{"id":101111,"date":"2016-12-02T06:02:42","date_gmt":"2016-12-02T08:02:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=101111"},"modified":"2016-12-02T04:38:37","modified_gmt":"2016-12-02T06:38:37","slug":"desastres-ambientais-impactam-diferentemente-pequenas-e-grandes-cidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/desastres-ambientais-impactam-diferentemente-pequenas-e-grandes-cidades\/101111","title":{"rendered":"Desastres ambientais impactam diferentemente pequenas e grandes cidades"},"content":{"rendered":"<p> Elton Alisson | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A maioria dos pequenos munic\u00edpios brasileiros, cuja popula\u00e7\u00e3o \u00e9 composta por at\u00e9 100 mil habitantes e onde est\u00e1 concentrada metade da popula\u00e7\u00e3o brasileira, n\u00e3o tem um fundo de financiamento de a\u00e7\u00f5es de adapta\u00e7\u00e3o a mudan\u00e7as ambientais, como a eleva\u00e7\u00e3o da temperatura e do volume de chuvas, ou de aumento da resili\u00eancia e de mitiga\u00e7\u00e3o de impactos de <em><strong>desastres naturais<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p>A falta de recursos financeiros e humanos para lidar com quest\u00f5es ambientais e desastres naturais apresentada por esses pequenos munic\u00edpios \u2013 que representam 95% das cidades brasileiras \u2013 os torna mais vulner\u00e1veis a ser arrasados por desastres ambientais como o que ocorreu em Mariana, em Minas Gerais, em novembro de 2015.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o foi feita por Ricardo Ojima, professor do Departamento de Demografia e Ci\u00eancias Atuariais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), durante palestra no semin\u00e1rio , realizado entre os dias 28 e 29 de novembro, na FAPESP.<\/p>\n<p>Promovido pela FAPESP, em parceria com a Finnish Funding Agency for Innovation (Tekes, na sigla em finland\u00eas), da Finl\u00e2ndia, o objetivo do evento foi fomentar o desenvolvimento de novas colabora\u00e7\u00f5es cient\u00edficas entre pesquisadores do Estado de S\u00e3o Paulo e finlandeses e apresentar os resultados de pesquisas apoiadas pela FAPESP em \u00e1reas como resili\u00eancia urbana, meteorologia, planejamento urbano e seguran\u00e7a h\u00eddrica.<\/p>\n<p>\u201cSe um desastre ambiental da magnitude do que aconteceu em Mariana tivesse ocorrido em S\u00e3o Paulo, por exemplo, o n\u00famero de mortes certamente seria maior, afetaria o funcionamento da cidade, mas n\u00e3o a teria destru\u00eddo completamente\u201d, estimou Ojima.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 no caso de um munic\u00edpio pequeno, como Mariana, um evento como o rompimento da barragem de min\u00e9rios pode representar o fim da cidade, de seu patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e cultural e das rela\u00e7\u00f5es afetivas que os moradores estabeleceram com o lugar\u201d, comparou.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, que realizou p\u00f3s-doutorado com , em n\u00fameros absolutos, as maiores cidades brasileiras \u2013 cuja popula\u00e7\u00e3o totaliza mais de 500 mil habitantes, concentram a outra metade da popula\u00e7\u00e3o brasileira e representam 5% dos munic\u00edpios do pa\u00eds \u2013 t\u00eam um n\u00famero maior de pessoas expostas \u00e0s mudan\u00e7as e aos desastres ambientais.<\/p>\n<p>Os pequenos munic\u00edpios, contudo, t\u00eam menos recursos e maior dificuldade de gerenciamento e capacita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica para lidar com problemas ambientais. \u201cEstamos no fio da navalha em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o das cidades brasileiras a mudan\u00e7as ambientais e de resili\u00eancia a desastres naturais\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, s\u00e3o necess\u00e1rios investimentos para as duas situa\u00e7\u00f5es: em adapta\u00e7\u00e3o e aumento da resili\u00eancia das grandes cidades, onde uma quantidade muito maior de pessoas pode ser afetada por um \u00fanico evento extremo, e na busca de mecanismos para melhorar a capacidade adaptativa e a resili\u00eancia dos pequenos munic\u00edpios que podem ser completamente arrasados por um desastre como o de Mariana.<\/p>\n<p>Aumento da exposi\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Em comum, tanto nas grandes cidades, quanto nos munic\u00edpios pequenos no pa\u00eds, tem se observado um aumento do n\u00famero de pessoas vivendo em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, o que contribui para aumentar sua exposi\u00e7\u00e3o a desastres ambientais, apontou Maria Camila Loffredo D\u2019Ottaviano, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de S\u00e3o Paulo (FAU-USP).<\/p>\n<p>Segundo dados apresentados pela pesquisadora, obtidos do Censo Demogr\u00e1fico de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), 5,61% das fam\u00edlias brasileiras vivem em favelas, das quais 9,79% na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo e 9,95% em S\u00e3o Paulo \u2013 cidade onde vive 10% da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cO levantamento do IBGE considera como fam\u00edlias que vivem em favela aquelas que declaram morar em \u00e1reas invadidas. Com isso, a popula\u00e7\u00e3o que vive em loteamentos irregulares em \u00e1reas prec\u00e1rias no entorno das represas do Guarapiranga e da Billings em S\u00e3o Paulo, por exemplo, n\u00e3o \u00e9 contabilizada como moradora de favela\u201d, explicou D\u2019Ottaviano.<\/p>\n<p>Ao incluir essas fam\u00edlias na contagem, o percentual de domic\u00edlios no munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo situados em \u00e1reas prec\u00e1rias chega quase a 30%, indicou a pesquisadora.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 uma grande concentra\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de favela na regi\u00e3o Sul da cidade, onde est\u00e3o as represas Guarapiranga e Billings, al\u00e9m de na regi\u00e3o norte, na Cantareira, onde h\u00e1 uma \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o ambiental, e no extremo leste da capital. E essa situa\u00e7\u00e3o piorou muito em 2010 em compara\u00e7\u00e3o com 2000\u201d, apontou.<\/p>\n<p>Os moradores dessas \u00e1reas prec\u00e1rias s\u00e3o os mais afetados pelas mudan\u00e7as no regime de chuvas, por exemplo. Essa vulnerabilidade pode decorrer tanto da variabilidade clim\u00e1tica natural quanto do crescimento da urbaniza\u00e7\u00e3o, que contribuiu para agravar os efeitos da \u201cilha de calor\u201d \u2013 fen\u00f4meno clim\u00e1tico que ocorre principalmente nas cidades com elevado grau de urbaniza\u00e7\u00e3o, como S\u00e3o Paulo, onde o ar e as temperaturas da superf\u00edcie s\u00e3o mais quentes do que em \u00e1reas rurais no entorno \u2013, apontaram pesquisadores participantes do evento.<\/p>\n<p>Com o aumento da urbaniza\u00e7\u00e3o, o solo da cidade \u2013 antes protegido pela vegeta\u00e7\u00e3o remanescente da Mata Atl\u00e2ntica \u2013 tornou-se imperme\u00e1vel ao ser coberto por materiais como asfalto e concreto, que absorvem muito calor e n\u00e3o ret\u00eam umidade.<\/p>\n<p>Com isso, durante o dia o clima na cidade fica muito quente e, \u00e0 noite, o calor acumulado \u00e9 liberado para a atmosfera. A umidade relativa do ar da cidade \u00e9 reduzida e a evapora\u00e7\u00e3o de \u00e1gua do solo para a forma\u00e7\u00e3o de nuvens \u00e9 acelerada.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 espa\u00e7o para se estudar exatamente a localiza\u00e7\u00e3o das ilhas de calor na cidade e a utilidade dos bols\u00f5es verdes para mitigar os efeitos desse fen\u00f4meno clim\u00e1tico em determinadas regi\u00f5es da cidade, como baixios\u201d, disse Humberto Rocha, professor do Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas (IAG) da USP durante o evento.<\/p>\n<p>\u201cAinda temos muita ci\u00eancia a produzir para esclarecer quest\u00f5es de escala e atribui\u00e7\u00e3o de causas para mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em cidades como S\u00e3o Paulo\u201d, apontou.<\/p>\n<p>Falta de conex\u00e3o<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Paulo Saldiva, professor da Faculdade de Medicina da USP, as universidades brasileiras j\u00e1 produzem um n\u00famero expressivo de estudos sobre cidades.<\/p>\n<p>A USP, por exemplo, \u00e9 a quarta universidade no mundo com maior n\u00famero de trabalhos indexados no Web of Science, e a terceira em estudos relacionando cidades e sa\u00fade.<\/p>\n<p>A grande dificuldade, entretanto, \u00e9 converter os resultados desses estudos em solu\u00e7\u00f5es integradas que sejam adotadas pelos administradores p\u00fablicos, apontou.<\/p>\n<p>Para isso, segundo ele, \u00e9 preciso demonstrar aos gestores o quanto eles poder\u00e3o ter que pagar por n\u00e3o adotar uma solu\u00e7\u00e3o proposta e os danos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, apontou.<\/p>\n<p>\u201cNo caso do Brasil, onde os prefeitos se debatem com dificuldades econ\u00f4micas, \u00e9 preciso apontarmos os efeitos futuros ou benef\u00edcios imediatos em termos financeiros\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m participaram do evento Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor cient\u00edfico da FAPESP; Jarkko Wickstr\u00f6m, coordenador de Coopera\u00e7\u00e3o para Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Pesquisa da Embaixada da Finl\u00e2ndia no Brasil; e Ari-Matti Harri, do Finnish Meteorological Institute (FMI).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elton Alisson | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A maioria dos pequenos munic\u00edpios brasileiros, cuja popula\u00e7\u00e3o \u00e9 composta por at\u00e9 100 mil habitantes e onde est\u00e1 concentrada metade da popula\u00e7\u00e3o brasileira, n\u00e3o tem um fundo de financiamento de a\u00e7\u00f5es de adapta\u00e7\u00e3o a mudan\u00e7as ambientais, como a eleva\u00e7\u00e3o da temperatura e do volume de chuvas, ou de aumento [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":34681,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[22,7],"tags":[],"class_list":{"0":"post-101111","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"category-economia","9":"entry","10":"gs-1","11":"gs-odd","12":"gs-even","13":"gs-featured-content-entry"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/secovi-sp.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/101111","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=101111"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/101111\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/34681"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=101111"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=101111"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=101111"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}