{"id":101670,"date":"2016-12-09T06:06:55","date_gmt":"2016-12-09T08:06:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=101670"},"modified":"2016-12-09T01:08:24","modified_gmt":"2016-12-09T03:08:24","slug":"pesquisadores-da-usp-buscam-respostas-para-a-mobilidade-urbana-em-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/pesquisadores-da-usp-buscam-respostas-para-a-mobilidade-urbana-em-sao-paulo\/101670","title":{"rendered":"Pesquisadores da USP buscam respostas para a mobilidade urbana em S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p> Jos\u00e9 Tadeu Arantes | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A <strong><em>mobilidade urbana<\/em><\/strong> tornou-se um tema urgente e pol\u00eamico, que centralizou debates recentes na cidade de S\u00e3o Paulo. Com uma frota veicular que ultrapassou a marca de 8 milh\u00f5es em 2015, a capital paulista encontra-se pr\u00f3xima do limite de um modelo de mobilidade centrado no transporte sobre pneus.<\/p>\n<p>O tema foi tratado em apresenta\u00e7\u00e3o feita por , professora titular da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de S\u00e3o Paulo (FAU-USP), durante o 5\u00ba Di\u00e1logo Brasil-Alemanha de Ci\u00eancia, Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o, realizado em 29 e 30 de novembro, na C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Estruturado em torno do eixo \u201cThe City of Tomorrow \u2013 Tackling Urban Challenges and Opportunities\u201d (\u201cA Cidade de Amanh\u00e3 \u2013 Enfrentando Desafios e Oportunidades Urbanas\u201d), o encontro, que reuniu pesquisadores alem\u00e3es e brasileiros, foi promovido pelo Centro Alem\u00e3o de Ci\u00eancia e Inova\u00e7\u00e3o \u2013 S\u00e3o Paulo (Deutsche Wissenschafts- und Innovationshaus \u2013 S\u00e3o Paulo \u2013 DWIH-SP), com a participa\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas Projetos, da Escola do Parlamento da C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo, do Minist\u00e9rio Federal das Rela\u00e7\u00f5es Externas da Alemanha e da FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cTr\u00eas planos definiram o sistema vi\u00e1rio e o sistema de transportes em S\u00e3o Paulo\u201d, disse Leme \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP. \u201cA rela\u00e7\u00e3o entre esses dois sistemas foi estabelecida a partir da d\u00e9cada de 1930, com o \u2018Plano de Avenidas para a Cidade de S\u00e3o Paulo\u2019, elaborado e implementado sob a dire\u00e7\u00e3o do engenheiro Francisco Prestes Maia (1896 \u2013 1965), prefeito de S\u00e3o Paulo durante o Estado Novo, de 1938 a 1945.\u201d<\/p>\n<p>Esse plano definiu um modelo radioconc\u00eantrico, com um centro principal e avenidas radiais, ligadas por perimetrais. Idealmente, as avenidas radiais poderiam ser prolongadas sem restri\u00e7\u00f5es, alcan\u00e7ando a periferia. Foi um conceito de cidade implantado quando S\u00e3o Paulo, com pouco mais de 1,3 milh\u00e3o de habitantes em 1940, transitava da antiga condi\u00e7\u00e3o de polo urbano da cultura cafeeira para a nova condi\u00e7\u00e3o de metr\u00f3pole industrial, e uma popula\u00e7\u00e3o de origem rural passava a ocupar a periferia.<\/p>\n<p>\u201cO paradigma de mobilidade urbana que orientou o Plano de Avenidas continua informando decis\u00f5es t\u00e9cnicas e pol\u00edticas de planejamento urbano. Assim como algumas avenidas constru\u00eddas ou reconstru\u00eddas no per\u00edodo, como a Nove de Julho e a Rebou\u00e7as, continuam a ser eixos importantes na malha vi\u00e1ria da cidade\u201d, comentou a pesquisadora.<\/p>\n<p>No mesmo per\u00edodo de elabora\u00e7\u00e3o do Plano de Avenidas foi definida uma nova forma de utiliza\u00e7\u00e3o dos rios, com a cria\u00e7\u00e3o do Sistema Billings. Decis\u00e3o t\u00e9cnica de grande impacto foi a revers\u00e3o do curso do rio Pinheiros, afluente do Tiet\u00ea. Por meio da Usina Elevat\u00f3ria de Trai\u00e7\u00e3o, o curso do Pinheiros foi invertido, levando \u00e1gua do Tiet\u00ea para a Represa Billings, e, de l\u00e1, aproveitando o desn\u00edvel de mais de 700 metros da Serra do Mar, para a Usina Hidrel\u00e9trica Henry Borden, em Cubat\u00e3o, com o objetivo de gerar energia el\u00e9trica. Em 1992, o bombeamento para a Billings viria a ser proibido para proteger o reservat\u00f3rio da enorme polui\u00e7\u00e3o dos rios; e, hoje, s\u00f3 \u00e9 permitido em eventos de chuva intensa, como forma de reduzir o efeito das enchentes.<\/p>\n<p>\u201cEm poucos anos, S\u00e3o Paulo transformou-se de uma cidade de casas t\u00e9rreas ou assobradadas em uma cidade de edif\u00edcios altos e avenidas largas. E isso conjugou-se com a transi\u00e7\u00e3o de um transporte feito por bondes para um transporte feito sobre pneus, principalmente por \u00f4nibus. Esse sistema de transporte, que exige muito menos infraestrutura e muito menos investimento para ser implantado, possibilitou que a cidade se espraiasse, para se tornar, na d\u00e9cada de 1950, aquela que mais crescia no mundo\u201d, sintetizou Leme.<\/p>\n<p>Foi nesse per\u00edodo, nos anos 1950, que as autoridades paulistanas contrataram o engenheiro norte-americano Robert Moses (1888 \u2013 1981) para a elabora\u00e7\u00e3o de um programa de melhoramentos. O novo plano, o segundo dos tr\u00eas mencionados pela pesquisadora, n\u00e3o mudou o princ\u00edpio radioconc\u00eantrico, mas trouxe, como grande novidade, a proposta de um sistema de vias expressas, que come\u00e7ou a ser implantado a partir dos anos 1960, em nova gest\u00e3o de Prestes Maia, e, mais ainda, na gest\u00e3o de seu sucessor, Brigadeiro Jos\u00e9 Vicente de Faria Lima (1909 \u2013 1969), com a constru\u00e7\u00e3o da Marginal Tiet\u00ea, da Marginal Pinheiros, da Radial Leste, da Vinte e Tr\u00eas de Maio, da Rubem Berta, da Sumar\u00e9, entre outras obras.<\/p>\n<p>Em dezembro de 1968, ainda na gest\u00e3o de Faria Lima, foram iniciadas as obras do metr\u00f4. Nesse mesmo ano, havia sido elaborado, por um cons\u00f3rcio de empresas de consultoria, o terceiro dos tr\u00eas planos, o Plano Urban\u00edstico B\u00e1sico, que deveria orientar o crescimento da cidade at\u00e9 1990. No \u00e2mbito da mobilidade urbana, a diretriz do plano era superar o modelo estritamente rodovi\u00e1rio, associando a 815 quil\u00f4metros de vias expressas 450 quil\u00f4metros de metr\u00f4. \u201cDecis\u00f5es t\u00e9cnicas de grande impacto, como essas, foram conformando o perfil da cidade, que, em 2016, registrou uma popula\u00e7\u00e3o estimada superior a 12 milh\u00f5es de habitantes, com 21,2 milh\u00f5es na Regi\u00e3o Metropolitana\u201d, afirmou Leme.<\/p>\n<p>A mobilidade urbana nessa cidade que \u00e9 atualmente uma das 10 mais populosas do mundo foi uma das quest\u00f5es estudadas pelos jovens arquitetos Giuseppe Filocomo, M\u00e1rcia Trento e Talita Micheletti em tr\u00eas distritos da Zona Leste de S\u00e3o Paulo: Br\u00e1s, Itaquera e Cidade Tiradentes, do mais pr\u00f3ximo ao mais distante do centro.<\/p>\n<p>\u201cNesse estudo, a pior situa\u00e7\u00e3o detectada foi justamente a do distrito mais distante, Cidade Tiradentes, para o qual n\u00e3o h\u00e1 um sistema de transporte eficiente, uma vez que a \u00faltima esta\u00e7\u00e3o de metr\u00f4, no sentido leste, se encontra em Itaquera. E o acesso \u00e0 Cidade Tiradentes s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel por meio de \u00f4nibus, com um deslocamento muito longo. Uma hip\u00f3tese importante, levantada por Filocomo, Trento e Micheletti, foi a articula\u00e7\u00e3o, a ser verificada, entre a dificuldade de mobilidade urbana, a maior perman\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o no bairro e o aumento do trabalho informal\u201d, relatou Maria Cristina.<\/p>\n<p>Programa de resid\u00eancia em subprefeituras<\/p>\n<p>Esse estudo foi realizado no \u00e2mbito de uma iniciativa usual na \u00e1rea de sa\u00fade, mas at\u00e9 ent\u00e3o in\u00e9dita, no Brasil, na \u00e1rea de arquitetura e urbanismo: a dos programas de resid\u00eancia. \u201cO \u2018Programa de Resid\u00eancia em Arquitetura e Urbanismo: Planejamento e Gest\u00e3o Urbana\u2019 foi implementado a partir do cons\u00f3rcio entre a FAU-USP e a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano da Prefeitura de S\u00e3o Paulo (SMDU-PMSP). Foram selecionados 32 jovens arquitetos, com at\u00e9 cinco anos de formados, para atuar junto \u00e0s subprefeituras do munic\u00edpio, um em cada uma das 32 subprefeituras e colaborar no desenvolvimento dos planos regionais\u201d, informou a pesquisadora.<\/p>\n<p>A resid\u00eancia foi concebida como um programa de educa\u00e7\u00e3o continuada ao curso de gradua\u00e7\u00e3o. Compreendeu 12 meses de atividades te\u00f3ricas e pr\u00e1ticas, em regime de dedica\u00e7\u00e3o exclusiva, das 8 \u00e0s 18 horas, nos cinco dias \u00fateis da semana, e 30 dias de f\u00e9rias. Do total de 1.920 horas, exigindo presen\u00e7a de no m\u00ednimo 85%, 480 horas foram desenvolvidas na pr\u00f3pria FAU-USP, com aulas expositivas, laborat\u00f3rios did\u00e1ticos, supervis\u00e3o das pesquisas desenvolvidas e orienta\u00e7\u00e3o dos trabalhos de conclus\u00e3o do curso. O restante do tempo, somando 1.440 horas, foi despendido pelos residentes nas subprefeituras e na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, sob a supervis\u00e3o de coordenadores indicados pela SMDU.<\/p>\n<p>O projeto do Hidroanel Metropolitano de S\u00e3o Paulo, desenvolvido tamb\u00e9m na FAU-USP, foi apontado por Maria Cristina como uma importante contribui\u00e7\u00e3o para enfrentar a quest\u00e3o da mobilidade urbana e do uso m\u00faltiplo das \u00e1guas. Elaborado pelo Grupo Metr\u00f3pole Fluvial, do Laborat\u00f3rio de Projeto da FAU-USP, sob a coordena\u00e7\u00e3o do professor , o hidroanel prev\u00ea a conex\u00e3o e o pleno aproveitamento das hidrovias que circundam 14 cidades da Grande S\u00e3o Paulo, com a gera\u00e7\u00e3o de 40 mil empregos diretos e 120 mil indiretos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Tadeu Arantes | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A mobilidade urbana tornou-se um tema urgente e pol\u00eamico, que centralizou debates recentes na cidade de S\u00e3o Paulo. Com uma frota veicular que ultrapassou a marca de 8 milh\u00f5es em 2015, a capital paulista encontra-se pr\u00f3xima do limite de um modelo de mobilidade centrado no transporte sobre pneus. 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