{"id":105085,"date":"2017-01-23T01:29:42","date_gmt":"2017-01-23T03:29:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=105085"},"modified":"2017-01-22T17:31:04","modified_gmt":"2017-01-22T19:31:04","slug":"novo-recorde-de-transmissao-de-dados-pela-internet-entre-hemisferios-e-estabelecido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/novo-recorde-de-transmissao-de-dados-pela-internet-entre-hemisferios-e-estabelecido\/105085","title":{"rendered":"Novo recorde de transmiss\u00e3o de dados pela internet entre hemisf\u00e9rios \u00e9 estabelecido"},"content":{"rendered":"<p> Elton Alisson | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Um grupo de pesquisadores e engenheiros do S\u00e3o Paulo Research and Analysis Center () e do N\u00facleo de Computa\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica (NCC) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em colabora\u00e7\u00e3o com colegas da Academic Network of S\u00e3o Paulo () \u2013 todos apoiados pela FAPESP \u2013, do Americas Pathways (AmPATH) e do California Institute of Technology (Caltech), dos Estados Unidos, conseguiu estabelecer um novo recorde de <em><strong>transmiss\u00e3o de dados<\/strong><\/em> entre os hemisf\u00e9rios Sul e Norte e vice-versa.<\/p>\n<p>Em um primeiro experimento, eles transferiram dados do datacenter do NCC da Unesp, em S\u00e3o Paulo, para Miami, nos Estados Unidos, com grande estabilidade e por um per\u00edodo de 17 horas, a uma taxa de, aproximadamente, 85 Gigabits por segundo (Gbps) \u2013 uma capacidade de transmiss\u00e3o 8,5 mil vezes maior do que a da banda larga de internet de uso dom\u00e9stico no Brasil, de at\u00e9 10 megabits por segundo (Mbps).<\/p>\n<p>Pouco tempo depois, em um novo experimento realizado no sentido contr\u00e1rio, conseguiram transferir dados durante uma hora a partir de Miami para o Sprace \u2013 cujos sistemas est\u00e3o instalados no NCC \u2013 a uma taxa m\u00e9dia de 96,56 Gbps, com pico de 97,56 Gbps e sempre acima de 95,86 Gbps \u2013 equivalente a quase 10 mil vezes a capacidade de transmiss\u00e3o da banda larga de internet de uso dom\u00e9stico no Brasil.<\/p>\n<p>O novo recorde foi estabelecido durante a confer\u00eancia SuperComputing 2016 (SC16), considerada um dos maiores e mais prestigiados eventos de computa\u00e7\u00e3o de alto desempenho, redes e armazenamento de dados do mundo, realizada em Salt Lake City, nos Estados Unidos, entre os dias 13 e 18 de novembro.<\/p>\n<p>\u201cFoi a terceira vez que estabelecemos recorde de transmiss\u00e3o de dados entre os hemisf\u00e9rios Sul e Norte nessa confer\u00eancia e em colabora\u00e7\u00e3o com o Caltech\u201d, disse Rog\u00e9rio Iope, gerente executivo do NCC da Unesp, que coordenou as demonstra\u00e7\u00f5es, \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cEm 2004, quando o Sprace iniciou suas atividades e participou pela primeira vez de demonstra\u00e7\u00f5es de conectividade internacional nesse evento, atingimos o recorde de transmiss\u00e3o de 1 Gbps por meio da tecnologia dispon\u00edvel na \u00e9poca. E, em 2009, um m\u00eas ap\u00f3s a inaugura\u00e7\u00e3o do data center do NCC, alcan\u00e7amos a marca de 8 Gbps de sa\u00edda e a mesma taxa de entrada, demonstrando a capacidade de tr\u00e1fego do centro\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Aprimoramento constante<\/p>\n<p>De acordo com Iope, o estabelecimento desses recordes sucessivos de transmiss\u00e3o de dados entre hemisf\u00e9rios foi poss\u00edvel em raz\u00e3o do aprimoramento constante da infraestrutura de rede do Sprace.<\/p>\n<p>O centro de an\u00e1lise computacional integra o Worldwide LHC Computing Grid (WLCG) \u2013 uma infraestrutura de computa\u00e7\u00e3o distribu\u00edda (grid) entre mais de 200 institui\u00e7\u00f5es de pesquisa em todo o mundo, que funciona como uma \u00fanica m\u00e1quina, tendo que processar e armazenar os dados produzidos por experimentos realizado no Grande Colisor de H\u00e1drons (LHC, na sigla em ingl\u00eas), mantido pelo European Organization for Nuclear Research (Cern), na Su\u00ed\u00e7a.<\/p>\n<p>Quando \u00e9 gerado um conjunto definido de dados que serve de base para uma an\u00e1lise de um determinado aspecto de um experimento realizado no LHC, o sistema identifica as m\u00e1quinas que naquele momento est\u00e3o ociosas nesses centros computacionais para receber esses datasets \u2013 como s\u00e3o chamados \u2013 e process\u00e1-los.<\/p>\n<p>Para tanto, a infraestrutura de rede desses centros computacionais \u00e9 classificada hierarquicamente como Tiers, sendo que o Tier 0 \u00e9 o Cern, os Tiers 1 os grandes centros de pesquisa nacionais, como o Fermilab e o Brookhaven National Laboratory, nos Estados Unidos, e os Tiers 2 as institui\u00e7\u00f5es de pesquisa, como a Unesp. Esses centros precisam ter largura de banda suficiente para receber esses datasets, process\u00e1-los e permitir que pesquisadores localizados em diferentes lugares no mundo possam analis\u00e1-los o mais r\u00e1pido poss\u00edvel, explicou Iope.<\/p>\n<p>\u201cQuanto maior a largura de banda, mais r\u00e1pido pode ser transferido um dataset para um centro computacional, como o Sprace, para a an\u00e1lise de dados pelos pesquisadores e gera\u00e7\u00e3o de resultados que podem levar a novas descobertas cient\u00edficas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Segundo Iope, os datasets que circulam pelo WLCG s\u00e3o da ordem de terabytes \u2013 equivalente a quase 9 trilh\u00f5es de bits.<\/p>\n<p>A transfer\u00eancia de um datatset de 10 terabytes para um centro computacional com largura de banda de 10 Gbps, por exemplo, leva quase duas horas e trinta minutos.<\/p>\n<p>J\u00e1 em um centro computacional com canal dispon\u00edvel de 100 Gbps, como \u00e9 o caso do Sprace, a transfer\u00eancia de um conjunto de dados dessa magnitude demoraria menos de 15 minutos, comparou.<\/p>\n<p>\u201cInvestimos bastante em nossa infraestrutura de rede de modo a mant\u00ea-la sempre no estado da arte em raz\u00e3o, principalmente, de estarmos integrados a uma infraestrutura de computa\u00e7\u00e3o distribu\u00edda, como a do Cern. Uma de nossas obriga\u00e7\u00f5es \u00e9 manter uma rede confi\u00e1vel de alta velocidade para transmiss\u00e3o de dados de forma que consigamos operar conjuntamente com os outros centros computacionais\u201d, disse S\u00e9rgio Novaes, diretor cient\u00edfico do NCC e coordenador do Sprace.<\/p>\n<p>\u201cSempre que uma tecnologia surge tentamos, na medida do poss\u00edvel, fazer com que nossas m\u00e1quinas passem a operar nesse novo patamar tecnol\u00f3gico, como aconteceu em 2016, com a inaugura\u00e7\u00e3o dos dois canais internacionais de 100 Gbps entre S\u00e3o Paulo e Miami, que possibilitaram estabelecermos o novo recorde de transmiss\u00e3o de dados entre os hemisf\u00e9rios Sul e Norte\u201d, disse Novaes.<\/p>\n<p>Teste de fogo<\/p>\n<p>Os dois canais interligam S\u00e3o Paulo a Miami, no ponto de troca de tr\u00e1fego chamado de NAP das Am\u00e9ricas \u2013 onde \u00e9 feita a conex\u00e3o tanto com as redes acad\u00eamicas internacionais como com a internet comercial internacional \u2013 por meio de cabos de fibra \u00f3ptica submarinos instalados nos oceanos Atl\u00e2ntico e Pac\u00edfico, formando um anel em torno da Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>Os dois canais funcionam como um sistema redundante: se o tr\u00e1fego do canal que segue pelo Atl\u00e2ntico cair, por exemplo, os dados podem seguir pelo canal que passa pelo Pac\u00edfico.<\/p>\n<p>O canal que segue pelo Atl\u00e2ntico come\u00e7ou a funcionar experimentalmente no in\u00edcio de 2016 e \u00e9 operado pela Rede ANSP, que interliga as universidades e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo \u00e0s redes acad\u00eamicas dos Estados Unidos e de outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>\u201cOs experimentos realizados pelos pesquisadores do Sprace e do NCC da Unesp em novembro representaram a fase de certifica\u00e7\u00e3o final e o \u2018teste de fogo\u2019 do canal da parte do Atl\u00e2ntico, que est\u00e1 funcionando 100% bem\u201d, disse Luiz Fernandez Lopez, coordenador geral da Rede ANSP.<\/p>\n<p>\u201cEsses testes finais nos d\u00e3o mais seguran\u00e7a no uso futuro desse link por pesquisadores de \u00e1reas como a de F\u00edsica de Altas Energias, Astronomia, Bioinform\u00e1tica e Medicina, que hoje s\u00e3o as que demandam maior capacidade de transmiss\u00e3o de dados\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>J\u00e1 o canal que segue pelo Pac\u00edfico, inaugurado em car\u00e1ter experimental em junho de 2016, \u00e9 operado pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e prover\u00e1 o acesso de universidades e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa fora do Estado de S\u00e3o Paulo \u00e0s redes acad\u00eamicas do exterior.<\/p>\n<p>Esse canal, contudo, ainda n\u00e3o est\u00e1 em opera\u00e7\u00e3o porque apresentou uma taxa de erro de transmiss\u00e3o de dados entre S\u00e3o Paulo e Santiago, no Chile, da ordem de 1%.<\/p>\n<p>\u201cApesar de parecer irris\u00f3rio, um erro de transmiss\u00e3o dessa ordem de grandeza \u00e9 terr\u00edvel. Isso causa perda de banda, provoca um delay [retardo de sinal] e aumenta o tempo necess\u00e1rio para transmiss\u00e3o de uma mensagem\u201d, explicou Lopez.<\/p>\n<p>De acordo com ele, a previs\u00e3o \u00e9 de que o canal que segue pelo Pac\u00edfico esteja em pleno funcionamento ainda no primeiro trimestre de 2017.<\/p>\n<p>A maioria do tr\u00e1fego de dados entre as universidades e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo e as redes acad\u00eamicas do exterior tem ocorrido atualmente atrav\u00e9s de quatro links de 10 Gbps cada entre S\u00e3o Paulo e Miami mantidos pela Rede ANSP, afirmou.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o desativamos esses canais de 10 Gbps com a instala\u00e7\u00e3o dos novos links de 100 Gbps cada. Dessa forma, passamos a contar com uma capacidade de transmiss\u00e3o de dados de 240 Gbps\u201d, calculou.<\/p>\n<p>De acordo com ele, a demanda de tr\u00e1fego internacional de dados das universidades e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa no Estado de S\u00e3o Paulo varia hoje, dependendo do dia e da hora, entre 5 e 10 Gbps, e a nacional \u00e9 de 40 Gbps.<\/p>\n<p>Para pesquisa em \u00e1reas como a F\u00edsica de Altas Energias e Astronomia, contudo \u2013 que dependem de dados gerados por instrumentos cient\u00edficos instalados no exterior, como o LHC e radiotelesc\u00f3pios no Chile \u2013, a demanda \u00e9 muito maior e dever\u00e1 aumentar, a partir de 2018, com o in\u00edcio dos testes dos sistemas de transmiss\u00e3o de dados de dois novos telesc\u00f3pios no Chile: o Large Synoptic Survey Telescope (LSST), que est\u00e1 sendo constru\u00eddo por um cons\u00f3rcio norte-americano, e o Thirty Meter Telescope (TMT), do Observat\u00f3rio Europeu do Sul (TMT).<\/p>\n<p>\u201cJuntos, na fase de testes esses dois novos telesc\u00f3pios v\u00e3o demandar uma taxa de tr\u00e1fego na faixa de 20 Gbps, podendo chegar a 80 Gbps em 2020\u201d, estimou Lopez.<\/p>\n<p>\u201cAntevendo essa demanda, j\u00e1 come\u00e7amos a nos antecipar e preparar a infraestrutura para disponibilizar canais de transmiss\u00e3o que comportem esse tr\u00e1fego\u201d, explicou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elton Alisson | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Um grupo de pesquisadores e engenheiros do S\u00e3o Paulo Research and Analysis Center () e do N\u00facleo de Computa\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica (NCC) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em colabora\u00e7\u00e3o com colegas da Academic Network of S\u00e3o Paulo () \u2013 todos apoiados pela FAPESP \u2013, do Americas Pathways (AmPATH) e do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":57576,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[22,7],"tags":[],"class_list":{"0":"post-105085","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"category-economia","9":"entry","10":"gs-1","11":"gs-odd","12":"gs-even","13":"gs-featured-content-entry"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/tecnologia1.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/105085","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=105085"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/105085\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57576"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=105085"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=105085"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=105085"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}