{"id":102145,"date":"2016-12-16T06:29:21","date_gmt":"2016-12-16T08:29:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=102145"},"modified":"2016-12-14T20:31:24","modified_gmt":"2016-12-14T22:31:24","slug":"pesquisadores-abordam-diferentes-aspectos-do-desenvolvimento-infantil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/pesquisadores-abordam-diferentes-aspectos-do-desenvolvimento-infantil\/102145","title":{"rendered":"Pesquisadores abordam diferentes aspectos do desenvolvimento infantil"},"content":{"rendered":"<p> Diego Freire | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Dos 35 milh\u00f5es de portadores do v\u00edrus HIV no mundo, 6,9 milh\u00f5es s\u00e3o crian\u00e7as. A maioria foi infectada por transmiss\u00e3o vertical, da m\u00e3e para o filho durante a gesta\u00e7\u00e3o, na hora do parto ou pela amamenta\u00e7\u00e3o. O v\u00edrus tem prefer\u00eancia por atacar c\u00e9lulas dos sistemas imunol\u00f3gico e nervoso, o que, nessas crian\u00e7as, pode acarretar atrasos no <em><strong>desenvolvimento neuromotor e sociocognitivo<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p>Com o objetivo de contribuir para a implanta\u00e7\u00e3o de um programa de acompanhamento do desenvolvimento de crian\u00e7as expostos a esse risco, pesquisadores do Instituto de Sa\u00fade e Sociedade (ISS) do campus da Baixada Santista da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) acompanharam 54 beb\u00eas nascidos de mulheres soropositivas atendidas pelo N\u00facleo Integrado de Atendimento \u00e0 Crian\u00e7a de Santos, no litoral paulista.<\/p>\n<p>O trabalho foi apresentado na FAPESP em 9 de dezembro, durante o II Semin\u00e1rio de Pesquisas sobre Desenvolvimento Infantil, e \u00e9 uma das 15 pesquisas em andamento apoiadas pela FAPESP em parceria com a Funda\u00e7\u00e3o Maria Cec\u00edlia Souto Vidigal (FMCSV).<\/p>\n<p>\u201cAs pesquisas apoiadas est\u00e3o na \u00e1rea do desenvolvimento da primeir\u00edssima inf\u00e2ncia, da gesta\u00e7\u00e3o aos tr\u00eas anos de idade, e s\u00e3o inclu\u00eddas em tr\u00eas eixos tem\u00e1ticos considerados estrat\u00e9gicos para programas nessa fase da vida: qualifica\u00e7\u00e3o do atendimento \u00e0s gestantes e \u00e0s crian\u00e7as nos servi\u00e7os de sa\u00fade, de educa\u00e7\u00e3o infantil e de desenvolvimento social; governan\u00e7a, sustentabilidade e escala de programas voltados ao desenvolvimento integral na primeira inf\u00e2ncia; e avalia\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas e a\u00e7\u00f5es\u201d, disse Walter Colli, membro da Coordena\u00e7\u00e3o Adjunta de Ci\u00eancias da Vida da FAPESP.<\/p>\n<p>As funda\u00e7\u00f5es mant\u00eam desde 2010 um  que j\u00e1 beneficiou 31 projetos de pesquisa cient\u00edfica, selecionados em tr\u00eas chamadas de propostas.<\/p>\n<p>\u201cO objetivo da FMCSV com essa parceria \u00e9 aproximar a academia e o conhecimento cient\u00edfico das pol\u00edticas p\u00fablicas \u2013 algo que j\u00e1 acontece, mas que precisa ser cada vez mais incentivado e apoiado para que as pesquisas tenham impacto no desenvolvimento de pol\u00edticas e que o trabalho dos gestores p\u00fablicos seja orientado por evid\u00eancias cient\u00edficas\u201d, disse Eduardo de Campos Queiroz, diretor-presidente da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com Cristina dos Santos Cardoso de S\u00e1, do ISS-Unifesp, esse foi um dos objetivos da pesquisa .<\/p>\n<p>\u201cAvaliar e acompanhar o desenvolvimento infantil de filhos de m\u00e3es soropositivas em um servi\u00e7o p\u00fablico de refer\u00eancia pode fornecer diretrizes para que pol\u00edticas p\u00fablicas de acompanhamento dessa popula\u00e7\u00e3o de beb\u00eas expostos ao HIV sejam desenvolvidas, permitindo detectar eventuais altera\u00e7\u00f5es e orientar pais e equipes de sa\u00fade\u201d, disse.<\/p>\n<p>De abril de 2014 a junho de 2015, foram acompanhadas e avaliadas 54 crian\u00e7as na faixa et\u00e1ria de 0 a 42 meses, todas atendidas no centro de refer\u00eancia de Santos. As an\u00e1lises foram feitas por meio de avalia\u00e7\u00f5es do desempenho motor e cognitivo e por invent\u00e1rio de avalia\u00e7\u00e3o pedi\u00e1trica de incapacidade, que fornece uma descri\u00e7\u00e3o do desempenho funcional da crian\u00e7a nas \u00e1reas de autocuidado, mobilidade e fun\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>A divis\u00e3o dos beb\u00eas foi baseada em marcos motores: controle da cabe\u00e7a (de 16 dias a dois meses e 14 dias); jun\u00e7\u00e3o das m\u00e3os na linha m\u00e9dia (dois meses e 15 dias a quatro meses e 14 dias; capacidade de sentar com apoio (quatro meses e 15 dias a seis meses e 14 dias); sentar sem apoio (seis meses e 15 dias a oito meses e 14 dias); arrastar ou engatinhar (oito meses e 15 dias a 10 meses e 14 dias); ficar em p\u00e9 com apoio (10 meses e 15 dias a 12 meses e 14 dias); manter-se em p\u00e9 sem apoio (12 meses e 15 dias a 15 meses e 14 dias); andar de forma independente e chutar uma bola para frente sem ajuda (de 15 meses e 15 dias a 18 meses).<\/p>\n<p>Os testes que mediaram o desempenho das crian\u00e7as nas primeiras semanas de vida, de 15 dias a dois meses e meio, indicaram resultados inferiores aos esperados nessa fase. J\u00e1 nas avalia\u00e7\u00f5es posteriores, o desenvolvimento do grupo estudado se aproximou do esperado para a idade, mas uma parte dos beb\u00eas continuou em defasagem.<\/p>\n<p>\u201cA maioria dos beb\u00eas n\u00e3o manteve baixo desempenho, mas os que mantiveram exigem um cuidado maior, pois apresentaram desempenho inferior especialmente nas avalia\u00e7\u00f5es cognitivas e de linguagem\u201d, destacou Cardoso de S\u00e1.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisadora, o acompanhamento permitiu \u201cmaior compreens\u00e3o sobre o desenvolvimento neuropsicomotor dos beb\u00eas e identificou que existe uma demanda para acompanhamento do desenvolvimento neuropsicomotor dessa popula\u00e7\u00e3o, suscitando na equipe a necessidade de uma avalia\u00e7\u00e3o mais rigorosa que forne\u00e7a subs\u00eddios para o acompanhamento da sa\u00fade\u201d.<\/p>\n<p>Interven\u00e7\u00e3o psicoeducativa<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m em Santos, pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (FMUSP) avaliaram 180 alunos da educa\u00e7\u00e3o infantil de quatro escolas da rede municipal com o objetivo de detectar e intervir precocemente nas dificuldades de linguagem e de comportamento das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>\u201cA interven\u00e7\u00e3o o mais cedo poss\u00edvel em casos de dificuldades de linguagem e de comportamento pode evitar potenciais problemas na aquisi\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias acad\u00eamicas e sociais\u201d, disse Cristina de Andrade Varanda, uma das pesquisadoras envolvidas no projeto .<\/p>\n<p>As crian\u00e7as foram avaliadas quanto aos seus vocabul\u00e1rios expressivo, relacionado \u00e0s palavras que elas s\u00e3o capazes de reproduzir, e receptivo, que diz respeito ao seu entendimento da entona\u00e7\u00e3o, da melodia da voz do outro durante a fala e do significado das palavras em seus diferentes contextos. Tamb\u00e9m foram avaliadas habilidades de processamento auditivo central, relacionado aos mecanismos e processos realizados pelo sistema auditivo.<\/p>\n<p>Das 180 crian\u00e7as avaliadas, 90 foram submetidas a interven\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento e o aprimoramento da linguagem e o manejo de dificuldades comportamentais.<\/p>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o foi feita por meio de atividades l\u00fadicas, algumas delas desenvolvidas pelos pesquisadores em aplicativos para tablets. As atividades duraram tr\u00eas meses e foram realizadas na sala de aula, em hor\u00e1rio escolar, por uma dupla de profissionais da equipe multidisciplinar com a participa\u00e7\u00e3o e o apoio do professor titular.<\/p>\n<p>A partir das avalia\u00e7\u00f5es e da interven\u00e7\u00e3o, os pesquisadores elaboraram um material interativo para pais e professores, com orienta\u00e7\u00f5es sobre desenvolvimento de linguagem, leitura e comportamentos, al\u00e9m de um  para a divulga\u00e7\u00e3o do projeto e disponibiliza\u00e7\u00e3o de materiais pedag\u00f3gicos de suporte.<\/p>\n<p>Foi formada, ent\u00e3o, uma equipe multidisciplinar para orientar os profissionais das unidades municipais de educa\u00e7\u00e3o infantil no maternal e no jardim na avalia\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as aos tr\u00eas e aos quatro anos de idade quanto a aspectos relacionados \u00e0 linguagem e a comportamentos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foram realizados encontros de forma\u00e7\u00e3o com os professores e as equipes t\u00e9cnicas das escolas para o planejamento de interven\u00e7\u00f5es junto \u00e0s crian\u00e7as que auxiliem no manejo das dificuldades detectadas pelas avalia\u00e7\u00f5es, abrindo possibilidade para implementa\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica p\u00fablica na educa\u00e7\u00e3o municipal.<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es sobre o trabalho e as demais pesquisas apresentadas no II Semin\u00e1rio de Pesquisas sobre Desenvolvimento Infantil est\u00e3o dispon\u00edveis em .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diego Freire | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Dos 35 milh\u00f5es de portadores do v\u00edrus HIV no mundo, 6,9 milh\u00f5es s\u00e3o crian\u00e7as. 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