{"id":104415,"date":"2017-01-13T06:24:02","date_gmt":"2017-01-13T08:24:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=104415"},"modified":"2017-01-12T21:24:47","modified_gmt":"2017-01-12T23:24:47","slug":"epidemia-de-zika-nao-elevou-venda-de-contraceptivos-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/epidemia-de-zika-nao-elevou-venda-de-contraceptivos-no-pais\/104415","title":{"rendered":"Epidemia de Zika n\u00e3o elevou venda de contraceptivos no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Diante da explos\u00e3o de casos de beb\u00eas nascidos com microcefalia e outras malforma\u00e7\u00f5es cong\u00eanitas no Nordeste brasileiro em 2015 \u2013 e da crescente suspeita de que o fen\u00f4meno estivesse ligado \u00e0 <em><strong>epidemia de Zika<\/strong><\/em> \u2013, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade emitiu, em novembro daquele ano, um alerta para que mulheres adiassem os planos de gravidez. Cerca de tr\u00eas meses depois, com o fortalecimento das evid\u00eancias de que o v\u00edrus aparentado do causador da dengue era de fato o respons\u00e1vel pelos casos de malforma\u00e7\u00f5es em beb\u00eas, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) declarou emerg\u00eancia internacional de sa\u00fade p\u00fablica e recomendou que gr\u00e1vidas evitassem frequentar as regi\u00f5es afetadas pelo v\u00edrus.<\/p>\n<p>Mas, apesar do apelo das autoridades sanit\u00e1rias e da grande exposi\u00e7\u00e3o do tema nos meios de comunica\u00e7\u00e3o do Brasil e do mundo, a venda de contraceptivos no pa\u00eds n\u00e3o aumentou em rela\u00e7\u00e3o a anos anteriores, como mostra um estudo feito na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)  e  na revista Human Reproduction.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do coordenador da pesquisa, Luis Guillermo Bahamondes, da Cl\u00ednica de Planejamento Familiar do Departamento de Obstetr\u00edcia e Ginecologia da Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas (FCM) da Unicamp, o resultado observado estaria mais ligado \u00e0 dificuldade de acesso a m\u00e9todos contraceptivos \u2013 especialmente na rede p\u00fablica \u2013 do que \u00e0 falta de interesse das mulheres em evitar a gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cPara conseguir uma cartela de p\u00edlula nas Unidades B\u00e1sicas de Sa\u00fade (UBS), por exemplo, antes \u00e9 preciso esperar tr\u00eas ou quatro meses por uma consulta m\u00e9dica. E comprar o medicamento nas drogarias \u00e9 uma impossibilidade para muitas. Dos m\u00e9todos considerados de longa dura\u00e7\u00e3o, apenas o DIU [dispositivo intrauterino] com cobre \u00e9 coberto pelo SUS [Sistema \u00danico de Sa\u00fade] e, muitas vezes, faltam profissionais capacitados para inseri-lo\u201d, disse Bahamondes.<\/p>\n<p>No estudo, foram avaliados dados fornecidos pela ind\u00fastria farmac\u00eautica sobre a venda de produtos contraceptivos entre setembro de 2014 \u2013 um ano antes da confirma\u00e7\u00e3o do primeiro caso de microcefalia associado ao Zika \u2013 e agosto de 2016.<\/p>\n<p>Os produtos analisados foram divididos em quatro grupos. O primeiro engloba os contraceptivos orais (p\u00edlula), os adesivos hormonais e os an\u00e9is vaginais. No segundo grupo est\u00e3o os anticoncepcionais injet\u00e1veis, tanto os de aplica\u00e7\u00e3o mensal como os trimestrais.<\/p>\n<p>O terceiro grupo \u00e9 representado pelos contraceptivos de emerg\u00eancia, popularmente chamados de p\u00edlula do dia seguinte. Por \u00faltimo, no quarto grupo, foram agrupados os m\u00e9todos considerados de longa dura\u00e7\u00e3o, como o DIU com cobre (10 anos de efic\u00e1cia), o DIU medicado com levonorgestrel (cinco anos) e o implante hormonal (tr\u00eas anos).<\/p>\n<p>Os m\u00e9todos do primeiro grupo s\u00e3o de longe os mais consumidos no Brasil, sendo que a p\u00edlula corresponde a mais de 90% das unidades vendidas deste segmento. O n\u00famero, que era em torno de 13,4 milh\u00f5es de unidades em setembro de 2014, manteve-se praticamente est\u00e1vel at\u00e9 agosto de 2016.<\/p>\n<p>Entre os injet\u00e1veis os pesquisadores registraram uma leve queda. O n\u00famero de unidades vendidas passou de 1,4 milh\u00e3o para 1,3 milh\u00e3o. Os contraceptivos de emerg\u00eancia tiveram uma pequena alta: de aproximadamente 1,2 milh\u00e3o de unidades vendidas para 1,4 milh\u00e3o. J\u00e1 os m\u00e9todos de longa dura\u00e7\u00e3o sa\u00edram de 38,6 mil para 39,4 mil.<\/p>\n<p>Bahamondes ressalta que os n\u00fameros refletem as unidades que foram vendidas pelas distribuidoras ao setor p\u00fablico, aos pontos de venda ou de dispensa\u00e7\u00e3o e que, portanto, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ter certeza se chegaram at\u00e9 as mulheres e se elas efetivamente usaram os produtos.<\/p>\n<p>Vale tamb\u00e9m destacar que n\u00e3o foram contemplados os dados de venda de camisinha. Segundo os autores, isso se deve ao fato de que a camisinha, al\u00e9m de m\u00e9todo contraceptivo, tamb\u00e9m \u00e9 usada na preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis.<\/p>\n<p>Alto custo de m\u00e9todos eficazes<\/p>\n<p>Como observam os autores no artigo, apenas 1,6% das mulheres em idade reprodutiva no Brasil faz uso dos m\u00e9todos de longa dura\u00e7\u00e3o \u2013 considerados os mais eficazes na preven\u00e7\u00e3o de gravidez. Nos Estados Unidos, o n\u00famero \u00e9 5%, enquanto na Europa oscila entre 18 e 25%.<\/p>\n<p>Segundo Bahamondes, no setor privado, o alto custo, a falta de cobertura por planos de sa\u00fade e a falta de capacita\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos para inserir os dispositivos s\u00e3o os principais fatores que limitam o acesso.<\/p>\n<p>\u201cApenas em torno de uma a tr\u00eas em mil mulheres que fazem uso desses m\u00e9todos engravidam, enquanto entre as usu\u00e1rias de p\u00edlula a taxa de falha varia de oito a dez a cada cem usu\u00e1rias. A principal vantagem dos m\u00e9todos de longa dura\u00e7\u00e3o \u00e9 n\u00e3o haver risco de as mulheres esquecerem de tomar o medicamento ou de trocar o adesivo ou o anel\u201d, disse.<\/p>\n<p>Por outro lado, acrescentou o pesquisador, a demanda por contracep\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia no Brasil \u00e9 muito superior \u00e0 de pa\u00edses desenvolvidos. \u201cIsso claramente \u00e9 reflexo da dificuldade das mulheres para ter acesso aos outros m\u00e9todos de preven\u00e7\u00e3o da gravidez\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O artigo \u201cContraceptive sales in the setting of the Zika virus epidemic\u201d (doi: 10.1093\/humrep\/dew310), de Luis Bahamondes, Moazzam Ali, Ilza Monteiro e Arlete Fernandes, pode ser lido em: .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Diante da explos\u00e3o de casos de beb\u00eas nascidos com microcefalia e outras malforma\u00e7\u00f5es cong\u00eanitas no Nordeste brasileiro em 2015 \u2013 e da crescente suspeita de que o fen\u00f4meno estivesse ligado \u00e0 epidemia de Zika \u2013, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade emitiu, em novembro daquele ano, um alerta para que mulheres [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":40847,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[22,5],"tags":[],"class_list":{"0":"post-104415","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"category-saude-e-vida","9":"entry","10":"gs-1","11":"gs-odd","12":"gs-even","13":"gs-featured-content-entry"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/dengue-combate.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/104415","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=104415"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/104415\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40847"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=104415"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=104415"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=104415"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}