{"id":104154,"date":"2017-01-11T06:20:41","date_gmt":"2017-01-11T08:20:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=104154"},"modified":"2017-01-10T13:21:38","modified_gmt":"2017-01-10T15:21:38","slug":"spread-bancario-resiste-a-cair-apesar-da-queda-dos-juros-basicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/spread-bancario-resiste-a-cair-apesar-da-queda-dos-juros-basicos\/104154","title":{"rendered":"Spread banc\u00e1rio resiste a cair, apesar da queda dos juros b\u00e1sicos"},"content":{"rendered":"<p> A queda nos <strong><em>juros b\u00e1sicos<\/em><\/strong> da economia est\u00e1 demorando a chegar aos tomadores finais de empr\u00e9stimos e financiamentos. Embora o Banco Central (BC) tenha reduzido a taxa Selic duas vezes desde outubro, os juros cobrados pelos bancos n\u00e3o caem na mesma velocidade. A explica\u00e7\u00e3o est\u00e1 no spread banc\u00e1rio, que acumulou alta em outubro e em novembro, mesmo com a Selic em queda.<\/p>\n<p>O spread banc\u00e1rio \u00e9 a diferen\u00e7a entre as taxas que as institui\u00e7\u00f5es financeiras pagam para captar recursos e as que cobram do cliente final. O indicador, divulgado todos os meses pelo BC, caiu 0,4 ponto percentual em novembro. No entanto, com o crescimento de 1 ponto percentual registrado em outubro, o spread acumula alta de 0,6 ponto percentual no \u00faltimo trimestre de 2016. A conta abrange apenas as opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito livre, feitas com recursos pr\u00f3prios dos bancos, excluindo o cr\u00e9dito direcionado, concedido com subs\u00eddios do governo.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a pode ser observada quando se compara a evolu\u00e7\u00e3o das taxas usadas na capta\u00e7\u00e3o e os juros cobrados na concess\u00e3o de cr\u00e9dito. A taxa m\u00e9dia de capta\u00e7\u00e3o estava em 12,1% ao ano em novembro, segundo os dados mais recentes do BC. Essa \u00e9 a taxa que os bancos pagam para pegar dinheiro emprestado dos correntistas por meio de aplica\u00e7\u00f5es como poupan\u00e7a, CDB e fundos de investimento.<\/p>\n<p>Mesmo com a taxa Selic sendo reduzida em 0,5 ponto percentual \u2013 de 14,25% para 13,75% ao ano \u2013 desde outubro, a taxa m\u00e9dia de capta\u00e7\u00e3o acumula queda de apenas 0,1 ponto percentual em outubro e em novembro, de 12,2% para 12,1% ao ano.<\/p>\n<p>Os juros m\u00e9dios pagos pelos tomadores de empr\u00e9stimos e financiamento, no entanto, n\u00e3o tiveram a mesma trajet\u00f3ria e subiram, mesmo com a queda da Selic. A taxa m\u00e9dia de aplica\u00e7\u00e3o, como o BC chama os juros dos clientes finais, acumula alta de 0,5 ponto percentual em outubro e em novembro, passando de 53,4% para 53,9% ao ano no per\u00edodo. O spread \u2013 diferen\u00e7a entre as duas taxas \u2013 subiu de 41,2% para 41,8% ao ano (0,6 ponto percentual) na mesma compara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Contas p\u00fablicas<\/p>\n<p>Diretor do Banco Central nos anos 80 e no in\u00edcio dos anos 2000, Carlos Eduardo de Freitas diz n\u00e3o estar surpreso com a resist\u00eancia de o spread banc\u00e1rio cair. Para ele, a queda do indicador depende fundamentalmente da capacidade de recupera\u00e7\u00e3o da economia e da redu\u00e7\u00e3o do desequil\u00edbrio nas contas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>\u201cO spread banc\u00e1rio est\u00e1 muito mais relacionado \u00e0s condi\u00e7\u00f5es da economia do que aos movimentos da taxa Selic. Enquanto as contas p\u00fablicas estiverem desequilibradas, o spread n\u00e3o vai cair. Ao longo da minha carreira, s\u00f3 vi o spread banc\u00e1rio cair na d\u00e9cada de 2000, justamente quando o pa\u00eds fazia super\u00e1vits prim\u00e1rios [economia para pagar os juros da d\u00edvida p\u00fablica] elevados\u201d, diz.<\/p>\n<p>Abuso<\/p>\n<p>O professor de Finan\u00e7as Fabio Gallo, da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV) em S\u00e3o Paulo, considera um padr\u00e3o hist\u00f3rico do setor financeiro manter spreads banc\u00e1rios altos e lucrar em tempos de crise. Segundo ele, o comportamento ocorre em todo o planeta, mas \u00e9 agravado pela concentra\u00e7\u00e3o no setor financeiro brasileiro, com poucos bancos concorrendo entre si.<\/p>\n<p>\u201cOs bancos alegam que a inadimpl\u00eancia, a tributa\u00e7\u00e3o e o compuls\u00f3rio [parcela que s\u00e3o obrigados a deixar depositada no Banco Central] s\u00e3o altos no Brasil. Isso \u00e9 verdade, mas n\u00e3o explica inteiramente o spread banc\u00e1rio. A inadimpl\u00eancia est\u00e1 come\u00e7ando a cair. O fato \u00e9 que os bancos nunca conseguiram justificar plenamente spreads t\u00e3o altos no Brasil. Em todo o mundo, os bancos ganham em tempos de crise. No Brasil, tamb\u00e9m\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Wellton M\u00e1ximo \u2013 Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o: Gra\u00e7a Adjuto<br \/>\n11\/01\/2017<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A queda nos juros b\u00e1sicos da economia est\u00e1 demorando a chegar aos tomadores finais de empr\u00e9stimos e financiamentos. Embora o Banco Central (BC) tenha reduzido a taxa Selic duas vezes desde outubro, os juros cobrados pelos bancos n\u00e3o caem na mesma velocidade. 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