{"id":102552,"date":"2016-12-21T06:42:53","date_gmt":"2016-12-21T08:42:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=102552"},"modified":"2016-12-20T20:44:46","modified_gmt":"2016-12-20T22:44:46","slug":"fapesp-e-finep-estimulam-o-desenvolvimento-de-tecnologias-de-classe-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/fapesp-e-finep-estimulam-o-desenvolvimento-de-tecnologias-de-classe-mundial\/102552","title":{"rendered":"FAPESP e Finep estimulam o desenvolvimento de tecnologias de classe mundial"},"content":{"rendered":"<p> Claudia Izique | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Dez empresas foram selecionadas na  para o desenvolvimento de produtos e servi\u00e7os para Sirius, a nova fonte brasileira de <strong><em>luz s\u00edncrotron<\/em><\/strong>, em constru\u00e7\u00e3o no Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncrotron (LNLS), em Campinas.<\/p>\n<p>Essas empresas contar\u00e3o com o apoio do Programa PIPE\/PAPPE Subven\u00e7\u00e3o, que soma recursos da FAPESP e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), para, num prazo de at\u00e9 dois anos, responder a  demandados para a constru\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o de um equipamento de pesquisa de 4\u00aa gera\u00e7\u00e3o, competitivo com s\u00edncrotrons em constru\u00e7\u00e3o ou recentemente conclu\u00eddos em todo o mundo.<\/p>\n<p>Para as empresas selecionadas \u2013 todas com at\u00e9 250 empregados e, no m\u00ednimo, dois anos no mercado \u2013, esses desafios n\u00e3o s\u00e3o triviais. Sirius ser\u00e1 formado por um conjunto de aceleradores de el\u00e9trons e por esta\u00e7\u00f5es experimentais, conhecidas como linhas de luz, instalados num pr\u00e9dio de 68 mil metros quadrados. A pr\u00f3pria obra, por exig\u00eancia de estabilidade t\u00e9rmica e mec\u00e2nica, j\u00e1 constituiu um desafio para a engenharia brasileira.<\/p>\n<p>O acelerador de el\u00e9trons principal, com energia de 3 GeV (giga el\u00e9trons-volt) ter\u00e1 518,4 metros de di\u00e2metro e poder\u00e1 comportar at\u00e9 40 esta\u00e7\u00f5es de trabalho, nas quais pesquisadores utilizar\u00e3o luz s\u00edncrotron para \u201cenxergar\u201d a estrutura de materiais em n\u00edvel at\u00f4mico. Os resultados destas investiga\u00e7\u00f5es abrir\u00e3o novos horizontes para a pesquisa e desenvolvimento em \u00e1reas estrat\u00e9gicas como biotecnologia, nanotecnologia, energia, meio ambiente, entre outras.<\/p>\n<p>As empresas selecionadas na chamada PIPE\/PAPPE buscam se qualificar como fornecedoras de solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas para Sirius, como, por exemplo, ve\u00edculos n\u00e3o tripulados para o monitoramento do t\u00fanel de concreto que abriga o acelerador, c\u00e2maras de ultra-alto v\u00e1cuo e processos de manufatura aditiva.<\/p>\n<p>\u201cA expectativa \u00e9 que, ao final de dois anos, todas essas empresas entreguem prot\u00f3tipos que ser\u00e3o testados pela equipe de engenheiros e cientistas respons\u00e1veis pelo projeto Sirius\u201d, afirma Jos\u00e9 Roque da Silva, diretor do LNLS.<\/p>\n<p>Mercado nacional de fornecedores<\/p>\n<p>Outras oito empresas, selecionadas em 2015 na  do PIPE\/PAPPE Subven\u00e7\u00e3o, j\u00e1 est\u00e3o desenvolvendo 13 projetos para Sirius, como bloqueadores de f\u00f3tons, detectores de raios X e componentes de cer\u00e2micas covalentes.<\/p>\n<p>\u201cA ideia \u00e9 criar um mercado de fornecedores nacionais e, ao mesmo tempo, qualificar essas empresas para que utilizem o conhecimento adquirido em outras aplica\u00e7\u00f5es no Brasil e no exterior\u201d, sublinha Roque da Silva.<\/p>\n<p>A FCA Brasil, em Campinas, fabricante de pe\u00e7as e equipamentos met\u00e1licos especiais, por exemplo, est\u00e1 fazendo o condicionamento de c\u00e2maras especiais de ultra-alto v\u00e1cuo confeccionadas em a\u00e7o inox, projeto selecionado na primeira chamada de Sirius. A empresa tamb\u00e9m foi aprovada na segunda chamada e vai confeccionar c\u00e2maras de ultra-alto v\u00e1cuo em alum\u00ednio.<\/p>\n<p>As c\u00e2maras de ultra-alto v\u00e1cuo delimitam o ambiente no qual trafega o feixe de el\u00e9trons, mantendo-o a uma press\u00e3o inferior a 1ntorr (&lt;10-7 Pa), um trilh\u00e3o de vezes menor que a press\u00e3o atmosf\u00e9rica, o que exige que sejam confeccionadas com materiais e dimens\u00f5es especiais.<\/p>\n<p>A FCA j\u00e1 domina a tecnologia de produ\u00e7\u00e3o de c\u00e2maras de ultra alto v\u00e1cuo convencionais, em inox. O desafio agora \u00e9 produzi-las em alum\u00ednio. \u201cAs vantagens do alum\u00ednio s\u00e3o o baixo peso e a permeabilidade, melhorando a qualidade do v\u00e1cuo\u201d, afirma Artur Domingues Tavares da Silva, respons\u00e1vel pelo projeto aprovado na segunda chamada de Sirius. O problema, ele sublinha, s\u00e3o os processos de solda. \u201cN\u00e3o pode haver porosidade e \u00e9 preciso compatibilizar o alum\u00ednio com outros materiais, como inox ou cobre utilizados nas flanges.\u201d<\/p>\n<p>Criada em 2005 e atualmente com oito funcion\u00e1rios, a FCA j\u00e1 fornece c\u00e2maras convencionais para o UVX \u2013 o s\u00edncrotron de 2\u00aa gera\u00e7\u00e3o, atualmente em opera\u00e7\u00e3o no LNLS. A expertise adquirida abriu novos mercados para a empresa no Brasil. \u201cTemos como clientes o Instituto de Pesquisas Energ\u00e9ticas e Nucleares (Ipen) e alguns laborat\u00f3rios federais de pesquisa\u201d, afirma Daniela Munerato Arroyo, s\u00f3cia da empresa.<\/p>\n<p>A FCA foi recentemente reconhecida pela Sociedade Brasileira de V\u00e1cuo \u201ccomo a \u00fanica empresa no pa\u00eds conhecida e reconhecida como capaz de fabricar componentes e equipamentos de v\u00e1cuo a operar na faixa do Ultra-Alto V\u00e1cuo-UHV ou inferior a esta\u201d. E come\u00e7a a negociar projetos no mercado externo. \u201cEstamos em contato com o s\u00edncrotron do Canad\u00e1 [Canadian Light Source (CLS)] e em entendimentos com o GMT [Giant Magellan Telescope] , no Chile\u201d, ela diz.<\/p>\n<p>\u201dCompeti\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel\u201d<\/p>\n<p>A FCA n\u00e3o foi a \u00fanica selecionada para o desafio de construir c\u00e2maras de ultra-alto v\u00e1cuo. \u201cA competi\u00e7\u00e3o entre empresas \u00e9 saud\u00e1vel\u201d, explica Roque da Silva. A Promac Equipamentos, em Sumar\u00e9, tamb\u00e9m vai desenvolver prot\u00f3tipos desse equipamento. \u201cTemos 150 funcion\u00e1rios, 30 anos de mercado e faturamento anual de R$ 18 milh\u00f5es\u201d, descreve Diego Roberto Dias da Cruz, engenheiro respons\u00e1vel pelo projeto. Especializada em transporte e movimenta\u00e7\u00e3o de material, e fornecedora da Gerdau, da Votorantim e da AcelorMittal, a empresa \u201cbusca novos desafios\u201d. \u201cIsso exigir\u00e1 muita pesquisa e equipe qualificada\u201d, sublinha Cruz.<\/p>\n<p>Outras tecnologias, como a de desenvolvimento de comboio n\u00e3o tripulado para o monitoramento do t\u00fanel que abriga o anel, por exemplo, despertaram grande interesse dos concorrentes, mas apenas uma empresa foi selecionada. \u201cVamos projetar um ve\u00edculo movido a bateria, que se move sobre trilhos, carregando computador, c\u00e2mera, sistema de comunica\u00e7\u00e3o, sistema anticolis\u00e3o, entre outros. O grande desafio est\u00e1 em fazer o reconhecimento por imagem\u201d, resume Nilton Dias Borrego, diretor t\u00e9cnico da Wisersoft Tecnologia em Sistemas (Leia mais em ).<\/p>\n<p>Criada em 2008 para desenvolver sistemas de automa\u00e7\u00e3o e com clientes na \u00e1rea espacial e aeron\u00e1utica, a Wisersoft enxerga na resposta ao desafio de Sirius a oportunidade de conquistar novos mercados. \u201cA mesma tecnologia pode ser utilizada na vistoria de t\u00faneis do metr\u00f4, em galeria de minera\u00e7\u00e3o ou mesmo em portos. Como o ve\u00edculo \u00e9 operado por controle remoto, tamb\u00e9m \u00e9 aplic\u00e1vel em \u00e1reas industriais de grande extens\u00e3o\u201d, diz Borrego.<\/p>\n<p>A equipe de engenheiros e cientistas do LNLS far\u00e1 regularmente o acompanhamento dos projetos. \u201cAlgumas empresas selecionadas na primeira chamada j\u00e1 est\u00e3o bem avan\u00e7adas em seus projetos de detectores, de cer\u00e2micas e em alguns da \u00e1rea de eletr\u00f4nica\u201d, adianta o diretor do LNLS. A FCA, ele exemplifica, j\u00e1 est\u00e1 pronta para competir no mercado externo. \u201cO projeto Sirius e a FAPESP transformaram uma empresa familiar numa empresa de tecnologia de classe mundial\u201d.<\/p>\n<p>Roque da Silva acredita que as empresas respons\u00e1veis pelo desenvolvimento de cabanas experimentais \u2013 \u00e1rea protegida de radia\u00e7\u00e3o onde s\u00e3o realizados os experimentos com luz s\u00edncrotron \u2013 tamb\u00e9m podem ter boas oportunidades no mercado externo, do ponto de vista da tecnologia. \u201cO pr\u00f3prio LNLS acaba lhes abrindo as portas internacionais, j\u00e1 que nossos eventos e semin\u00e1rios re\u00fanem especialistas de s\u00edncrotrons do mundo todo.\u201d Mas ressalva: \u201cEssas empresas precisar\u00e3o de apoio para conquistar mercados no exterior j\u00e1 que ter\u00e3o que superar obst\u00e1culos jur\u00eddicos e log\u00edsticos que exigem recursos e orienta\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Para mais informa\u00e7\u00f5es sobre Sirius acesse  e .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Claudia Izique | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Dez empresas foram selecionadas na para o desenvolvimento de produtos e servi\u00e7os para Sirius, a nova fonte brasileira de luz s\u00edncrotron, em constru\u00e7\u00e3o no Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncrotron (LNLS), em Campinas. 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