{"id":105376,"date":"2017-01-26T01:08:45","date_gmt":"2017-01-26T03:08:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=105376"},"modified":"2017-01-25T17:10:12","modified_gmt":"2017-01-25T19:10:12","slug":"modelo-do-inpe-permite-prever-a-ocorrencia-de-raios-durante-as-tempestades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/modelo-do-inpe-permite-prever-a-ocorrencia-de-raios-durante-as-tempestades\/105376","title":{"rendered":"Modelo do INPE permite prever a ocorr\u00eancia de raios durante as tempestades"},"content":{"rendered":"<p> Jos\u00e9 Tadeu Arantes | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Um modelo voltado para a <strong><em>previs\u00e3o da ocorr\u00eancia de raios<\/em><\/strong> durante as tempestades est\u00e1 sendo testado em Campinas, no Estado de S\u00e3o Paulo. E dever\u00e1 tornar-se operacional ainda neste ver\u00e3o. O \u201cSOS-Chuva app\u201d, aplicativo gratuito desenvolvido para smartphones e tablets, que j\u00e1 fornece v\u00e1rias informa\u00e7\u00f5es sobre o tempo, permitir\u00e1 acessar tamb\u00e9m a previs\u00e3o relativa aos raios.<\/p>\n<p>O modelo, desenvolvido no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), \u00e9 um dos resultados pr\u00e1ticos do Projeto Tem\u00e1tico  e entendimento dos processos f\u00edsicos no interior das nuvens \u2013\u00a0SOS-Chuva (Sistema de observa\u00e7\u00e3o e previs\u00e3o de tempo severo), coordenado por Luiz Augusto Toledo Machado\u00a0e apoiado pela FAPESP.<\/p>\n<p>Por meio de um radar polarim\u00e9trico adquirido com recursos da FAPESP e instalado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o modelo possibilitar\u00e1 estimar, com anteced\u00eancia de meia hora, se determinado conjunto de nuvens produzir\u00e1 muitos rel\u00e2mpagos ou n\u00e3o. Com raio de cobertura de 100 quil\u00f4metros, e alta precis\u00e3o nos primeiros 60 quil\u00f4metros, o radar rastreia as caracter\u00edsticas das nuvens no c\u00e9u de Campinas e regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A eventual instala\u00e7\u00e3o de novos radares polarim\u00e9tricos ou a adapta\u00e7\u00e3o de equipamentos j\u00e1 instalados possibilitar\u00e3o estender a previs\u00e3o a outras regi\u00f5es do pa\u00eds. Devido \u00e0 vastid\u00e3o do territ\u00f3rio nacional, estima-se que, anualmente, de 60 a75 milh\u00f5es de raios caiam no Brasil, causando dezenas de mortes e preju\u00edzos da ordem de R$ 1 bilh\u00e3o \u00e0 sociedade.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o do modelo teve como ponto de partida pesquisa desenvolvida por Enrique Vieira Mattos no contexto do Projeto Tem\u00e1tico &#8221; associados aos principais sistemas precipitantes no Brasil: uma contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 modelagem da escala de nuvens e ao GPM (Medida Global de Precipita\u00e7\u00e3o)&#8221;. O jovem pesquisador foi beneficiado com duas bolsas da FAPESP: Doutorado e Est\u00e1gio de Pesquisa no Exterior.<\/p>\n<p>Uma descri\u00e7\u00e3o de seu estudo &#8220;&#8221; foi publicada, em dezembro de 2016, como mat\u00e9ria de capa do Journal of Geophysical Research.<\/p>\n<p>O pesquisador foi tamb\u00e9m coautor de outro artigo publicado na Geophysical Research Letters:  e, mais recentemente, \u00e9 o autor principal de um trabalho em fase de revis\u00e3o no Journal of Geophysical Research. Estes artigos foram produzidos em parceria com pesquisadores do Inpe, da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e do Massachusetts Institute of Technology (MIT), dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>\u201cO objetivo de nossa pesquisa foi entender as diferen\u00e7as microf\u00edsicas entre as tempestades que apresentam descargas el\u00e9tricas e as que n\u00e3o apresentam. A inten\u00e7\u00e3o era saber como diferenciar, por meio de radar meteorol\u00f3gico, o potencial de uma nuvem produzir ou n\u00e3o rel\u00e2mpagos\u201d, disse Vieira Mattos \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Para levar adiante o estudo, os pesquisadores empregaram uma rede de sensores, capaz de detectar cada rel\u00e2mpago em tr\u00eas dimens\u00f5es. Al\u00e9m das latitudes e das longitudes, usualmente detectadas, foram medidas tamb\u00e9m as alturas de cada parte do rel\u00e2mpago no interior da nuvem. Tais medi\u00e7\u00f5es foram feitas no \u00e2mbito da campanha do SOS-Chuva no Vale do Para\u00edba, em S\u00e3o Paulo, coordenada pelo Inpe.<\/p>\n<p>Denominada LMA (sigla derivada da express\u00e3o em l\u00edngua inglesa Lightning Mapping Array), essa rede, pela primeira vez utilizada no pa\u00eds, foi composta por 12 sensores instalados em solo cobrindo a regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo. Por meio da radia\u00e7\u00e3o eletromagn\u00e9tica emitida pelos rel\u00e2mpagos, o equipamento determinou as tr\u00eas coordenadas de cada um de seus pontos ao longo das linhas de propaga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cNossas medi\u00e7\u00f5es foram fruto de uma coopera\u00e7\u00e3o internacional, com a participa\u00e7\u00e3o do Inpe, da Universidade de S\u00e3o Paulo, da Nasa [National Aeronautics and Space Administration] e da NOAA [National Oceanic and Atmospheric Administration], a ag\u00eancia meteorol\u00f3gica subordinada ao Departamento de Com\u00e9rcio dos Estados Unidos, que mediu as descargas el\u00e9tricas\u201d, informou Luiz Augusto Toledo Machado. Ele foi o orientador do doutorado de Vieira Mattos e tamb\u00e9m assina o artigo publicado no Journal of Geophysical Research.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da LMA, os pesquisadores recorreram tamb\u00e9m ao radar polarim\u00e9trico, com o objetivo de diferenciar o tipo de part\u00edcula existente no interior da nuvem, se \u00e1gua l\u00edquida ou gelo; a forma da part\u00edcula de gelo, se esf\u00e9rica, c\u00f4nica ou oblonga; e a orienta\u00e7\u00e3o da part\u00edcula, se com o eixo principal orientado horizontalmente ou verticalmente. E ainda se, em determinada regi\u00e3o da nuvem, o gelo estava misturado com \u00e1gua l\u00edquida ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cCom os sensores da rede LMA, conseguimos determinar quais nuvens apresentavam e quais nuvens n\u00e3o apresentavam rel\u00e2mpagos, e em que posi\u00e7\u00f5es das nuvens os eventuais rel\u00e2mpagos ocorriam. Com o radar, analisamos separadamente cada camada das nuvens, desde a base at\u00e9 o topo. Isso nos possibilitou associar a ocorr\u00eancia de rel\u00e2mpagos com as propriedades microf\u00edsicas de cada camada. E, a partir da\u00ed, construir o modelo conceitual para a previs\u00e3o de rel\u00e2mpagos\u201d, afirmou Vieira Mattos.<\/p>\n<p>\u201cNuvens com alta probabilidade de ocorr\u00eancia de rel\u00e2mpagos apresentam bastante gelo de formato c\u00f4nico na faixa cujas temperaturas variam de zero a 15 graus negativos. Na mesma regi\u00e3o, apresentam tamb\u00e9m muitos cristais de gelo e \u00e1gua l\u00edquida super-resfriada. Essa mistura \u2013 gelo de formato c\u00f4nico, cristais de gelo e \u00e1gua l\u00edquida super-resfriada em alta concentra\u00e7\u00e3o \u2013, associada \u00e0 exist\u00eancia de correntes verticais intensas, leva a uma taxa de colis\u00e3o maior entre as part\u00edculas. E, em consequ\u00eancia, \u00e0 ioniza\u00e7\u00e3o e separa\u00e7\u00e3o das cargas el\u00e9tricas\u2013 condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para que ocorram as descargas el\u00e9tricas\u201d, continuou o pesquisador.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m disso, pr\u00f3ximo ao seu topo, que chamamos de fase glaciada, onde a temperatura desce abaixo de 40 graus negativos, essas grandes nuvens apresentam tamb\u00e9m um campo el\u00e9trico muito intenso, que orienta verticalmente os eixos dos cristais de gelo. E este se torna mais um marcador importante\u201d, completou.<\/p>\n<p>A combina\u00e7\u00e3o desses dois ingredientes permite caracterizar muito bem as nuvens produtoras de rel\u00e2mpagos: possuir uma mistura expressiva de gelo de formato c\u00f4nico, cristais de gelo e \u00e1gua l\u00edquida super-resfriada na faixa entre zero e menos 15 graus; e possuir cristais de gelo orientados verticalmente na faixa de menos 40 graus. Acompanhando, por meio de radar, as propriedades polarim\u00e9tricas, isto \u00e9, a forma e orienta\u00e7\u00e3o do gelo, \u00e9 poss\u00edvel saber se uma nuvem tem ou n\u00e3o potencial para a produ\u00e7\u00e3o de descargas el\u00e9tricas. E o modelo possibilita a previs\u00e3o quase imediata dos eventos, com anteced\u00eancia de meia hora.<\/p>\n<p>Uma segunda decorr\u00eancia importante do estudo \u00e9 a possibilidade de fazer o que pode ser considerado o caminho inverso: isto \u00e9, partir do invent\u00e1rio dos rel\u00e2mpagos para caracterizar ou estimar os perfis microf\u00edsicos das nuvens. Esse invent\u00e1rio tornou-se agora poss\u00edvel, praticamente em tempo real, com o lan\u00e7amento, em novembro de 2016, do sat\u00e9lite GOES 16 (Geostationary Operational Environmental Satellite).<\/p>\n<p>\u201cO GOES 16, chamado de  antes do lan\u00e7amento, \u00e9 o sat\u00e9lite geoestacion\u00e1rio mais moderno j\u00e1 fabricado, de propriedade da NOAA, que investiu cerca de US$ 11 bilh\u00f5es no projeto. Dentre seus v\u00e1rios sensores, h\u00e1 um que mede as descargas el\u00e9tricas, denominado Geostationary Lightning Mapper (GLM). E fornece, a cada 15 minutos, o mapeamento de todos os rel\u00e2mpagos que ocorrem nas tr\u00eas Am\u00e9ricas\u201d, detalhou Toledo Machado.<\/p>\n<p>\u201cAssociando essa informa\u00e7\u00e3o ao modelo desenvolvido a partir do trabalho de Vieira Mattos, conseguimos caracterizar os perfis das nuvens do ponto de vista de sua composi\u00e7\u00e3o microf\u00edsica. Fazendo uma analogia, \u00e9 como se a combina\u00e7\u00e3o do modelo com o monitoramento do GOES 16 nos fornecesse, de 15 em 15 minutos, as tomografias das nuvens, informando a composi\u00e7\u00e3o de cada uma de suas camadas. Essa informa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito importante para a previs\u00e3o num\u00e9rica, que sempre parte de um estado inicial e o faz evoluir no tempo. Estamos falando em novos modelos de previs\u00e3o, muito diferentes daqueles utilizados at\u00e9 agora. S\u00e3o modelos com resolu\u00e7\u00e3o da ordem de um quil\u00f4metro, que possibilitam a previs\u00e3o do tempo na escala de bairros\u201d, continuou o coordenador.<\/p>\n<p>Previs\u00f5es r\u00e1pidas e precisas s\u00e3o uma necessidade premente no quadro da mudan\u00e7a clim\u00e1tica global, em que os chamados eventos extremos tendem a ocorrer com frequ\u00eancia cada vez maior. O n\u00famero de rel\u00e2mpagos depende da intensidade da tempestade (correntes ascendentes) e composi\u00e7\u00e3o microf\u00edsica das nuvens (tipo, tamanho, concentra\u00e7\u00e3o etc. do gelo), podendo variar de algumas dezenas a milhares. Sistemas de nuvens de mesoescala, que se estendem horizontalmente por milhares de quil\u00f4metros quadrados, produzem rel\u00e2mpagos com at\u00e9 100 quil\u00f4metros de extens\u00e3o em suas linhas centrais de propaga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Noventa por cento dos rel\u00e2mpagos se propagam apenas no interior das nuvens e essa propaga\u00e7\u00e3o interna antecede as descargas no solo. Por isso tamb\u00e9m um monitoramento quase em tempo real, como o agora proporcionado pelo GOES 16, torna-se muito relevante para a tomada de decis\u00f5es dos \u00f3rg\u00e3os encarregados da defesa civil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Tadeu Arantes | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Um modelo voltado para a previs\u00e3o da ocorr\u00eancia de raios durante as tempestades est\u00e1 sendo testado em Campinas, no Estado de S\u00e3o Paulo. E dever\u00e1 tornar-se operacional ainda neste ver\u00e3o. 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