{"id":100287,"date":"2016-11-23T06:24:11","date_gmt":"2016-11-23T08:24:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=100287"},"modified":"2016-11-22T15:26:28","modified_gmt":"2016-11-22T17:26:28","slug":"aumento-da-renda-dos-mais-pobres-nao-garantiu-reducao-da-desigualdade-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/aumento-da-renda-dos-mais-pobres-nao-garantiu-reducao-da-desigualdade-social\/100287","title":{"rendered":"Aumento da renda dos mais pobres n\u00e3o garantiu redu\u00e7\u00e3o da desigualdade social"},"content":{"rendered":"<p> A taxa de <strong><em>redu\u00e7\u00e3o da desigualdade social<\/em><\/strong> no Brasil permaneceu est\u00e1vel entre os anos 2000 e 2014. Apesar do crescimento da renda entre as pessoas mais vulner\u00e1veis e extremamente pobres, o Brasil n\u00e3o conseguiu, em 14 anos, diminuir o fosso entre ricos e pobres.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o \u00e9 do Radar IDHM, \u00edndice que compara as tend\u00eancias de crescimento dos indicadores sociais na d\u00e9cada de 2000 a 2010 e no per\u00edodo de 2011 a 2014. O estudo, lan\u00e7ado pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), em parceria com o Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) e a Funda\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o Pinheiro, aponta que o \u00cdndice de Gini, que mede o n\u00edvel de desigualdade, teve uma redu\u00e7\u00e3o 0,6% de 2000 a 2010, mesma propor\u00e7\u00e3o identificada para o per\u00edodo de  2011 a 2014. O valor foi considerado inexpressivo pelos especialistas.<\/p>\n<p>Diminui\u00e7\u00e3o da pobreza extrema<\/p>\n<p>Por outro lado, a pesquisa mostra que entre 2011 e 2014 a propor\u00e7\u00e3o de pessoas com renda domiciliar per capita inferior a 255 reais diminui 9,3% por ano, enquanto que de 2000 a 2010 o decr\u00e9scimo anual foi de 3,9%. A redu\u00e7\u00e3o foi ainda maior no grupo de pessoas com renda inferior a R$ 70, faixa que apresentou decr\u00e9scimo anual de 14 % entre 2011 e 2014, contra o \u00edndice de 6,5% anual entre os anos de 2000 e 2010.<\/p>\n<p>Segundo o coordenador de Estudos Territoriais Urbanos do Ipea, Marco Aur\u00e9lio da Costa, o Brasil chegou a um \u00edndice de pobreza extrema residual, equivalente ao \u00edndice identificado em pa\u00edses desenvolvidos.<\/p>\n<p>As pol\u00edticas de transfer\u00eancia de renda e de valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo, no entanto, n\u00e3o foram suficientes para mudar de forma significativa a dist\u00e2ncia dos mais pobres para os mais ricos. As proje\u00e7\u00f5es mostram que a desigualdade no Brasil \u00e9 t\u00e3o intensa que, mesmo quando a renda do pobre cresce o dobro em rela\u00e7\u00e3o ao crescimento dos rendimentos dos mais ricos, o impacto na desigualdade ainda n\u00e3o \u00e9 imediato.<\/p>\n<p>\u201cA desigualdade continua sendo um desafio para o Brasil. A gente consegue aliviar a pobreza, tirar as pessoas da situa\u00e7\u00e3o de extrema pobreza, mas as pessoas que ganham mais continuam ganhando mais ainda. Ent\u00e3o, o fosso da desigualdade continua numa tend\u00eancia bastante est\u00e1vel\u201d, explica Andr\u00e9a Bolzon, coordenadora do relat\u00f3rio de Desenvolvimento Humano Nacional do Pnud no Brasil.<\/p>\n<p>O estudo n\u00e3o traz detalhes sobre as causas das mudan\u00e7as nos indicadores sociais, mas, para o Pnud, a desigualdade leva em considera\u00e7\u00e3o n\u00e3o somente a diferen\u00e7a de renda, mas tamb\u00e9m disparidades territoriais, de g\u00eanero e ra\u00e7a. \u201cPara diminuir desigualdade, \u00e9 outro conjunto de pol\u00edticas. Voc\u00ea tem que baixar grandes fortunas, taxar heran\u00e7as, quer dizer, s\u00e3o outras pol\u00edticas que poderiam ser implementadas e discutidas pela sociedade\u201d, diz Andr\u00e9a.<\/p>\n<p>Ajustes fiscais<\/p>\n<p>Os especialistas do Ipea e do Pnud entendem que a desigualdade n\u00e3o deve aumentar com a atual crise econ\u00f4mica, mas alertam que as pol\u00edticas que t\u00eam sido debatidas para conter os gastos p\u00fablicos precisam ser pautadas junto com a preocupa\u00e7\u00e3o em torno da desigualdade.<\/p>\n<p>\u201cDiferentes estudos mostram que viver em uma sociedade desigual \u00e9 ruim pra todo mundo. \u00c9 ruim pra quem est\u00e1 nos extratos mais vulner\u00e1veis e \u00e9 ruim para as outras pessoas tamb\u00e9m. Tem um estado de desconforto, uma sociedade muito desigual, \u00e9 uma sociedade doente. Entendemos a necessidade de fazer ajuste fiscal, de ser respons\u00e1vel com as contas p\u00fablicas, mas \u00e9 preciso que o olhar sobre as pessoas mais vulner\u00e1veis e extremamente pobres n\u00e3o seja perdido em nenhum momento. N\u00e3o se pode pensar s\u00f3 em resolver contas sem ter em considera\u00e7\u00e3o as pessoas\u201d, alerta.<\/p>\n<p>Os especialistas ainda n\u00e3o sabem qual ser\u00e1 o impacto da atual crise econ\u00f4mica sobre outros indicadores sociais, mas reconhecem que o quadro pode mudar. \u201cAchamos que, de 2011 a 2014, j\u00e1 haveria algum tipo de desacelera\u00e7\u00e3o ou queda da renda das pessoas, e n\u00e3o houve. Agora achamos que vai ter impacto&#8221;, diz Andr\u00e9a. &#8220;\u00c9 poss\u00edvel que um conjunto de pol\u00edticas restritivas, de ajuste fiscal gere algum tipo de impacto. \u00c9 poss\u00edvel tamb\u00e9m que as mesmas medidas gerem algum tipo de ambiente econ\u00f4mico favor\u00e1vel e afetem a renda de uma outra forma&#8221;, pondera Marcos.<\/p>\n<p>Debora Brito &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o: Lidia Neves<br \/>\n23\/11\/2016<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A taxa de redu\u00e7\u00e3o da desigualdade social no Brasil permaneceu est\u00e1vel entre os anos 2000 e 2014. Apesar do crescimento da renda entre as pessoas mais vulner\u00e1veis e extremamente pobres, o Brasil n\u00e3o conseguiu, em 14 anos, diminuir o fosso entre ricos e pobres. 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