4nios localizados nas estruturas mais profundas do c\u00e9rebro, como o hipocampo e a am\u00edgdala, onde s\u00e3o controladas fun\u00e7\u00f5es importantes como mem\u00f3ria, aten\u00e7\u00e3o e a ansiedade, entre outras. As crises causadas por descargas el\u00e9tricas anormais em um grande grupo de neur\u00f4nios, que podem ou n\u00e3o resultar em uma convuls\u00e3o, interferem na mem\u00f3ria e em outras fun\u00e7\u00f5es cerebrais, colocando muitas vezes o paciente em risco de acidentes e morte.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o seja a forma mais frequente de epilepsia \u2013 representa entre 30% e 40% dos casos \u2013, \u00e9 considerada a mais dif\u00edcil de tratar em adultos. At\u00e9 40% dos pacientes n\u00e3o respondem a nenhuma das drogas dispon\u00edveis. Para esses casos, indica-se a remo\u00e7\u00e3o cir\u00fargica da \u00e1rea cerebral em que as crises s\u00e3o originadas.<\/p>\n<p>\u201cToda cirurgia envolve riscos e, nesse caso, uma parte do c\u00e9rebro \u00e9 retirada. N\u00e3o \u00e9 algo in\u00f3cuo e, por isso, o consenso hoje \u00e9 tentar antes controlar as crises com diferentes regimes de terapia medicamentosa. Geralmente a doen\u00e7a se manifesta no fim da adolesc\u00eancia e in\u00edcio da idade adulta. \u00c9 uma fase crucial na vida de uma pessoa. Imagine a diferen\u00e7a que pode fazer controlar as crises aos 12 anos em vez de aos 35\u201d, disse a pesquisadora.<\/p>\n<p>Metodologia<\/p>\n<p>O estudo divulgado no dia 4 de janeiro na PLoS One foi feito com base na an\u00e1lise de dados de 237 pessoas com ELTM que j\u00e1 vinham sendo acompanhadas na Unicamp h\u00e1 pelo menos dois anos. Os pesquisadores j\u00e1 sabiam que, desse grupo, 162 pacientes eram refrat\u00e1rios ao tratamento, enquanto os outros 75 respondiam bem aos f\u00e1rmacos.<\/p>\n<p>O objetivo do trabalho, segundo Lopes-Cendes, era desenvolver uma metodologia capaz de discriminar os dois grupos com base na an\u00e1lise do material gen\u00e9tico dos participantes. Para isso, o grupo selecionou um conjunto de 11 genes que \u2013 segundo dados da literatura cient\u00edfica \u2013 est\u00e3o envolvidos na absor\u00e7\u00e3o, no metabolismo e no transporte de medicamentos antiepil\u00e9pticos.<\/p>\n<p>Nesses 11 genes, foram genotipados 119 diferentes marcadores moleculares do tipo polimorfismo de base \u00fanica (SNPs, na sigla em ingl\u00eas) para ver quais alelos estavam presentes.<\/p>\n<p>\u201cAplicamos uma s\u00e9rie de procedimentos estat\u00edsticos para desenvolver o modelo com melhor capacidade de prever o desfecho do paciente. Nesse modelo, \u00edamos colocando e tirando vari\u00e1veis para ver quais delas contribu\u00edam mais para a predi\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m dos polimorfismos gen\u00e9ticos, tamb\u00e9m acrescentamos dados cl\u00ednicos, como presen\u00e7a ou n\u00e3o de atrofia hipocampal, idade de in\u00edcio das crises, sexo do paciente, entre outras\u201d, contou Lopes-Cendes.<\/p>\n<p>Quando apenas as vari\u00e1veis cl\u00ednicas eram levadas em conta, a taxa de acerto do modelo ficou em torno de 45%, o que, segundo ressaltou Lopes-Cendes, seria inferior ao m\u00e9todo de jogar uma moeda para o alto e escolher cara ou coroa.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, quando se considerou a an\u00e1lise desses SNPs, a taxa de acerto subiu para 80% e chegou a 82% quando se somaram vari\u00e1veis cl\u00ednicas e gen\u00e9ticas.<\/p>\n<p>Como explicou Lopes-Cendes, para ter certeza de que os dois grupos de pacientes estudados eram pertencentes \u00e0 mesma popula\u00e7\u00e3o (do ponto de vista gen\u00e9tico) e, portanto, eram de fato compar\u00e1veis, o grupo tamb\u00e9m genotipou outros 90 SNPs em diferentes genes situados nos mesmos cromossomos da an\u00e1lise anterior.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 o que chamamos de controle gen\u00f4mico. Sem ele, corremos o risco de selecionar pacientes e controles de popula\u00e7\u00f5es diferentes, comprometendo os resultados das an\u00e1lises\u201d, disse a pesquisadora.<\/p>\n<p>Pr\u00f3ximo passo<\/p>\n<p>Diante da alta taxa de acerto do modelo desenvolvido pela equipe do BRAINN, Lopes-Cendes revela que pretende agora iniciar um estudo multic\u00eantrico, envolvendo pacientes de diversos pa\u00edses.<\/p>\n<p>\u201cA ideia \u00e9 genotipar esses SNPs no in\u00edcio do tratamento e acompanhar esses pacientes por dois anos para ver qual ser\u00e1 o desfecho. Se o resultado corroborar o que achamos neste primeiro estudo, j\u00e1 haver\u00e1 elementos suficientes para incluir essa metodologia na pr\u00e1tica cl\u00ednica\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>O artigo \u201cA Prediction Algorithm for Drug Response in Patients with Mesial Temporal Lobe Epilepsy Based on Clinical and Genetic Information\u201d pode ser lido em .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Em um estudo na revista PLoS One, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) mostraram ser poss\u00edvel usar informa\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas para identificar precocemente quais pacientes com uma das formas mais graves de epilepsia \u2013 conhecida como epilepsia do lobo temporal mesial (ELTM) \u2013 s\u00e3o refrat\u00e1rios ao tratamento medicamentoso e, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":57579,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[22,5],"tags":[],"class_list":{"0":"post-105960","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"category-saude-e-vida","9":"entry","10":"gs-1","11":"gs-odd","12":"gs-even","13":"gs-featured-content-entry"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/saude3.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/105960","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=105960"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/105960\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57579"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=105960"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=105960"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=105960"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}