{"id":104585,"date":"2017-01-17T01:04:47","date_gmt":"2017-01-17T03:04:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=104585"},"modified":"2017-01-16T10:05:57","modified_gmt":"2017-01-16T12:05:57","slug":"pesquisadores-caracterizam-substancias-produzidas-por-cianobacterias-aquaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/pesquisadores-caracterizam-substancias-produzidas-por-cianobacterias-aquaticas\/104585","title":{"rendered":"Pesquisadores caracterizam subst\u00e2ncias produzidas por cianobact\u00e9rias aqu\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"<p> Diego Freire \u00a0| \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Boa parte das cianobact\u00e9rias, conhecidas como <em><strong>algas azuis<\/strong><\/em>, vive em \u00e1guas marinhas, de lagos e de rios, em contato direto com peixes e frutos do mar que podem ser afetados de diferentes formas pelas subst\u00e2ncias produzidas por esses microrganismos, muitas delas ainda desconhecidas. Pesquisadores da Faculdade de Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas (FCF) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), em parceria com a Universidade T\u00e9cnica da Dinamarca, descobriram e caracterizaram uma s\u00e9rie dessas subst\u00e2ncias, produzidas por cianobact\u00e9rias coletadas em um reservat\u00f3rio em Pernambuco e em folhas de \u00e1rvores do Parque Estadual da Serra do Mar, no litoral paulista.<\/p>\n<p>As descobertas foram feitas durante a pesquisa &#8220;&#8221;, realizada com o apoio da FAPESP em \u00a0com o Innovation Fund Denmark. O objetivo, de acordo com os pesquisadores, \u00e9 ampliar o conhecimento sobre a eventual toxicidade dessas subst\u00e2ncias e sobre os riscos de contamina\u00e7\u00e3o para consumidores de frutos do mar e peixes. No estudo tamb\u00e9m s\u00e3o analisadas outras classes de produtos naturais bioativos n\u00e3o t\u00f3xicos com potencial para diversas aplica\u00e7\u00f5es \u2013 entre elas, em medicamentos.<\/p>\n<p>\u201cAs cianobact\u00e9rias s\u00e3o os organismos mais antigos da Terra, bem adaptadas a qualquer ambiente com um m\u00ednimo de \u00e1gua. O ac\u00famulo de f\u00f3sforo, nitrog\u00eanio e mat\u00e9ria org\u00e2nica em ambientes aqu\u00e1ticos favorece o seu desenvolvimento. Esse crescimento acelerado, fen\u00f4meno conhecido como flora\u00e7\u00e3o, que \u00e9 facilmente percebido por tornar a \u00e1gua verde, favorece a libera\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias, cujos efeitos em outros organismos n\u00e3o s\u00e3o plenamente conhecidos. Algumas esp\u00e9cies de cianobact\u00e9rias produzem toxinas que j\u00e1 foram caracterizadas e outros compostos ativos que ainda n\u00e3o foram descobertos\u201d, conta Ernani Pinto, professor da FCF-USP, respons\u00e1vel pela pesquisa.<\/p>\n<p>Dessa forma, o trabalho contempla n\u00e3o s\u00f3 toxinas, mas outras subst\u00e2ncias produzidas pelos microrganismos que podem ter impacto na \u00e1gua, nos frutos do mar e nos peixes.<\/p>\n<p>Entre as subst\u00e2ncias identificadas e caracterizadas pelos pesquisadores quatro s\u00e3o produzidas por uma esp\u00e9cie de cianobact\u00e9ria coletada do Reservat\u00f3rio de Tapacur\u00e1, no munic\u00edpio pernambucano de S\u00e3o Louren\u00e7o da Mata. O grupo j\u00e1 havia comprovado que a esp\u00e9cie estudada produz a mol\u00e9cula da anatoxina-a(s), toxina com efeito inibidor da colinesterase, inativando a atividade da enzima acetilcolinesterase (AChE), uma das mais importantes e necess\u00e1rias ao pleno funcionamento do sistema nervoso de humanos, de outros vertebrados e de insetos.<\/p>\n<p>Trata-se do \u00fanico composto organofosforado natural conhecido. Testes de laborat\u00f3rio mostraram que o efeito da anatoxina-a(s) \u00e9 igual ao dos inseticidas sint\u00e9ticos. Sua ingest\u00e3o pelo animal aqu\u00e1tico ou pelo ser humano pode provocar saliva\u00e7\u00e3o intensa, parada respirat\u00f3ria e parada card\u00edaca.<\/p>\n<p>Agora, os pesquisadores trabalham para identificar os poss\u00edveis efeitos das novas subst\u00e2ncias em diferentes modelos, avaliando sua toxicidade e seus mecanismos de a\u00e7\u00e3o. De acordo com Pinto, o que se sabe por ora \u00e9 que as subst\u00e2ncias s\u00e3o pept\u00eddeos inibidores de proteases \u2013 enzimas capazes de degradar prote\u00ednas.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o da anatoxina-a(s), encontramos na mesma cepa quatro subst\u00e2ncias que s\u00e3o inibidoras de protease. Essa sucess\u00e3o de descobertas em torno da cianobact\u00e9ria indica que se trata de um organismo de extrema import\u00e2ncia, evidenciando sua capacidade de produzir subst\u00e2ncias ativas dos mais variados tipos. A literatura mundial costuma se ater mais aos aspectos toxicol\u00f3gicos, mas essas outras subst\u00e2ncias descobertas podem virar medicamentos, por exemplo.\u201d<\/p>\n<p>Em outra frente da pesquisa, em parceria com o Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da USP, o grupo encontrou 38 pept\u00eddeos produzidos por cianobact\u00e9rias que vivem na \u00e1gua retida pelas folhas de plantas da Floresta Tropical de Picinguaba, na Serra do Mar \u2013 37 deles in\u00e9ditos na literatura cient\u00edfica. As subst\u00e2ncias n\u00e3o parecem ser toxinas, mas pertencem a fam\u00edlias distintas de pept\u00eddeos que ocorrem em cianobact\u00e9rias e que s\u00e3o inibidores de proteases.<\/p>\n<p>\u201cAinda n\u00e3o foram realizados ensaios toxicol\u00f3gicos para determinar se essas subst\u00e2ncias s\u00e3o t\u00f3xicas ou n\u00e3o, mas elas podem cumprir uma fun\u00e7\u00e3o importante na natureza, como na alelopatia \u2013 processo que envolve metab\u00f3litos secund\u00e1rios produzidos por plantas, algas, bact\u00e9rias e fungos que influenciam na comunica\u00e7\u00e3o intra e entre esp\u00e9cies, no crescimento e desenvolvimento de sistemas biol\u00f3gicos. \u00c9 a capacidade que as plantas t\u00eam de produzir subst\u00e2ncias qu\u00edmicas que, liberadas no ambiente de outras, influenciam de forma favor\u00e1vel ou desfavor\u00e1vel o seu desenvolvimento\u201d, explica Pinto.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com o pesquisador, essas subst\u00e2ncias podem ser produzidas para proteger as cianobact\u00e9rias de animais que consomem plantas. Elas tamb\u00e9m atuam na homeostase, processo de autorregula\u00e7\u00e3o por meio do qual sistemas biol\u00f3gicos tendem a manter sua estabilidade para se ajustar a condi\u00e7\u00f5es \u00f3timas de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cO Captopril, f\u00e1rmaco usado no tratamento de hipertens\u00e3o arterial e em casos de insufici\u00eancia card\u00edaca, foi descoberto e desenvolvido a partir de uma toxina natural inibidora da enzima conversora da angiotensina I. Podemos estar no caminho do desenvolvimento de novos f\u00e1rmacos a partir da descoberta de novas subst\u00e2ncias com mecanismos semelhantes\u201d, diz.<\/p>\n<p>Os resultados foram relatados no artigo , publicado pela revista Marine Drug. J\u00e1 a descoberta das subst\u00e2ncias produzidas pela cianobact\u00e9ria coletada no Reservat\u00f3rio de Tapacur\u00e1 foi relatada na revista Toxicon, no artigo .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diego Freire \u00a0| \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Boa parte das cianobact\u00e9rias, conhecidas como algas azuis, vive em \u00e1guas marinhas, de lagos e de rios, em contato direto com peixes e frutos do mar que podem ser afetados de diferentes formas pelas subst\u00e2ncias produzidas por esses microrganismos, muitas delas ainda desconhecidas. 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